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9 de outubro de 2015

Indústria química: Petróleo barato redesenha setor

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    A redução dos preços do petróleo e gás natural, em grande parte justificada pelo desenvolvimento de fontes não-convencionais nos Estados Unidos, provocam impactos em toda a cadeia química e petroquímica mundial. Com isso, está sendo redesenhado o mapa-múndi do setor, com deslocamento na direção das matérias-primas mais baratas.

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    O panorama, porém, é complexo, como adverte Duane Dickson, líder global para a área de indústria química na Deloitte Consulting, braço da Deloitte Touche Tohmatsu (empresa mundial com destacada atuação em auditoria financeira, mas também com forte presença em consultoria empresarial). “A realidade atual privilegia investimentos em shale gas e shale oil nos Estados Unidos, mas verificamos que alguns países do Oriente Médio preferem manter baixo o preço do petróleo, garantindo a oferta”, comentou. Esses países têm interesses geopolíticos para os quais o petróleo barato é conveniente, mas, como ressalta Dickson, eles também estão desenvolvendo seus próprios projetos no setor químico que precisam contar com matéria-prima de baixo custo para ter viabilidade econômica.

    “Com o baixo preço do petróleo e derivados, a nafta entre eles, a indústria química europeia recuperou a rentabilidade, pelo menos o suficiente para manter suas capacidades produtivas em operação”, apontou o consultor. Há alguns anos, com a chegada do shale gas, houve um desacoplamento dos preços da nafta e gás natural, este se distanciando muito daquele. Dickson afirma que, recentemente, os preços das duas principais matérias-primas petroquímicas voltaram a apresentar tendências convergentes, mas o gás seguirá sendo mais barato durante um longo tempo.

    “Investimentos em novas capacidades produtivas, porém, só aparecem nos Estados Unidos, onde há pelo menos nove crackers de gás natural sendo construídos”. Ele mesmo é um tanto cético quanto à possibilidade de todos esses nove crackers seguirem adiante. Na sua avaliação, a maior parte dos projetos anunciados será concluída e isso levará os EUA a voltar para a posição de exportadores de petroquímicos. Esse fato coloca muito pressão contra projetos semelhantes em outros lugares do mundo, a exemplo da América Latina.

    “Como a tendência é de EUA, Oriente Médio e China importarem menores quantidades de produtos químicos e petroquímicos, os produtores latino-americanos não terão muito espaço para colocar seus produtos além da sua região”, avaliou. Com uma exceção: “Os países africanos começaram a crescer e podem ser um mercado complementar para os produtores da América do Sul”, apontou.

    Em toda a América Latina, os investimentos petroquímicos sempre tiveram por base os mercados locais, ficando dependentes do avanço do PIB para avançar. Sem o crescimento econômico de cada país, não há como justificar novos projetos no setor. E essa regra continua válida. Por isso, as medidas de proteção de mercado contra importações se tornaram muito populares na região. “Quando as medidas protecionistas ficam grandes demais, elas se voltam contra o próprio país, porque tudo fica muito caro”, comentou. Para Dickson, a taxa de câmbio já constitui uma forma de proteger o mercado local.

    Commodities – O panorama atual do setor petroquímico mundial registra a recuperação da atratividade setorial para novos investimentos. Dickson salienta que até as grandes companhias petroleiras voltaram a colocar suas fichas em projetos petroquímicos.

    Como explicou, existem no mundo 250 companhias produtoras de químicos – fora outras quase 20 que pertencem aos grupos petroleiros – das quais entre 30 e 40 atuam com commodities e são bem sucedidas. “As demais precisam se diferenciar de alguma forma para poder sobreviver”, disse.

    A regra do mercado de commodities consiste em operar com baixo custo, manter um portfólio altamente focado nos mercados e contar com um sistema logístico muito eficiente. “Como decorrência, os produtores precisam ajustar sua produção à demanda, além de manter as plantas em perfeito estado para evitar paradas indesejadas”, disse.

    Dickson aponta que algumas poucas companhias ajustarão o foco nos seus negócios, assumindo uma posição de provedoras de soluções, em vez de ser provedoras de insumos. Essa mudança, no entanto, exige alguns investimentos e impõe riscos. “Quem está bem financeiramente vai ficar ainda mais forte no futuro”, comentou.


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