Tecnologia Ambiental

14 de junho de 2012

IFAT ENTSORGA 2012 – Europa mais desenvolvida é adepta do waste-to-energy

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Furtado
+(reset)-
Compartilhe esta página

    N

    o setor de gerenciamento de resíduos, ficava bastante clara na Ifat a tendência europeia de revalorização dos rejeitos. Nessa seara, a tecnologia chamada waste-to-energy, que nada mais é do que a incineração de resíduos para geração de energia, era destaque, com um espaço considerável reservado para empresas especializadas em ofertar soluções e para controlar emissões provenientes da tecnologia.

    O destaque na feira para as soluções “incendiárias” tem relação direta, aliás, pelo que ocorre nos países mais desenvolvidos do continente europeu. Não é uma tecnologia promissora, mas uma realidade que se comprova por dados oficiais da Comunidade Europeia, divulgados na feira por Patrick Clerens, secretário geral da associação dos fornecedores europeus de tecnologia de valorização energética de resíduos (Eswet). “Quanto mais desenvolvido o país, mais ele usa a tecnologia, dada a sua eficiência ambiental e econômica para tratar lixo doméstico, comercial e industrial não-reciclável”, explicou Clerens, cuja associação dirigida por ele tem sede em Bruxelas, na Bélgica.

    As estatísticas da Eurostat, escritório oficial da Comunidade Europeia, mostram que a Alemanha, para ficar no país-sede da Ifat, incinera 35% do lixo, recicla e usa compostagem em 64% e manda apenas 1% para aterros. A Dinamarca, país nórdico famoso por sua vocação e pioneirismo ecológico, é a recor-dista: 54% passa pelo tratamento térmico, 43% é reciclado e apenas 3% segue para aterros. E a constatação de Patrick Clerens segue (ver gráfico): quanto mais rico e desenvolvido o país, mais waste-to-energy; quanto menos, mais lixo vai para o aterro, menos se usa incineradores e menos se recicla. Simbólico nessa análise é a Grécia, país que, hoje em forte crise e considerado o “patinho feio” da zona do Euro, não usa incineradores e mantém os aterros como o principal destino dos resíduos.

    química e derivados, ifat, europa, incineração

    Tabela: Na Europa, quanto mais o país incinera, mais recupera materiais (2010) – Clique para ampliar

    Outro ponto muito importante mostrado pelas estatísticas da União Europeia, segundo a análise do secretário geral da Eswet, é a influência positiva que a adoção da tecnologia de valorização energética exerce sobre a política de resíduos dos países. “Instalar essas centrais, e isso está comprovado com os dados da Eurostat, estimula a reciclagem de materiais”, disse Clerens. De fato, as estatísticas mostram que os países com maior porcentual de uso da incineração são os maiores recicladores de materiais. Isso por um fator determinante: nesses países, a tecnologia passa a ser uma alternativa para os casos em que não há possibilidade de reciclagem, estimulando uma política de gerenciamento de resíduos, e também porque no processo há a separação de metais e materiais de construção.

    “A central de incineração, além de no final do processo revalorizar energeticamente os resíduos, transforma-se numa grande área de reciclagem e reaproveitamento”, afirmou. O argumento do executivo, aliás, rebate um lugar-comum de proprietários e defensores de aterros, que divulgam ser contrários à incineração porque ela limita a capacidade de reciclagem de materiais do país, destruindo-os termicamente. A experiência europeia prova o contrário.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next