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29 de novembro de 2016

A importância estratégica dos químicos industriais e ambientais – Parte 1

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Texto: Abraham Zakon, Sergio de Jesus Alevato e Dilson Rosalvo dos Santos

    1 – OS DESAFIOS DA QUÍMICA INDUSTRIAL EM ÁREAS ESTRATÉGICAS

    Química e Derivados publicou na sua edição 409 algumas de nossas propostas para criar vários cursos de Engenharia Química e atender possíveis demandas das indústrias químicas (Zakon, Amorim, Sá, Rocha Neto, Porto, Lima Jr., e Pinheiro, 2002). Em 2004, a Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro implantou os cursos de Engenharia de Alimentos e Engenharia de Bioprocessos. Desde então, p.ex., outros cursos de Engenharia de Bioprocessos foram criados no Brasil: Universidade Federal do Tocantins (2007), Universidade Federal de São João Del Rey (2008), FUCAPI- Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (2011) Universidade Positivo (2012), Universidade de Sorocaba (2013), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2014), Universidade Federal do Pará (2016).

    Paralelamente, a duração do curso de Química Industrial foi ampliada para cinco anos, com um ciclo básico de disciplinas modificado e igual ao da graduação de Engenharia Química, voltado para Modelagem Matemática e Computação e uso de softwares prontos. Além disso, em especial, a graduação de Química Industrial da Escola (Nacional) de Química evoluiu do patamar de “Mineralogia Química” (baseada em análise e identificação de minerais) para “Mineralogia Industrial, Energética e Ambiental” (envolvendo os tratamentos de minérios, líquidos e gases inorgânicos e os combustíveis fósseis orgânicos e a reciclagem de descartes industriais e municipais).

    O número de empresas mineradoras no Brasil, apurado pelo DNPM em 2013 é de 8.870, divididas pelas seguintes regiões: 1.075 no Centro-Oeste, 1.606 no Nordeste, 515 no Norte, 3.609 no Sudeste e 2.606 no Sul. A indústria de mineração é predominantemente formada por micro e pequenas empresas, embora os gigantes do ramo sejam mais evidentes junto à opinião pública brasileira. Os recursos minerais são expressivos e abrangem uma produção de 72 substâncias minerais, das quais 23 são metálicas, 45 não metálicas e 4 energéticas. São 1820 lavras garimpeiras, 830 complexos de água mineral e 13.250 licenciamentos (IBRAM, 2016). Por outro lado, é necessário prestar maior atenção para as 14.966 barragens de mineração: 14.966, das quais 13.366 são de usos múltiplos da água, 663 de rejeitos de mineração, 642 de energia elétrica e 295 de contenção de rejeitos industriais (Braz, 2015).

    A extração, beneficiamento e consumo de minérios gera impactos sobre o ambiente, mas são passíveis de soluções adequadas. Em 2011, o CETEM – Centro de Tecnologia Mineral realizou um evento sobre “Resíduos: Tecnologias e Sustentabilidade”, reunindo e divulgando vários empreendimentos de reciclagem de descartes minerais em municípios brasileiros. Contudo, em 2014 e 2015, dois problemas ambientais brasileiros eclodiram: a escassez de águas em várias metrópoles e o rompimento de uma barragem de mineração com consequências trágicas para bacias hidrográficas e parte do litoral.

    O aproveitamento adequado dos rejeitos de lavra e o beneficiamento mineral podem constituir fontes de recursos para o desenvolvimento da nação brasileira. O investimento na formação e contratação dos Químicos Industriais (e Ambientais) em bases reais (escalas laboratoriais e industriais) possibilita desenvolver oportunidades de negócios para as mineradoras e novas melhorias ambientais e sociais.

    Os problemas tecnológicos e ecológicos das 8870 indústrias mineradoras e 14.966 barragens de mineração no Brasil justificam essa evolução e suas soluções dependem da Química Industrial.

    2 – PARADIGMAS DAS TECNOLOGIAS MINERAIS

    A olho nu é visível a seguinte variedade (ou classificação) de paisagens naturais ou paradigmas minerais e biológicos: 1º – rochas (grandes massas duras, visíveis de longe), 2º – depósitos de partículas (areia, argilas, barro formado por argilas úmidas), 3º – formações hidrográficas (rios, lagos e mares), zonas alagadas (brejos, pântanos, charcos, mangues, banhados). Algumas formações suportam vegetação rasteira e/ou de grande porte, com raízes submersas em solos semi-secos ou inundados. Os fenômenos que governam a vida acima e abaixo da crosta terrestre são de natureza geológica, biológica e industrial estão indicados na Figura 1 e produzem os ciclos hidrogeológicos e assemelhados que interferem no equilíbrio de um ambiente em particular ou do global .

    Química e Derivados, A importância estratégica dos químicos industriais e ambientais - Parte 1

    Os tratamentos de lavra, extração, modificação e conversão fabril envolvendo processos físicos e químicos (bio, hidro, termo e eletroquímicos) para recursos naturais sólidos, líquidos e gasosos são aplicáveis para despoluição e recuperação ambiental. Baseiam-se em Geoquímica e Mineralogia, Metalurgia Extrativa, Cerâmica, Químicas Geral, Inorgânica, Analíticas Clássica e Instrumental, Orgânica, Bioquímica, Microbiologia Industrial e Biologia. Envolvem minerais, águas, flora, pessoas, criação de animais, fauna, ar e combustíveis. Esses tratamentos constituem paradigmas fabris e despoluidores.
    O domínio do fogo possui extraordinária presença industrial e laboratorial em processos de termodecomposição (incineração, pirólise, gasificação), pirometalúrgicos, cerâmicos, vítreos, clinquerização e calcinação industrial e laboratorial, inspirados nos ensaios de identificação rápida em campo e analítica de recursos naturais executados por alquimistas, geólogos e biólogos antigos.


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