Tintas e Revestimentos

25 de novembro de 2003

Ice 2003: Tinta “verde” explode na feira da Filadélfia

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    Química e Derivados: Ice: Sobriedade foi a marca dos estandes .

    Sobriedade foi a marca dos estandes .

    O maior evento da indústria de tintas dos Estados Unidos, a International Coatings Expo 2003 (ICE 2003), ou Exposição Internacional de Tintas, realizada entre 12 e 14 de novembro no Centro de Convenções da Pensilvânia, revelou o compromisso dessa indústria, estigmatizada por produtos agressivos ao meio ambiente e aos trabalhadores, com o desenvolvimento de produtos mais aceitáveis sob o ponto de vista ambiental. Resinas à base d’água, produtos com baixíssimo ou nulo teor de solventes, e máquinas estanques, que diminuem ou eliminam o contato dos operadores com produtos perigosos, deram o tom do evento na Filadélfia, cidade que por última vez se dedicou a exposição em fase de transferência para Chicago, em 2004.

    Química e Derivados: Ice: Judith - mais eficiência com menos massa.

    Judith – mais eficiência com menos massa.

    Não obstante o bom número de novidades vistas durante a feira, foi clara a retração em seu porte. Unânime entre os pouco mais de 270 expositores e 6.000 visitantes, prevaleceu a opinião de que o evento encolheu, fato notado em estandes de pequena área, sem a tradicional suntuosidade de eventos do quilate da ICE. Empresas multinacionais, grandes players globais, escolheram apresentar-se em estandes laterais, normalmente reservados às companhias sem grandes somas para investir. A Degussa, por exemplo, montou estande simplório, sem novidades; a Rhom and Haas limitou-se a instalar um painel com a linha do tempo de sua história, marcada pela introdução das emulsões acrílicas nos anos 50. Ciba e Clariant nem ao menos compareceram.

    Esse fenômeno recessivo, aliás, foi marca de algumas grandes feiras internacionais em 2003. Muitos expositores confirmaram que a audiência, enxuta, esteve mais qualificada, e o que se viu foi menos oba-oba, e mais consultas técnicas e propostas consistentes de negócios. A seguir, a reportagem de Química e Derivados lá presente relata alguns dos principais desenvolvimentos lançados na ICE 2003, em meio a temperaturas ao redor de 5°C e ventos cortantes no berço dos Estados Unidos. O leitor conhecerá novos produtos nos segmentos de surfactantes e aditivos antiespumantes, agentes de cura, dispersões, intermediários químicos e resinas diversas de uso nas tintas, além de instrumentos de controle de qualidade.

    Muitos expositores da ICE 2003 apresentaram produtos pela primeira vez ao público durante o evento. No estande da norte-americana 3M, um dos destaques foi a nova geração de fluorsurfactantes Novec, composta por dois produtos poliméricos não-iônicos à base de sulfonato de perfluorbutano (PFBS).

    Conforme explicou a gerente de negócios Judith Dow-Grant, da divisão de materiais de performance, os novos fluorsurfactantes oferecem excelentes condições de fluidez, penetração e recobrimento da superfície do substrato, além de maior brilho e adesão para grande variedade de sistemas orgânicos de revestimentos poliméricos, incluindo sistemas à base d’água, à base de solventes e altos sólidos.

    Química e Derivados: Ice: Cera tem uso no País, mas nos EUA não, afirma Rocha.

    Cera tem uso no País, mas nos EUA não, afirma Rocha.

    Recomendados para o uso em revestimentos industriais permanentes, não-dispersivos, como tintas e adesivos, os novos aditivos são compatíveis com diversas resinas, como poliuretanas, epóxis, poliésteres e acrílicos, além de monômeros reativos, como os isocianatos.

    Surfactantes (do inglês surface active agents) são compostos cuja função primordial é reduzir a tensão superficial de líquidos. O uso deles em tintas reduz a ocorrência de defeitos superficiais comuns durante a etapa de secagem do revestimento, como as “cascas de laranja” (orange peeling), as “crateras” (cratering), a repelência (crawling and deweting) e os “olhos de peixe” (fish eyes).

    “Os fluorsurfactantes da 3M são mais eficientes que os à base de hidrocarbonetos e silicone, em quantidades consideravelmente menores”, disse Judith. Os produtos da linha Novec reduzem a tensão superficial de sistemas aquosos ou orgânicos até cerca de 20 dynas/cm, menos que o possível com hidrocarbonetos (30 dynas/cm) ou surfactantes à base de silicone (25 dynas/cm). E, no caso dos hidrocarbonetos, concentrações com magnitude de uma ordem maior são necessárias para obtenção do mesmo efeito. Outra vantagem é que, diferentemente de surfactantes à base de silicone ou de outros fluorsurfactantes convencionais (caso dos sulfonatos de perfluoroctano), os fluorsurfactantes da 3M não prejudicam a adesão das camadas intermediárias de revestimentos (mesmo em altas concentrações), em razão do menor tamanho da cadeia fluoralquílica empregada, comparado às convencionais. A empresa pesquisou também o uso de cadeias ainda menores, como perfluormetil e perfluoretil (obtidas pelo processo de fluoração eletroquímica), mas sem obter os resultados desejados.

    Outro produto em destaque foram os metal coated glass flakes (flocos vítreos revestidos com metal), lançados por ocasião da feira. O produto tem funções estéticas (confere brilho metálico quando incorporado às tintas), e pode ser utilizado, inclusive, em esmaltes para unhas e outros cosméticos. Mas, de acordo com a gerente de negócios da empresa, a 3M ainda estuda novas aplicações para os recém-lançados glass flakes.

    A divisão de surfactantes da Dow Chemical introduziu um novo produto, o Triton GR-PG70, um dioctil sulfosuccinato aniônico não-inflamável, disponível em ampla faixa de solventes, adequado para tintas à base d’água. O produto melhora a cor, mesmo em sistemas de pigmentos instáveis, favorecendo a umectação dos pigmentos. A empresa também anunciou um novo látex acrílico, o UCAR 9192, para vedantes, além de quatro novos látices para a indústria automotiva.


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