Produtos Químicos e Especialidades

19 de novembro de 2009

Inovação – Glicerina dá origem a solvente

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Rhodia do Brasil criou, desenvolveu e iniciou a produção de um solvente oxigenado que tem por base a glicerina residual da fabricação de biodiesel, obtendo um produto de alto desempenho e benéfico ao meio ambiente. Trata-se de um cetal cíclico, o SL 191 da linha Augeo, que dá início a uma nova família de produtos da Rhodia, com potencial até mesmo para exportação do solvente e da sua tecnologia.

    Recém-nomeado vice-presidente da divisão de intermediários e solventes para a América Latina da Rhodia, Vincent Kamel explicou que a companhia no Brasil opera duas matrizes de produtos. A primeira tem sua base na produção de fenol e acetona, dando origem às poliamidas e a vários solventes sintéticos. A segunda matriz parte do etanol, produto de origem natural e abundante no país, para oferecer solventes como o acetato de etila e a diacetona álcool, nos quais a companhia possui posição de destaque. “O uso da glicerina de biodiesel abre caminho para uma terceira matriz, com grandes e novas possibilidades de negócios”, comentou.

    Química e Derivados, Alexandre Castanho, diretor da área de negócios de solventes da Rhodia América Latina, Glicerina, Solventes

    Alexandre Castanho: SL 191 disputará mercado nacional com os éteres glicólicos

    Fruto de um processo de desenvolvimento de três anos, o primeiro item da linha Augeo terá como destino o setor de tintas, de início para couros e para madeira. “O mercado que pretendemos disputar é o dos éteres glicólicos, como o acetato de etilglicol e o butilglicol, produtos que encontram restrições em países desenvolvidos”, comentou Alexandre Castanho, diretor da área de negócios de solventes da Rhodia América Latina. O produto é inodoro, atóxico e tem baixa taxa de evaporação.

    Ele explicou que o SL 191 tem maior poder de solvência que esses concorrentes, reduzindo o volume total aplicado nas formulações. Considerando a pior hipótese de substituição, o potencial de vendas do SL 191 no Brasil seria de 30 mil t/ano no Brasil. “Esse é o nosso alvo de longo prazo”, disse Castanho. No futuro, a tecnologia criada no país poderá ser transferida para outras unidades da Rhodia na Europa e na Ásia, onde também é grande a produção de biodiesel, com os respectivos excedentes de glicerina.

    Inicialmente, a Rhodia selecionou clientes com perfil compatível de capacidade de inovação e sustentabilidade para as primeiras operações comerciais. “Não se trata de um produto de prateleira, ele requer ajustes de formulação pelo seu desempenho superior”, explicou Clóvis Souza Jr., gerente de marketing de intermediários e solventes para a região. Existe um plano para a construção de uma unidade industrial dedicada para a linha Augeo, ainda dependente da aprovação de alta direção.

    Origem natural – A glicerina é obtida pela cisão de triglicerídeos, particularmente por esterificação, gerando o biodiesel como produto principal. Como o Brasil mantém um ambicioso programa de produção de biodiesel, com a expectativa de promover a mistura de 20% do éster no diesel automotivo nacional (mistura B20) até 2015, há uma sobra de glicerina, com preços baixos. Como há vários projetos para aproveitar esse material (vide QD-487, de julho), a Rhodia já assinou contratos para assegurar o suprimento.

    A molécula do SL 191 é obtida pela reação entre a acetona e a glicerina, na presença de um catalisador, formando um cetal cíclico, sem produzir coprodutos, nem resíduos. “Como 75% da molécula é proveniente da glicerina, podemos destacar sua origem natural de fonte renovável, sendo uma evolução no campo dos solventes”, disse Souza Jr.

    Esse aspecto também foi enfatizado por Castanho. “Não adianta oferecer um produto ‘verde’ se ele consome mais energia para ser produzido”, criticou. Daí a preferência da Rhodia pelo conceito de sustentabilidade, que engloba todas as características e ciclo de vida dos produtos.

    O presidente da Rhodia na América Latina, Marcos De Marchi, alinhou o lançamento com as comemorações dos 90 anos de presença industrial da companhia no Brasil, história ligada à inovação. “Há três anos, quando a Rhodia mundial estava em uma fase de redefinição estratégica, foi decidido ressaltar o foco na química, apesar da opinião pública desfavorável, colocando- a no novo logotipo da companhia”, comentou.

    Química e Derivados, Marcos De Marchi, Presidente da Rhodia na América Latina, Glicerina, Solventes

    Marcos De Marchi: Rhodia enfatiza a sustentabilidade

    Além da inovação, a sustentabilidade é um do saspectos mais importantes nas suas operações. “Temos o programa Rhodia Way para mensurar o cumprimento das metas preestabelecidas e promover a atuação conjunta da companhia com as comunidades vizinhas e, no futuro, envolverá também os clientes”, afirmou De Marchi.

    O nome Augeo foi escolhido para ressaltar a origem natural dos produtos que integrarão a linha. “Au é o símbolo químico do ouro, e geo quer dizer terra, tomada em sentido amplo, de planeta”, explicou Castanho. Ele informou que o próximo produto dessa família será destinado para cuidados pessoais e domésticos, sem acetona, portanto.



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