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15 de fevereiro de 2012

Glicerina – Demanda por equipamentos segue firme

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Publicado por: Hamilton Almeida
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    O clima de otimismo reinante no mercado de glicerina contagia também a indústria de equipamentos para plantas de biodiesel. A norte-americana Crown Iron Tecnologias Ltda. já comercializou cinco unidades no país: a primeira para a BSBIOS, no Rio Grande do Sul, e outras quatro para a Petrobras. Uma outra unidade está às vésperas da inauguração no RS: da Bianchini, em Canoas.

    O investimento da Bianchini é o maior empreendimento até aqui da Crown Iron no Brasil: serão 800 toneladas/dia de biodiesel, o que implicará colocar no mercado mais 80 t/dia de glicerina crua (“loira”) que, depois de refinada, deverá ser processada por indústrias farmacêuticas e de alimentos. Além disso, o representante de vendas Pedro C. Macedo revela que há outras três usinas de biodiesel em construção em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso.

    “Até o final do ano, estas unidades estarão em operação, produzindo 1.700 t/dia de biodiesel”, acrescenta. As três juntas adicionarão, portanto, 170 t/dia de glicerina no mercado. E o portfólio de equipamentos fornecidos pela Crown Iron atingirá a produção total de 3.500 t/dia de biodiesel e 350 t/dia de glicerina.

    Se o momento atual é considerado “ótimo”, a tendência de mercado não é diferente, pois ninguém duvida que a participação do biodiesel no diesel comum irá aumentar em breve. A Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio) aposta, por exemplo, que a quantidade de biodiesel misturada no diesel irá aumentar de 5% (B5) para 10% (B10) em 2014, chegando a 20% (B20) até 2020.

    Macedo salienta que a tecnologia da Crown Iron não gera efluentes poluentes, com a vantagem de oferecer glicerina de alta qualidade, apta para todos os usos. Com uma ressalva: a matéria-prima precisa ter qualidade adequada. “Com uma preparação correta da matéria-prima, pode-se conseguir uma boa reação de transesterificação”, explicou.

    O processo de produção de biodiesel da Crown utiliza uma reação de transesterificação de duas etapas, seguida pelas fases de neutralização e lavagem. A transesterificação converte aproximadamente 100% dos triglicerídeos presentes no óleo ou na gordura em biodiesel (éster metílico). O metanol excedente é recuperado e o biodiesel é seco na mesma etapa. No final, o biodiesel é resfriado e filtrado para a remoção de impurezas a temperaturas inferiores às do ambiente.

    A reação é realizada com a adição de um álcool e de um catalisador, para a obtenção de metil-éster (quando se adiciona o metanol, muito usado nessa aplicação). O metanol excedente é recuperado e a glicerina é seca (separada da água) na mesma etapa. A glicerina é considerada bruta porque contém 80% de glicerol (glicerina loira) mais sais. Os sais se formam por meio da reação da soda e do ácido utilizados na transesterificação. Os sais são removidos quando a glicerina é refinada até atingir a escala técnica ou qualidade superior. A glicerina obtida nesse processo possui uma concentração de 99,5% a 99,9% de glicerol.

     Pedro C. Macedo, química e derivados, glicerina, Crown Iron Tecnologias Ltda

    Macedo: processo anvaçado, obtém glicerina de biodiesel grau USP

    O sistema de recuperação de glicerina da Crown é especificamente projetado para produzir um produto de alta qualidade, grau USP (da farmacopeia americana), obtido de uma grande variedade de matérias-primas. A empresa garante que o sistema proporciona uma eficiência global normalmente superior a 98% do rendimento disponível de glicerina.

    O processo de refino da glicerina bruta envolve a remoção de contaminantes, como sais, matéria orgânica não glicerinosa (mong), água e outras impurezas. Dependendo das características, a glicerina bruta pode necessitar de tratamento prévio e de evaporação (remoção de água) antes do refino. Em muitos casos, a glicerina bruta pode ser enviada diretamente para o processo de refino.

    Macedo destaca que o projeto da Crown minimiza a energia requerida por utilizar a gravidade tanto para a separação como para o fluxo de vaso para vaso. O projeto incorpora economizadores de calor para regeneração térmica (troca de calor do fluxo frio através do fluxo quente).

    Para cada tonelada métrica de glicerina crua processada, são utilizados: 700 kg de vapor de aquecimento a 10 bar; 580 kg de vapor a 10 bar para sistema a vácuo; 100 kg de vapor de injeção direta; 30 kWh de energia elétrica; 1 kg de carvão ativado; 2,4 kg de ácido clorídrico a 32%; e 6 kg de soda cáustica a 50%.

    Segundo Macedo, há três fontes principais de obtenção de glicerina natural bruta. Além da transesterificação, há o processo de cisão de matéria graxa (triglicerídeos), que é efetuada através da adição de água com elevação de pressão e temperatura, obtendo-se ácido graxo e glicerina a uma concentração que pode variar de 12% a 20% de glicerol. Esta glicerina deve passar por um processo de purificação para eliminação de impurezas e ser concentrada (sistemas de evaporação de água), para que o teor de glicerol seja elevado ao redor de 80% – a chamada glicerina crua.

    Outra fonte de glicerina é a saponificação. Durante a fabricação de sabão, com adição de soda cáustica na gordura como parte do processo de neutralização, gera-se uma concentração baixa de glicerol, cerca de 18% a 30%. Após passar por um processo de pré-tratamento e concentração, surge a glicerina crua, de 80%.

     

    Confira a matéria completa sobre glicerina



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