Tintas e Revestimentos

5 de dezembro de 2004

Ice 2004 – International Coatings Expo

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Publicado por: Maria Silvia Martins de Souza
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    Feira americana de tintas alcança numerosa visitação, com novidades interessantes, mas organizadores decidem realizá-la apenas a cada dois anos

    Química e Derivados: Ice: Mais de 6 mil visitantes marcam presença. ©QD Foto - Maria Sílva Martins de Souza

    Mais de 6 mil visitantes marcam presença.

    Insumos para tintas com baixo teor de compostos orgânicos voláteis, os low VOC famosos, e a nanotecnologia, ou “quinta revolução industrial” para alguns, foram os principais destaques da ICE 2004 (International Coatings Expo), realizada de 27 a 29 de outubro em Chicago, EUA.

    Organizada pela Federation of Societies for Coatings Technology (FSCT), a grande feira, com 326 expositores, ocupou 6,2 mil m² do majestoso McCormik Place North e atraiu cerca de 6,6 mil visitantes, público esse considerado o de maior freqüencia nos três últimos anos.

    A necessidade das empresas norte-americanas de atender a legislação rígida referente aos limites de VOC tem direcionado, nos últimos anos, as pesquisas nas indústrias fornecedoras dos insumos para tintas. Assim, como ocorreu na ICE 2003, vários lançamentos apresentavam solventes e resinas low VOC.

    No caso da nanotecnologia, as pesquisas mais voltadas para a Medicina e a Eletrônica, passando pelos cosméticos e fármacos, chegaram também aos insumos usados em tintas. Um nanômetro (nm) é um bilionésimo do metro, algo que se aproxima das dimensões dos átomos que possuem em média 0,2 nm. O fio de cabelo com diâmetro próximo de 30 mil nanômetros, dá bem uma idéia do tamanho microscópico das partículas em questão.

    Química e Derivados: Ice: ice2. ©QDA tecnologia atômica ou nanotecnologia busca manipular átomos, moléculas e partículas subatômicas com tamanhos de 100 nanômetros ou menos, para a criação de novos produtos, caso do Nanobyk 3600 e Nanobyk 3601 da alemã BYK Chemie. Seja qual for a superfície onde são aplicados, as tintas e vernizes estão sujeitos a danificar-se pela ação do meio ambiente, como chuva, luz solar e umidade, ou sofrer arranhões e lascar. Há um esforço constante entre os produtores de tintas e insumos para identificar formas de prevenir tais danos.

    Química e Derivados: Ice: Lee mostrou ZnO na forma de nanopartículas tratadas. ©QD Foto - Maria Sílva Martins de Souza

    Lee mostrou ZnO na forma de nanopartículas tratadas.

    Melhorias modestas foram conseguidas pelo uso de métodos e materiais tradicionais, mas recentes desenvolvimentos em nanoprodutos estão sendo muito mais bem sucedidos nessas tarefas. Tintas automotivas onde essas nanopartículas foram incorporadas mostraram excelente resistência ao risco, à abrasão, à chuva ácida.

    No caso da BYK, os primeiros aditivos desenvolvidos pela empresa baseados em nanotecnologia são para uso em revestimentos de cura ultravioleta (UV). O Nanobyk 3600 é uma dispersão base água de nanopartículas de alumina, já o 3601 contém diacrilato de tripropilenoglicol como fase líquida para a nanoalumina. São indicados para vernizes usados em móveis e vernizes protetores de revestimentos para pisos de PVC, respectivamente. Usados nas concentrações indicadas, que podem variar desde 1% até 5% em peso da formulação, não afetam brilho, cor e outras propriedades do verniz.

    Em geral, os revestimentos para pisos de PVC recebem um verniz protetor incolor que lhes confere resistência ao risco e à abrasão. Devido à flexibilidade do substrato, o verniz também deve ser flexível. Assim, uma alta densidade de encadeamento (crosslinking) não pode ser usada. Para essa situação, nanopartículas baseadas em óxido de alumínio são ideais. A adição de tensoativos com grupos funcionais hidroxila ou acrílicos, caso do produto BYK-UV3510 melhora a performance dos nanoderivados, pois há aumento da umectação e melhor nivelamento das nanopartículas no verniz.

    A figura 1 mostra a diferença na resistência à abrasão de vernizes para madeira com e sem os nanocompostos, onde a perda de brilho indica ausência dessa resistência.

    A empresa coreana Sunjin Chemical Co. também promoveu sua linha de micro e nanoprodutos, dentre eles o Sunzno 40, com partículas de 40 nm de óxido de zinco (ZnO) tratadas com um alquilsilano. O diretor do escritório americano Tony Lee informou que a empresa, criada em 1978, tem desde 1987 um bem equipado centro de pesquisas, desenvolvendo produtos de alta tecnologia.
    O nano ZnO tem como principal aplicação o uso como protetor solar em cosméticos. Foi exibido pela empresa numa feira de tintas como exemplo de que a Sunjin domina essa tecnologia e está apta a desenvolver novos nanoprodutos para aplicações em tintas e outros segmentos.

    Segundo Lee a empresa exporta para vários países e os fabricantes brasileiros interessados terão de importar, pois a empresa não possui representantes ou distribuidores no Brasil.

    Silício e derivados – Era grande o número de derivados de silício divulgados na feira, incluindo produtos orgânicos e inorgânicos. A Wacker Silicones promoveu a linha de Silres de resinas de silicone. Em seu material promocional a terminologia envolvendo os compostos de silício era recordada, começando por lembrar que em compostos orgânicos o silício é similar ao carbono, isto é, tetravalente.

    Química e Derivados: Ice: ice3. ©QDPara que o usuário entendesse melhor os seus lançamentos, lembrou a empresa que silano é um termo dado a qualquer composto orgânico que contenha átomos de silício, e que silicone refere-se a compostos que têm a fórmula empírica R2SiO, similar à das cetonas, ou seja, R2CO. Silanos que contêm ligações Si-O- são os siloxanos.

    Assim, se houver dois átomos de silício ligados a um oxigênio (Si-O-Si), o composto é chamado de dissiloxano. Quando a molécula possui mais de três dessas unidades, passa a ser chamada de polissiloxano. Dependendo do arranjo molecular podem-se obter tipos diferentes de polímeros de silicone: os fluidos, as borrachas e as resinas de silicone. A figura 2 ilustra as estruturas desses compostos.


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