Logística Transporte e Embalagens

7 de novembro de 2008

Logística – Indústria química divide atividades logísticas com operador qualificado

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Fairbanks
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Movimentação de tambores no armazém da Ultracargo em Mauá-SP

    H

    á alguns anos, a indústria química resistia a transferir responsabilidades para seus transportadores. Atualmente, quem não for capaz de oferecer operações complementares e cada vez mais abrangentes corre o risco de perder clientes no setor. A qualificação e a criatividade para propor alternativas diferenciam as empresas do setor, cada vez mais concorrido. Consolida-se a figura do “operador logístico”, responsável por todas as etapas envolvidas entre a saída das fabrica ate a entrega para usuário finais, muitas vezes assumindo investimentos em instalações e as contratações dos profissionais necessários.

    Ate setembro, antes da chamada “crise do subprime”, iniciada nos Estados Unidos e em fase de alastramento por todo o mundo, a situação era muito animadora. Havia pedidos de transporte sobrando no país e os prestadores de serviços se esforçavam para vencer as dificuldades da infra-estrutura nacional, além dos concorrentes, para atender as exigências dos contratadores químicos, sabidamente os mais rigorosos

    No primeiro momento, o impacto das dificuldades financeiras internacionais se refletiu em uma retração da demanda por fretes. Duas semanas mais tarde, o setor registrou uma discreta recuperação nos negócios. Essas variações podem ser explicadas pelo consumo de estoques, ante a valorização do dólar logo repassada para os preços. A movimentação das cargas química dependerá da manutenção, ou não, da evolução das vendas dos produtos finais.

    Pelo que se vislumbra, enquanto no momento anterior os prestadores de serviços logísticos eram solicitados a apresentar alternativas para aumentar a produtividade da cadeia produtiva, agora, a prioridade será mais complexo. E, talvez, menos remunerador.

    Quimica e Derivados, Elder Martini,  vice da Rhodia para América Latina das áreas de compras, logística e Rhodia-Energy, Logistica - Indústria química divide atividades logísticas com operador qualificado

    Elder Martini: interessa assegurar bons serviços a longo prazo

    “Não faz sentido pagar muito pouco pelo serviço se isso comprometer a sua disponibilidade a médio e longo prazo”, afirmou Elder Martini, vice da Rhodia para América Latina das áreas de compras, logística e Rhodia-Energy. A companhia movimenta 1,2 milhões de toneladas anuais de produtos (para dentro e para Dora de suas fábricas), concentradas no modal rodoviário. Dada a dependência desse  tipo de transporte, ela desenvolve há décadas programas bem-sucedidos de avaliação e qualificação dos seus contratados. Os quais apoiaram até a formatação do módulo correspondente  no Sistema de Avaliação,  Saúde, Meio Ambiente e Qualidade (Sassmaq) da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

    Além de exigir a certificação Sassmaq,  a empresa desenvolve o programa Rhodia Way, pelo qual avalia a gestão completa do prestador de serviço e contribui para a sua qualificação. “Queremos ter certeza de que as contratadas são empresas sustentáveis, ou seja, tenha condições para funcionar bem durante muitos anos” explicou Martini.Dessa forma, a companhia verifica a existência de passivos ambientais, trabalhistas e financeiros dos transportadores, oferecendo em contrapartidfa treinamento, apoio nos processos de qualificação e certificação, bem como melhorias de caráter operacional, como a redução das filas de carga e descarga nas plataformas da Rhodia.

    Avanço normativo– Ao completar vinte anos de vigência, a regulamentação do transporte rodoviário de produtos perigosos esta em revisão. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresentou sua proposta para atualizar o Decreto 96.044, de 18 de maio de 1988, e abriu prazo para audiência publica de 8 de setembro a 12 de dezembro de 2008. A Associação Brasileira de Transporte e Logistica de Produtos Perigosos (ABTLP) sugeriu 57 alterações para aprimorar a norma.

    Química e Derivados, Paulo de Tarso Martins Gomes, presidente da ABTLP, Logística - Indústria química divide atividades logístias com operador qualificado

    Paulo de Tarso Martins Gomes: cadeia produtiva deve discutir proposta da ANTT para evitar problemas

    “A proposta da ANTT deixa de caracterizar com exatidão as condutas e requisitos exigíveis, deixando-os ao arbítrio da fiscalizaçao rodoviária”, criticou Paulo de Tarso Martins Gomes, presidente da ABTLP. “Isso é um convite à corrupção ou a instauração da industria das multas.” Para cada recomendação vaga, a associação apontou a definição estrita e legal prevista nas resoluções  do Conselho Nacional de Transito (Contran) e nas normas oficiais brasileiras da BNT ou Inmetro ( o comitê brasileiro CB-16 cuida da área de transporte), abrangendo itens de embalagem, sinalização dos veículos até os equipamentos de proteção individual e rotinas de atuação em caso de acidentes.
    Um ponto questionado pela associação diz respeito à majoração do valor das multas constante da proposta da agencia, da qual não consta referencia a nenhum diploma legal que a autorize. Pelo contrario, o Decreto-Lei nº 2.063 de 6 de outubro de 1983, ainda vigente, estipulou o valor Maximo de 250 ORTNs (hoje, R$ 656,54) para esse tipo de infração. Na proposta, a multa máxima vai a R$ 2.000,00.

     

    Gomes também apontou falhas persistentes na regulamentação do transporte de produtos perigosos, muitos dos quais químicos. O setor lutou pela introdução do conceito de solidariedade entre transportadores e expedidores nos casos de multas referentes à embalagem e documentação das cargas. “Quem entende do produto é o expedidor, não o transportador, que acaba sendo o único prejudicado”, disse.

    Mesmo com esse conceito, pelo qual ambos recebem cada qual a sua punição, no caso de o expedidor não pagar a respectiva  multa, esta fica atrelada ao veiculo e acaba sendo obrigatoriamente quitada pelo transportador para licenciá-lo.

    A proposta também falha, segundo Gomes, por não observar a possibilidade de serem o contratante e o expedidor pessoas diferentes, especialmente no caso de  contratos do tipo CIF (frete, seguro e custos). “É preciso identificá-las para a correta atribuição de responsabilidade”, afirmou.

    O presidente da ABTLP espera que todas as partes interessadas (indústria, transportadores, expedidores, operadores e governo, entre outros) estudem o caso e se manifestem dentro do prazo previsto. O debate amplo sobre as modificações do regulamento levará a decisões mais adequadas, corrigindo detalhismos absurdos (como o número exato de dentes das caveiras indicativas de substancias tóxicas perigosas – aliás, são 16) e aprimorando a segurança da atividade. Uma caveira “banguela” pode ser premiada com multa.

    Também no tocante às multas rodoviárias, Gomes aponta equívocos graves. “Balanças dinâmicas não servem para pesar caminhões com cargas líquidas a granel porque o deslocamento do material altera sensivelmente o resultado”, explicou. As balanças móveis também são problemáticas porque o local onde venham a ser instaladas precisa de homologação prévia por órgão ofi cial, que não aceita desníveis no terreno, por exemplo.

    Gomes explica que a má interpretação de normas gera situações perigosas. No caso dos granéis líquidos, a diferença entre as pesagens de carga e descarga do material transportado (perdas) não pode superar 0,5%. A legislação admitia 5% de variação entre medições de peso bruto, para efeito de fiscalização. “Muita gente entendeu que isso concederia um tipo de margem para manobra, e passou a comprar tanques para transportar 5% de carga a mais”, comentou. Porém, uma revisão normativa acabou com esses 5%, e esses tanques passaram a viajar com espaços vazios, gerando grande instabilidade, com risco de tombamento dos veículos. Os quebra-ondas internos amenizam o problema apenas no sentido longitudinal.

    O debate amplo também poderá balizar algumas tendências atualmente em voga no setor. Uma delas diz respeito à participação dos motoristas nas operações de carga e descarga dos caminhões. “Os transportadores têm assumido responsabilidades crescentes para agregar valor ao serviço contratado, mas isso se refl ete em desemprego na área industrial”, criticou Gomes. Operações corriqueiras como engatar e desengatar mangueiras nas válvulas das carretas exigem treinamento adequado e equipamentos de segurança adicionais que não estão disponíveis nos veículos de transporte. A ABTLP propõe que os motoristas não realizem essas operações, a menos que elas constem de um contrato complementar, prevendo remuneração compatível e treinamento específi co. O dirigente também espera que, no caso de um acidente durante essas operações, a responsabilidade trabalhista seja assumida pelo embarcador ou pelo destinatário em cujas instalações venha a ocorrer. Ele justifi ca a preocupação pelo fato de não existir uma norma ofi cial sobre carga e descarga. “Cada empresa faz de um jeito, isso é ruim.”

    O presidente da ABTLP considera válida a iniciativa de alguns transportadores para oferecer serviços complementares, chegando a assumir integralmente as necessidades logísticas de seus clientes. “A logística começa na coleta dos insumos, passa pela distribuição dos produtos e vai até a recepção das reclamações dos usuários fi nais, incluindo o retorno dos itens não-conformes”, explicou, citando como exemplo alguns operadores logísticos nos Estados Unidos. “Porém, os transportadores não podem ser massacrados, obrigados a arcar com custos sem a devida contrapartida da remuneração.” Ele considera que os fretes pagos atualmente não são justos, uma vez que os custos operacionais foram majorados.

    Exigência de qualidade – O setor químico nacional alcançou notável êxito na


    Página 1 de 712345...Última »

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next