Papel e Celulose

14 de julho de 2011

IYC 2011 – Celulose e Papel – Química contribuiu com os avanços do setor

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Revista Química e Derivados, IYC 2011, Celulose e Papel, Abertura

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    uem viveu na capital paulista durante os anos sessenta deve se lembrar do forte mau cheiro que dominava a via marginal do Rio Tietê, na altura da Freguesia do Ó. Uma indústria de papel instalada por ali causava todo o incômodo, solucionado com a sua transferência para outro município. Essa situação se repetia em várias outras cidades, como Piracicaba e Mogi Guaçu, ambas paulistas, e colocava o setor de celulose e papel entre os grandes vilões ambientais do país.

    Revista Química e Derivados, IYC 2011, International Year of the Chemistry, Celulose e PapelA imagem atual dessa indústria é diametralmente oposta à daquela época. E a aplicação da ciência e tecnologia química contribuiu muito para essa transformação. A celulose, um polímero encontrado nas paredes das células vegetais, não aparece sozinha, mas acompanhada de hemicelulose e lignina. Esta, um composto fenólico, confere alta resistência à célula e protege a celulose. Porém, graças à sua composição, é indesejável para a produção de papel. A digestão ácida da lignina libera a celulose para o processo industrial do setor, mas gera um resíduo líquido escuro, chamado licor negro. No passado, esse licor era despejado nos rios adjacentes, causando graves problemas. Com a devida caracterização, percebeu-se que esse material tem alto conteúdo energético, com possível uso como combustível para as grandes caldeiras das companhias de celulose e papel. Dessa forma, o setor se livrou de uma fonte de poluição e conseguiu reduzir custos, ao mesmo tempo.

    Mas não foi só no campo ambiental que a química apoiou o desenvolvimento da indústria de celulose e papel. Todo o processo produtivo é pautado por reações químicas variadas, com maior ou menor grau de complexidade. “A química é fundamental no setor, mas os processos de produção de celulose são radicalmente diferentes dos de papel”, comentou Lairton Leonardi, presidente da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel e diretor da Minerals Technologies do Brasil.

    Ele explicou que a produção da celulose é essencialmente química, desde a digestão ácida, neutralização e recuperação da soda cáustica (licor branco), passando pelo branqueamento. A produção de papel obtido da celulose seria uma atividade mais mecânica, realizada em grandes máquinas integradas, nas quais a química permeia várias etapas, como a formação da folha, drenagem interna e outras, todas dependentes de insumos químicos.

    Ao delinear a evolução tecnológica do setor, desde os anos 60 até hoje, Leonardi aponta dois grandes eixos de transformação sincrônicos, o ambiental e a mudança do produto. “Na área ambiental, os avanços não se limitaram à queima do licor negro, que hoje responde por 65% da geração de energia nas indústrias do setor”, comentou. Com o paulatino avanço dos controles de produção, as fábricas conseguiram reduzir a emissão de gases, acabando com o mau cheiro, passaram a otimizar o consumo de água nos processos e aprimoraram a eficiência energética e, com isso, cortaram a emissão de gás carbônico e os custos. “O consumo de energia por tonelada de celulose produzida na década de 70 era muito maior do que hoje”, comparou o presidente da ABTCP.

    O consumo de água também é uma preocupação permanente no setor. Dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) calculam o consumo de 30 mil litros de água para se produzir uma tonelada de celulose, e de 25 mil litros de água por tonelada de papel. A entidade setorial estima em 40,2% o índice médio de reciclagem e reúso de água nos processos das suas associadas, com base nos dados de 2009.

    Falta dizer que, no Brasil, a produção de celulose se apoia em florestas plantadas que seguem o mais avançado sistema de manejo. Com isso, algumas empresas conseguem absorver entre três e quatro toneladas de gás carbônico para cada tonelada emitida nos seus processos.


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