Química

15 de maio de 2012

Inovação – Crédito aumenta, mas pequenos têm dificuldades de acesso

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Publicado por: Maria Rita Barbi
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    Revista Química e Derivados, Inovação,

    N

    em Copa do Mundo nem Olimpíada. O assunto do momento no Brasil é inovação. Pelo menos é o que diz o Google. Em uma rápida consulta no portal de buscas, “inovação” apresentou 24,7 milhões de resultados, o dobro de “Copa de 2014” e três vezes mais que os “Jogos Olímpicos de 2016”.

    Longe de banalizar o termo, a inovação está sendo tratada como compromisso pelo governo com seriedade tal que até fez mudar o nome de um ministério. Em outubro de 2011, a pasta passou a se chamar Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

    Investir é preciso – Os valores liberados para o desenvolvimento de inovação vêm aumentando nos últimos anos no país. E parte deles pode parar no bolso da sua empresa. Para 2012, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve destinar mais de R$ 4,5 bilhões para as linhas de financiamento à inovação – um terço acima do orçado para 2011. Além disso, o banco repassará R$ 6 bilhões em recursos à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep, vinculada ao MCTI) para a contratação de projetos inovadores reembolsáveis, via linhas de crédito – o dobro do valor repassado no ano anterior.

    O orçamento da Finep também contará com R$ 933 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), R$ 220 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e R$ 200 milhões do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico das Telecomunicações (Funttel). A soma de todas essas cifras gerou um aporte de caixa recorde para a financiadora. “Hoje vivemos o momento de maior disponibilidade de recursos da vida da Finep. Desde 2004, os valores têm crescido em uma curva exponencial”, afirma Eliane Bahruth, assessora da presidência da agência.

    Este ano, o país comprometerá 0,5% do PIB em recursos públicos para inovação, ou seja, mais de R$ 20 bilhões. Apesar de conter muitos zeros e ser equivalente ao PIB de países como Islândia e Ruanda, esse valor está muito aquém das necessidades do Brasil, mesmo quando somado aos R$ 25 bilhões anuais desembolsados pelas empresas privadas em projetos inovadores.

    Segundo cálculos da Finep, caso o país queira se tornar uma potência tecnológica, terá que investir de 2% a 2,5% do PIB em inovação tecnológica por ano, sendo pelo menos 1% do PIB (R$ 40 bilhões) desembolsado pelo setor público. Esses são os percentuais de investimento usados como referência nos países desenvolvidos, os mesmos já alcançados por alguns emergentes, como Índia e China.

    Pedra no sapato – A China, aliás, tem sido um dos principais algozes da indústria química brasileira. De lá vem grande parte dos insumos que contribuem para o desequilíbrio da balança comercial de produtos químicos. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Químicas (Abiquim), nos últimos doze meses, o déficit chegou a US$ 26 bilhões.

    Nesse cenário, o gigante asiático aproveita as deficiências do chamado custo Brasil. “Todas as empresas sofrem com a taxa cambial, há uma grande dificuldade de competir. Com isso, os investimentos de longo prazo mínguam, porque as empresas se preocupam em sobreviver no curto prazo,” ressalta Paulo Coutinho, coordenador da comissão de tecnologia da Abiquim.

    De fato, a indústria química tem desacelerado investimentos que não geram retorno imediato. Em 2007, o setor investiu 0,78% do seu faturamento líquido em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Em 2008, o percentual caiu para 0,77%. Em 2009, para 0,70%. E, em 2010, o setor puxou o freio de mão, investindo apenas 0,58% do faturamento líquido.

    Em resumo: a indústria química brasileira está entre a cruz e a espada. Por um lado, a crise do setor pressiona o equilíbrio econômico-financeiro das empresas, que priorizam a sobrevivência no curto prazo. Por outro, não podem parar de inovar e de pensar no longo prazo, sob o risco de perder ainda mais competitividade. Sair desse dilema é uma tarefa difícil, mas muitos têm conseguido.

    “Hoje, toda empresa de grande porte do setor químico está inovando”, pontua Paulo Coutinho. E ele vai além: “Mais de 50% das indústrias químicas no Brasil implantaram ou estão em processo de implantar algum tipo de inovação, seja ela

    Revista Química e Derivados, Paulo Coutinho, Abiquim, Rafael Navarro, Braskem, químicas inovando

    Coutinho (esq.) e Navarro: químicas de grande porte estão inovando

    incremental, de produto, ou de processo.” Em geral, a indústria química utiliza recursos próprios para inovar. Mas, segundo Coutinho, “as grandes empresas do setor têm acesso e nunca deixam de utilizar os recursos públicos disponíveis”.

    Quem inova mais – A Dow Química, a DuPont e a Basf têm algo em comum. Todas possuem centros de pesquisa instalados no país e têm investido em PD&I. “É interessante estar no Brasil nesse momento. A variedade de fontes de matéria-prima que ainda não foi explorada pela indústria química é muito grande e o país oferece esse desafio”, ressalta Mariana Doria, assessora de assuntos regulatórios da Abiquim.

    Foi exatamente o que fez a Braskem. Em 2010, inaugurou uma fábrica moderna de polietileno obtido do etanol da cana-de-açúcar. Em 2007, iniciou as pesquisas para desenvolvimento do polipropileno feito do etanol da cana, de forma sigilosa – e gerou resultados promissores. O produto inovador, que não deverá encontrar concorrência no mercado, terá fábrica construída em 2013, em local ainda desconhecido. Para tanto, a Braskem investe 0,5% de sua receita líquida em inovação, ou seja, R$ 155 milhões, em 2011.


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