Química

14 de julho de 2011

Investimentos – Empresa terceiriza gestão de projetos

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    sucesso da economia brasileira, que cresce quase em ritmo chinês, além da euforia imediata com o clima de bons negócios, também traz alguns sérios motivos para preocupação entre o meio industrial. Com a necessidade premente de expansão das capacidades fabris, momento em que as ampliações e a construção de novas unidades se tornam corriqueiras, a falta de profissionalização na gestão operacional desses novos investimentos corre o risco de se revelar um grande complicador para as empresas. É essa, ao menos, a constatação de gente bastante envolvida na liderança e na auditoria de grandes projetos industriais brasileiros.

    “De modo geral, a indústria brasileira não tem método para gerir seus investimentos. Faz de modo instintivo, alocando profissionais próprios ligados à produção, sem experiência em gestão de projetos”, afirmou Antonio Carlos Milan Robazzi, sócio-diretor da ARC Controle de Investimentos, empresa especializada em estruturar, gerir e auditar projetos para várias indústrias de grande porte do país, como ThyssenKrupp, Natura, Votorantim, GE e Sadia. “É comum a empresa encarar um projeto de investimento como trata seus projetos internos, o que é completamente diferente”, complementou.

    Essa falta de método, segundo Robazzi, compromete o andamento do projeto, em termos de tempo e de qualidade, e deixa a empresa vulnerável ao descontrole de gastos, muitas vezes resultado de uma política escusa e proposital dos contratados. “Quanto mais confusa for uma obra, melhor para quem quer superfaturar”, alertou o diretor da ARC. E atitudes nefastas assim, continua, tendem a ser mais comuns em épocas de aperto nos custos, determinadas principalmente pelo rigor inicial dos projetos, quando os departamentos de compras das empresas procuram restringir ao máximo os dispêndios para a execução da obra. “O orçamento muito restrito pode incentivar aditivos desnecessários.”

    Revista Química e Derivados, Antonio Carlos Milan Robazzi, sócio-diretor da ARC Controle de Investimentos

    Robazzi: indústria brasileira não tem método para gerir investimentos

    Para fugir à regra, os clientes que procuram a ARC, normalmente subsidiárias que seguem prática comum de suas matrizes estrangeiras, deixam a equipe da empresa encarregada de organizar e controlar toda a obra, tornando-se sua interlocutora nas negociações entre as construtoras e os projetistas. Na maioria das vezes, o serviço começa com a estruturação do projeto e segue com a gestão da obra, que inclui toda a parte civil e de utilidades da unidade. O limite da atuação da ARC é o processo do cliente, maquinários e sistemas empregados para a produção. “Podemos até auxiliar no que for preciso, mas esta é uma responsabilidade natural do especialista”, disse Robazzi.

    A estruturação do projeto é o coração desse ainda novo tipo de prestação de serviço para o Brasil. “Em primeiro lugar, a gente senta com o cliente para saber o que eles querem fazer”, explicou Robazzi. A partir daí, a equipe da ARC segue uma linha padrão de trabalho, que inclui a elaboração do budget, a estratégia da construção, o planejamento (cronograma da obra) e o design basis (a base do projeto), definindo os projetos arquitetônicos, hidráulicos (os sistemas de água fria e quente) e elétricos da unidade.

    A etapa de estratégia da construção é considerada de suma importância e um dos grandes diferenciais de se deixar a gestão do projeto na mão de especialistas. É nela que serão definidas as empresas contratadas para o projeto, incluindo a elaboração de concorrências e tomadas de preço. Para Robazzi, nessa fase se evita grandes erros futuros de vários projetos tocados no Brasil. Segundo ele, isso precisa ser estudado, porque cada caso demanda um desenho específico para a construção. “Algumas vezes pode ser melhor contratar apenas um projetista ou uma construtora e, em outros casos, vários deles”, revelou.

    Para fundamentar seu ponto de vista, Robazzi lembrou do caso de uma empresa que delegou um investimento de R$ 200 milhões para uma grande construtora. Depois de iniciada a obra, a empreiteira exigiu um adiantamento de R$ 100 milhões para continuar o serviço. “Mesmo discordando, o único jeito para eles foi pagar. Caso contrário, ficariam com uma obra inacabada na mão”, disse. O problema aí poderia ter sido evitado, caso a empresa não tivesse ficado dependente de apenas um contratado, que ainda tinha o agravante de ser de grande porte, com poder de barganha.

    A terceirização da gestão de investimentos no Brasil, apesar de já render bons contratos para a ARC (por exemplo, a empresa está gerenciando o investimento de um novo e moderno centro de distribuição da Natura em São Paulo), padece ainda um pouco em virtude de alguns vícios culturais brasileiros. Um deles é a dificuldade que os executivos e empresários nacionais têm de delegar operações. E isso mesmo quando chegam a terceirizar, o que cria problemas na relação com os contratantes. Outra dificuldade é a mania que boa parte dos profissionais técnicos brasileiros, em específico os engenheiros, tem de acreditar que há solução para tudo, o que quase sempre não é verdade. “E ainda quando eles são encarregados pelo chefe para tocar um projeto, levados pela vaidade o risco se amplia”, disse. Por não terem sido treinados, nem na faculdade e nem no cotidiano fabril, para gerenciar um projeto de uma fábrica, o que envolve experiência na complexa gestão de um novo empreendimento, o mais correto é ter a humildade de passar o encargo a especialistas.



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