Cosméticos

24 de junho de 2004

HBA: Onda natural serve de argumento para exportações

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Publicado por: Renata Pachione
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    Feira de cosméticos demonstra interesse do setor em desenvolver produtos com ingredientes naturais da Amazônia para ganhar mercado externo

    Química e Derivados: HBA: . ©QDA nona edição da HBA South America – Exposição Internacional de Tecnologias para a Indústria Cosmética reuniu 16.560 pessoas, entre os dias 11 e 13 de maio, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Organizado pela VNU Business Media Brasil, em parceria com a ABC – Associação Brasileira de Cosmetologia, o evento anunciou a tendência de matérias-primas multifuncionais e consolidou a crescente demanda por ingredientes de origem natural, sobretudo os provenientes da Amazônia.

    Química e Derivados: HBA: Argila branca - formada após inundações nos rios da Amazônia. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Argila branca – formada após inundações nos rios da Amazônia.

    A oferta maciça de matérias-primas naturais revelou o interesse da indústria nacional de aumentar os índices de exportação. E parece estar no caminho certo. As vendas externas de produtos acabados deste segmento têm apresentado saldo positivo: cresceram 19,4% em 2003, enquanto as exportações acumuladas no período de 1999 e 2003 demonstraram avanço de 104,6%. Os produtos de higiene oral são os principais responsáveis pelo índice. Responderam por US$ 64,3 milhões do faturamento, seguidos pelo segmento de tratamento dos cabelos (US$ 55,2 milhões) e de sabonetes (US$ 20,3 milhões), de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). O mercado doméstico também tem empolgado os profissionais da área. Segundo a Abihpec, o setor faturou R$ 11 bilhões em 2003. Nos últimos cinco anos, essa indústria apresentou crescimento deflacionado de 6,5%. De acordo com dados do Euromonitor de 2002, o Brasil já ocupa a sétima posição no mercado mundial de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos.

    Foco na Amazônia – Seguindo a tendência anunciada nas edições anteriores, a HBA mostrou muitos lançamentos de produtos com apelo natural. A Beraca Sabará Químicos e Ingredientes, de São Paulo, apresentou a argila branca da Amazônia. Integrante da linha Rain Forest Specialties, o produto mostra-se rico em ferro, alumínio, boro, potássio, cálcio e enxofre. “É um ingrediente premium, com alto grau de hidratação e antioxidantes”, ressaltou o responsável pelo departamento de marketing da empresa, Daniel Sabará.

    Química e Derivados: HBA: Sabará - a argila tem alto grau de hidratação. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Sabará – a argila tem alto grau de hidratação.

    Formada nas ribanceiras dos rios após as inundações provocadas em época de chuva, a argila tem propriedades capazes de fortalecer o tônus da pele, reduzir as rugas e eliminar gorduras localizadas e celulite.

    Para Sabará, o insumo age de forma direta no combate aos radicais livres. No entanto, além dos benefícios oferecidos às formulações cosméticas, há vantagens para a população ribeirinha do interior do País. A empresa atua a partir de um programa sustentável, no qual estimula a inclusão social da comunidade local.

    A biodiversidade brasileira também foi o foco da exposição da Croda do Brasil, de Campinas-SP, por conta da linha Hydramazon. Composta por produtos com propriedades tensoativas, destinados a formulações hidrofílicas, a linha destacou os óleos hidrodispersíveis de castanha do Brasil, de babaçu e de maracujá. A Croda também levou para esta edição da HBA a família Crodamazon. Formada por óleos vegetais obtidos de polpas e sementes de fontes renováveis, a linha conta com produtos de andiroba, pequi e cupuaçu, entre outros.

    Apesar de muitas companhias utilizarem o apelo natural desse tipo de matéria-prima, para Rogério Mancini, gerente de mercado da Volp, de Osasco-SP, distribuidora de ingredientes da marca Croda, os óleos amazônicos representam 0,01% do total de produtos comercializados pela empresa, denotando muito espaço para esse mercado avançar. Na opinião de Mancini, as linhas de origem natural são ideais para conquistar o mercado externo, pois fora do País essa tendência já está consolidada.

    Química e Derivados: HBA: Mancini - grande potencial dos óleos amazônicos. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Mancini – grande potencial dos óleos amazônicos.

    “No exterior, além da imagem, a preocupação é com o efeito do ingrediente na formulação. No Brasil, o trabalho está no começo”, comentou. Uma das principais vantagens do ingrediente dá conta também de sua multifuncionalidade. De acordo com Mancini, a manteiga de cupuaçu, por exemplo, destina-se a formulações para xampu, condicionador, batom e óleo para o corpo.

    Por trás do enfoque nas matérias-primas naturais, a Croda também se respalda em programas de responsabilidade social. A empresa possui registros internacionais e nacionais para a extração e desenvolve um trabalho de preservação da natureza e de valorização da mão-de-obra local. Além das próprias empresas, a Abihpec também ancora sua atuação no uso sustentável dos ingredientes naturais. A entidade assinou termo de parceria com grupo de “compradores de produtos florestais certificados”, integrante da Organização Não-Governamental Amigos da Terra – Amazônia Brasileira. Em função desse acordo, a Abihpec tem acesso a informações sobre as comunidades produtoras, proporcionando oportunidades de negócios para seus associados e ampliando a promoção do uso sustentável da biodiversidade brasileira. Na avaliação da Abihpec, a parceria representa fomento e valorização de produtos florestais não-madeireiros, além de um apoio efetivo para as comunidades do interior do País, com criação de demanda para os produtos e operações certificadas.


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