Produtos Químicos e Especialidades

16 de julho de 2009

Glicerina – Crescimento do biodiesel provoca inundação no mercado de glicerina, incentivando a descobrir novas aplicações

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Glicerina

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    desenvolvimento atabalhoado da produção de biodiesel no Brasil vitimou o mercado de glicerina. O excesso de oferta derrubou os preços do triálcool e forçou os produtores do subproduto do biodiesel a aceitar propostas indecorosas para esvaziar seus tanques por meio de exportações. Felizmente, estão sendo desenvolvidos vários processos químicos e aplicações para absorver esses excedentes, valorizando-os. Ao mesmo tempo, os usuários passaram a perceber as diferenças qualitativas entre os produtos obtidos pelos processos tradicionais de hidrólise e saponificação dos obtidos da transesterificação com metanol, atribuindo a eles preços diferenciados.

    A maior possibilidade de consumo de glicerina que está em estudos consiste na produção de propeno “verde”, para ser polimerizado em polipropileno. Essa resina terá fonte renovável, característica que lhe assegurará um prêmio no preço final de venda. Essa ideia surgiu na Quattor, que buscou apoio no Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IQ-UFRJ) e está em etapa piloto, com expectativa de iniciar logo a fase semi-industrial.

    Anunciado com estardalhaço e pouco rigor de planejamento, o Programa Nacional de Biodiesel alcançou as metas previstas, até mesmo antecipando-as. A partir de 1º de julho, o diesel vendido nos postos de abastecimento no Brasil terá 4% de biodiesel (a mistura B4), etapa programada para entrar em vigor apenas no próximo ano. A antecipação aumentará a demanda do biodiesel puro em cerca de 400 milhões de litros por ano. Dessa forma, o consumo nacional de biodiesel puro (B100) passará dos atuais 1,5 bilhão de litros para quase 1,9 bilhão de litros/ano. Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a demanda estimada será de 1,72 bilhão de litros, para um consumo de diesel de 43 bilhões de litros. Ainda assim, a capacidade instalada do éster passa de 3,5 bilhões de litros. A alta ociosidade e o fraco desempenho econômico mantêm várias usinas hibernando ou paralisadas. No final de junho, a ANP anunciou que a mistura B5 será implementada em 2010, três anos antes da previsão original. Ou seja, mais glicerina chegará ao mercado.

    O programa do biodiesel começou em 2005, sem contar com especificações oficiais nem com uma diretriz quanto às matérias-primas a processar. Até a discussão sobre a rota metílica ou etílica foi ignorada inicialmente, com a atual preferência pela primeira. Hoje, a soja representa 85% da matéria-prima consumida e o restante é obtido principalmente de gorduras animais.

    O planejamento, falho do berço, também deixou ao relento a glicerina. A produção de cada 90 metros cúbicos de biodiesel é acompanhada por 10 m3 de glicerina pura. Dessa forma, considerando a mistura B4, em um ano serão produzidos 1,9 milhão de m3 de biodiesel e 210 mil m3 de glicerina. Ou, aproximadamente, 260 mil toneladas a procurar um destino. Esse número é teórico, saliente-se. Há perdas a considerar, além do fato de parte da glicerina de biodiesel ser consumida na forma de energia nas próprias usinas. Além disso, também ocorrem lançamentos criminosos nos cursos d’água, como já se verificou nos estados do Ceará e da Bahia.

    Química e Derivados, Felipe Camargo, Unidade de negócios de soapstock e acid oils da Aboissa Óleos Vegetais, Glicerina

    Felipe Camargo: glicerina pode gerar dano ambiental

    “Estima-se que o Brasil tenha uma produção de 250 mil t/ano de glicerina loira de biodiesel, em um ambiente de consumo da mistura B3”, comentou Felipe Camargo, responsável pela unidade de negócios de soapstock e acid oils da Aboissa Óleos Vegetais. Essa glicerina carrega grande quantidade de água, cuja remoção provoca perdas de até 30% de volume. “Calculamos um excedente disponível de 125 mil t/ano de glicerina bidestilada de biodiesel no mercado nacional”, disse.

    O mercado tradicional de glicerina no Brasil teve um comportamento conservador nos últimos anos. Dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) registram a demanda nacional entre 35 mil e 40 mil toneladas (da bidestilada, com 99,5% de pureza mínima), atendida pela ocupação parcial de uma capacidade produtiva entre 55 mil e 60 mil t/ano. Essa glicerina, obtida de sebo ou óleos vegetais, sempre foi direcionada para a indústria de alimentos, cosméticos e produtos farmacêuticos, mas também tem clientes na produção de fumo e, dependendo dos preços, na indústria de tintas.


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