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25 de abril de 2003

Investimentos: Argentinos querem fazer soda e cloro no RS

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    governador Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul, desembarcou em Porto Alegre em 28 de fevereiro, proveniente de Buenos Aires, com a expectativa de angariar US$ 525 milhões em investimentos para seu Estado nos próximos quatro anos. Desses, US$ 15 milhões dizem respeito à instalação da primeira fábrica de cloro e soda da região Sul do País, um projeto do Grupo Bermudez, um dos maiores conglomerados do Mercosul, com plantas industriais nos segmentos petroquímico, siderúrgico, químico e petrolífero. A opção pelo Estado se deve “à proximidade e compatibilidade entre o povo argentino e do Rio Grande do Sul, o que facilita o entendimento”, como enfatizou o diretor-presidente da companhia, Sérgio Tasselli em encontro reservado com Rigotto, dois dias antes, na sede da embaixada do Brasil.

    Para concretizar o projeto, a Petroquímica Bermudez contratou os serviços da empresa The State Capital, especializada em compra, venda e fusões de firmas dos mais diversos segmentos da economia, com atuação nos Estados Unidos, Inglaterra e Itália. No Brasil, mantém escritórios em Porto Alegre e São Paulo. O diretor da State Capital, em Porto Alegre, Luca, Longobardi, disse que a decisão está tomada. Falta agora, encontrar uma planta industrial, que submetida a algumas adaptações, possa realizar as reações de eletrólise da salmoura, que originam o cloro e a soda cáustica. Segundo o executivo, a região metropolitana de Porto Alegre, mais precisamente as cercanias do pólo petroquímico de Triunfo, formam a área em prospecção.

    Longobardi revelou ainda que, já em 2003, a Petroquímica Bermudez pretende trazer cloro e soda de sua unidade na Argentina de tal forma que possa abrir espaço no mercado do Sul do País, cuja planta mais próxima fica em Cubatão, São Paulo. A perspectiva é que a fábrica entre em operação até o final de 2004.

    No Brasil, o cloro foi industrializado a partir de 1933. A produção brasileira representa 60% do mercado latino-americano. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis e Cloro Derivados (Abiclor), a produção nacional de cloro-soda é da ordem de 1,483 milhão de toneladas/ano, das quais 56 mil e 200 toneladas com a tecnologia de membrana. Cerca de 70% da produção total (ou 1,049 milhão de toneladas) depende de diafragma de amianto e 25% ou 377 mil toneladas de células de mercúrio.

    O consumo médio brasileiro de mercúrio por tonelada de cloro-soda produzida é de 15g, sendo que a Carbocloro, segundo Salgosa, consome 5 g/ton. Descoberto há mais de 150 anos, o cloro é um elemento essencial para a vida moderna. Está presente direta ou indiretamente de cerca de 80% de todos os produtos industriais, tais como medicamentos e equipamentos cirúrgicos, eletrônicos, água sanitária, agricultura, autopeças, combustível, siderurgia, construção civil, e informática. Para se ter uma idéia do problema com o abastecimento de cloro no Rio Grande do Sul, a Riocell, um dos ativos mais importantes do Grupo Klabin, decidiu implantar uma unidade de eletrólise junto à sua planta de celulose, para não depender mais de terceiros. A fábrica opera há mais de dois anos.

    Avião a álcool – Outro investimento argentino que deverá incrementar indiretamente a indústria química, em especial o segmento agroquímico, é a abertura de uma fábrica de aviões agrícolas, na cidade de Guaíba, região metropolitana de Porto Alegre. Conforme o governador Germando Rigotto, um estudo encomendado pelo grupo argentino Latinoamericana Aviación, mostra que existem cerca de mil aparelhos desse tipo do lado de cá do Rio da Prata, com mercado potencial de 10 mil. Diante disso, o grupo planeja aplicar US$ 10 milhões em uma unidade industrial.

    A intenção da Latinoamericana Aviación é começar a cobrir a demanda, fabricando, já em 2003, uma média de dois aparelhos por mês, até chegar a um pico de 20 aviões a cada 30 dias nos próximos anos. Além de fabricar aviões, a empresa argentina irá construir componentes do setor aeronáutico numa joint venture com a Aeromot, empresa gaúcha que produz peças e acessórios para aeronaves, além do Ximango, um motoplanador muito utilizado em treinamentos e operações de patrulha e resgate. “Esta é uma área que agrega o maior valor ao produto final, com retorno rápido do investimento feito”, enfatizou o governador. Citou o volume da safra agrícola brasileira, cuja previsão é de 112 milhões de toneladas de grãos para 2003, geradora de excelente mercado para a aviação agrícola.

    Além disso, o grupo argentino quer introduzir no Brasil uma novidade tecnológica. Trata-se de uma versão do avião agrícola com motor a álcool. O protótipo já está em testes na Argentina, aguardando as homologações dos departamentos de aeronáutica, tanto do Brasil, como do país vizinho. Até 2005, deverá estar sendo fabricado também na planta de Guaíba.

    Integração – A partir de março, adiantou Rigotto, deverá começar o processo de integração dos setores produtivos do Mercosul. O moveleiro será o primeiro e, na expectativa do governador, as áreas calçadista, têxtil e automotiva também passarão a trabalhar integradamente no futuro. Essa ação conjunta tem por finalidade a conquista dos mercados mundiais. “Poderão surgir até joint ventures, mas o mais importante é acessar mercados, como por exemplo, os da China, África, Ásia, Europa, México e Canadá, entre outros”. Rigotto destacou ainda a importância dos protocolos de intenções firmados com os grupos Techint, cujos investimentos correspondem a US$ 500 milhões, dos quais US$ 300 milhões no gasoduto Uruguaiana/Porto Alegre e US$ 200 milhões no setor siderúrgico (usina de aços planos).


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