Laboratório e Análises

24 de outubro de 2003

Laboratório: Empresas investem na nacionalização da vidraria

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Publicado por: Hamilton Almeida
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    Produção local de peças e aparelhos de vidro para laboratórios cresce e desafia concorrentes chineses e o uso de materiais plásticos

    Química e Derivados: Laboratório: Pinheiro - custos reduzidos sem afetar a qualidade.

    Pinheiro – custos reduzidos sem afetar a qualidade.

    O setor de vidraria para laboratório está em ebulição. Embora o mercado experimente, há anos, um certo declínio, e se considere esgotada a evolução do produto em termos de qualidade, empresas como Astra, Corning e Laborglas estão sacudindo suas próprias estruturas para apresentar novidades aos clientes. Novidades, aliás, que podem representar mudanças significativas nos fluxos de capitais desse segmento que chega a movimentar ao redor de US$ 5 milhões a US$ 7 milhões por ano.

    A Laborglas Ind. e Com. de Materiais para Laboratório Ltda. começou, em 1° de outubro, a fabricar no País uma linha de manufaturados com 70 a 80 itens, sob licença da alemã Schott. Provetas, balões volumétricos, pipetas e balões de fundo chato/redondo com junta que, até então, eram totalmente importados da Alemanha, estão sendo, agora, oferecidos ao mercado com a marca “Schott made in Brazil”, informa o sócio-gerente, Walter Pinheiro Teixeira.

    A Astra Brasil Ind. de Vidros Ltda., a empresa número um do setor, está na etapa final de negociação de uma parceria com uma empresa estrangeira, que resultará na importação de equipamentos com a marca Thermex. O projeto prevê repasse de tecnologia e o objetivo é passar a fabricá-los no Brasil a partir de 2005. O diretor-presidente Carlos Bodra não revela mais dados porque o negócio ainda não foi totalmente fechado. A Corning, por sua vez, poderá transferir do México para o Brasil o seu centro de distribuição de produtos. “Queremos voltar a ficar mais próximos dos usuários”, justifica o gerente de vendas e marketing para a América do Sul, Jerônimo Figueiredo.

    A nova linha de produtos em borossilicato da Laborglas pode ser adquirida com preços de 20% a 30% mais baratos que os importados, afirma Teixeira. Com matéria-prima importada da Alemanha, o executivo garante estar em condições de fabricar produtos idênticos em qualidade aos tradicionais da marca Schott. A empresa já solicitou certificado de adequação às normas da Rede Brasileira de Calibração (RBC), previsto para o início de 2004. Depois, será a vez de caminhar rumo à ISO 9001.

    Química e Derivados: Laboratório: Itens fabricados no Brasil sob licença da Schott.

    Itens fabricados no Brasil sob licença da Schott.

    “Também importamos a tecnologia de produção”, acrescenta. Se ainda assim alguns clientes preferirem comprar pipetas originais, não há problema: os dois produtos específicos com a marca Schott, o nacional e o importado, são oferecidos pela empresa. Um dos maiores fabricantes nacionais de vidraria para laboratório, a Laborglas tem-se caracterizado por ser um distribuidor exclusivo no Brasil, há 10 anos, de produtos da Schott. Em sua unidade fabril, no bairro do Belenzinho, em São Paulo, também se faz a elaboração final de uma série de produtos importados semi-acabados. Fundada em 1974 e hoje com 55 funcionários, a empresa tem 100% de capital nacional.

    Teixeira estima ter investido por volta de R$ 350 mil em máquinas para se adequar à nova posição. Ele calcula também que, em termos de produção, os novos produtos representarão um incremento de 30% na linha de fabricação. O objetivo, evidentemente, é conquistar parcelas de mercado da concorrência, sem deixar de acompanhar a evolução da demanda.

    Em tempos de recessão no mercado brasileiro, o segmento de vidraria para laboratório vem sofrendo um aumento da concorrência, principalmente de produtos importados da China, com preços mais baixos e, geralmente, de qualidade inferior. “O intuito é reforçar a marca Schott no mercado brasileiro”, observa o gerente de vendas da multinacional no Brasil e Argentina, Gilmar de Barros, ao explicar o sentido da parceria.

    Química e Derivados: Laboratório: Figueiredo - mercado analítico pede mais serviços e qualidade.

    Figueiredo – mercado analítico pede mais serviços e qualidade.

    Tanto Teixeira como Barros trabalham com a expectativa de aumento de demanda em 2004. “Com a queda nas taxas de juros, o mercado deve reagir”, comenta o sócio da Laborglas. “A Schott espera alcançar, no próximo ano, 80% do nível de negócios de 2001, ano em que a taxa de câmbio esteve relativamente favorável. O termômetro principal do setor é o campo de reagentes. O mercado de reagentes caiu 40% em 2002 e não se recuperou em 2003”, afirma Barros.

    Figueiredo, gerente da Corning, avalia que o mercado brasileiro de vidraria para laboratório já atingiu o estágio de amadurecimento e não tende a crescer e nem a inovar em termos de qualidade de produto. “Daqui para a frente, crescimento só vegetativo, em função do comportamento da indústria.” Ele acredita que o volume de vidraria encolheu nos últimos anos por uma razão principal: as indústrias passaram a trabalhar mais com instrumentação analítica. Além disso, a maior concorrência e a taxa cambial arrastaram os preços médios dos produtos para baixo.

    Na opinião de Bodra, da Astra, a retração é mundial e se deve, basicamente, pela substituição de vidro por equipamentos de plástico. A tendência, argumenta, é continuar decrescendo, mas vale a máxima: “O mercado de vidro tem 2 mil anos e vai durar 2 mil anos mais.” No caso brasileiro, a redução é maior que no resto do mundo porque a partir dos anos 90 os órgãos públicos restringiram suas compras.

    Foi justamente por causa dos volumes consumidos no mercado brasileiro que a Corning decidiu, em 1993, parar a fabricação em Suzano-SP de vidraria para laboratório. Naquela época, a empresa detinha um market share de 55%. Hoje os produtos que comercializa são provenientes das suas unidades nos Estados Unidos, México, Inglaterra e Alemanha, e a presença local não passa de 30%. A América Latina responde por 5% das vendas globais da empresa. O México sedia o centro de distribuição para toda a região.


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