Química

15 de abril de 2011

IYC 2011 – Ensino de Química – Cientista recomenda aprofundar conceitos

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    nico brasileiro na lista dos cem melhores químicos do mundo elaborada pela Thomson Reuters – a maior agência internacional de notícias e multimídia do mundo – o professor Jairton Dupont, gaúcho de 51 anos, leciona na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Com sobrenome idêntico ao do fundador de uma das maiores corporações químicas do mundo, “por mera coincidência”, avisa, ele ocupa a 83ª colocação nesse ranking, desenvolvendo pesquisas no campo dos líquidos iônicos orgânicos, voltados para utilização petroquímica. Seu currículo na plataforma Lattes do CNPQ inclui, entre outros, o doutorado em Química pela Universidade Louis Pasteur, de Strasbourg (França), e pós-doutoramento no Dyson Perrins Laboratory, na Universidade de Oxford, na Inglaterra.

    Seus trabalhos já receberam mais de 10 mil citações, orientou 16 dissertações de mestrado e 16 teses de doutorado. Entre os vários prêmios, Dupont recebeu o Humboldt Young Research Award, na Alemanha, e, em 2010, foi homenageado pela American Chemical Society, além de contar com distinções nacionais da Capes e do Finep. A paixão pela ciência é dividida com uma atividade igualmente prazerosa: a culinária.

    Sobre a atual metodologia de ensino da Química, Dupont salienta em primeiro lugar o fato de se tratar, em essência, de uma ciência empírica, portanto experimental. Entretanto, como qualquer outra ciência, tem sua linguagem e seus códigos próprios sem os quais não se pode estudar e descrever os fenômenos e os resultados experimentais.

    Além disso, a Química caminha, segundo Jairton Dupont, para a “matematização” de seus modelos, o que permitirá mais facilmente explicar e prever os fenômenos de transformação da matéria. Com isso, o ensino de química passa por duas abordagens complementares. “Em qualquer nível de ensino existe o pecado da especialização muito precoce e não se trabalham mais os conceitos, o que conduz à perda da base metodológica e científica em nome da praticidade e de uma pseudofacilidade didática”, criticou.

    Dupont exemplifica: tem se diminuído perigosamente as disciplinas de Matemática e Física em nome do ensino de uma nova técnica analítica, em geral rapidamente substituída por outra, mas o fenômeno subjacente é o mesmo, que não mais se trabalha, porém. “Somente a Física e a Matemática dão as formações lógicas e metodológicas necessárias para se fazer ciência; precisamos nos concentrar no ensino da linguagem, dos códigos e dos conceitos, principalmente de físico-química e de estrutura da matéria, e menos nas suas aplicações analíticas momentâneas”, defendeu.

    Segundo o professor da UFRGS, um químico bem formado, com sólida base físico-química, pode atuar facilmente e com tempo de adaptação muito curto em todas as profissões que envolvem o estudo e a transformação da matéria. Porém, qualquer outro profissional especializado prematuramente dificilmente poderá fazê-lo. Os cursos universitários que têm foco na transformação da matéria (nas áreas ambiental, de materiais, plásticos etc.), mas que não têm como objeto central a Química, resultam em desperdício de talentos, tempo e dinheiro.

    Questionado se o ensino da química no nível médio é abordado de uma maneira “chata”, começando pela teoria dos orbitais, Dupont considera que o problema não está na chatice nem nos orbitais, mas na tentativa de ensinar ciência sem metodologia científica e sem nenhuma base lógica. “Parece que estão mais preocupados com o que aparentemente é mais interessante, com a manifestação imediata de um evento do que com o fenômeno em si”, comentou.

    Em outras palavras não se pode ensinar ciência sem conhecer sua linguagem e seus códigos, acrescentou o pesquisador. Para Dupont, é necessário se voltar à metodologia científica e dar muito menos importância à pedagogia. Os jovens, empiricamente, sabem como se movimentar no mundo tecnológico da informática muito mais facilmente do que as gerações anteriores, pois desde cedo aprendem a linguagem e seus códigos. “Ao contrário, se eles não são introduzidos na linguagem e nos códigos da Química, da Física e da Matemática, certamente vão querer distância destas matérias”, explicou.

    Sobre a dificuldade de adaptação dos químicos recém-formados aos processos industriais, Dupont a considera normal em qualquer atividade humana e principalmente no âmbito da Universidade, que deve formar pessoas para atuar numa sociedade em constante transformação e não para um caso específico. Essa adaptação, é claro, também depende de cada empresa. A maioria das grandes corporações mantém programas para a integração dos novos colaboradores, pois cada uma delas foi erguida em torno de uma tradição específica, ferramentas, procedimentos, cultura e formas de trabalho.

    Dupont acrescenta que é um erro, uma ingenuidade, achar que a universidade vai formar o profissional pronto para qualquer atividade. “Imaginem que a Química teria de formar alguém para trabalhar numa planta de transformação de petróleo e ao mesmo tempo numa linha de produção de fármacos ou de materiais eletrônicos, mecânicos ou cerâmicos”, disse. No entanto, ela pode formar alguém que saiba resolver problemas e que domine as ferramentas científicas para tanto.

    O premiado pesquisador brasileiro considera a relação entre universidade e empresas como fundamental para o avanço da sociedade. Para ele, esses dois mundos aparentemente distantes são inseparáveis e só avançam se trabalharem juntos. “A universidade moderna tem a obrigação de formar pessoal altamente qualificado e, ao mesmo tempo, gerar ciência para que a tecnologia e a inovação possam acontecer”, afirmou.


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      Um Comentário


      1. Concordo com o químico Dupont, com extrema certeza, em relação aos alunos que estão cada vez menos interessados pela as matérias exatas, química, matemática e física realmente é isso que acontece. Gostei muito quando ele comentou que o aluno foge da química se desconhece sua linguagem, tenho o mesmo pensamento á respeito de aprofundar conceitos.



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