Química

15 de setembro de 2011

Gases Industriais – Hidrogênio tira fumaça das ruas

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    Química e Derivados - Ônibus da EMTU movido a H2

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    á mais disseminado em países como Canadá, Estados Unidos, Japão e Alemanha, onde circulam hoje algumas frotas dotadas dessa tecnologia, e postos dedicados ao seu abastecimento, o hidrogênio como combustível de veículos está sendo atualmente testado também no Brasil. A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) mantém desde o ano passado um ônibus movido com esse combustível em uma rota que interliga alguns municípios da Grande São Paulo.

    Além da própria EMTU, participam desse projeto a Petrobras Distribuidora (fornecedora do hidrogênio), a Tuttotrasporti (produtora de chassis para veículos especiais e responsável pela integração dos vários sistemas existentes nesse ônibus), a Marcopolo (carroceria) e a canadense Ballard, fabricante das células que usam o hidrogênio para gerar a energia elétrica que movimenta o motor do ônibus. O projeto é financiado por diversas instituições, como a Organização das Nações Unidas e o Ministério das Minas e Energia.

    Os resultados dos testes parecem estar sendo satisfatórios, pois, de acordo com Ivan Carlos Regina, gerente de planejamento da EMTU, outros três ônibus desse gênero já estão sendo adquiridos. “E ainda neste ano iniciaremos a operação em São Bernardo do Campo-SP de um posto para abastecer ônibus com hidrogênio”, revela.

    Segundo ele, o ônibus com hidrogênio já rodou mais de oito mil quilômetros e gerou diversas informações importantes. Uma delas: pelas especificações do projeto, deveria utilizar quinze quilos de hidrogênio para percorrer cem quilômetros, mas perfaz essa distância com apenas treze quilos. Tem, assim, uma autonomia para percorrer a cada dia algo entre 350 e 400 quilômetros, enquanto um ônibus convencional, movido a diesel, roda diariamente de 250 a 300 quilômetros.

    Além disso, prossegue o gerente da EMTU, em itens como potência e torque, o desempenho parece até um pouco superior ao de um ônibus movido a diesel. “Mas esse não é o principal diferencial do hidrogênio: a grande vantagem é ser um combustível totalmente não poluente, não emite nem gases causadores de efeito estufa nem particulados. É também silencioso, não gerando nem poluição sonora”, enfatiza Ivan Regina.

    Assim, os principais obstáculos à adoção em maior escala dessa tecnologia parecem agora concentrados em seus custos. O ônibus movido a hidrogênio adquirido pela EMTU custou aproximadamente US$ 1 milhão, valor mais de duas vezes superior ao de um equivalente movido a diesel. Deve-se, porém, pondera Emílio Vaccari Batista, engenheiro da Tuttotrasporti, considerar na análise desses custos também o fato de esse ônibus ter vida útil mais de duas vezes superior aos equivalentes com diesel, que nas grandes cidades rodam, em média, apenas uns cincos anos.

    Química e Derivados - Ivan Regina - EMTU

    Ivan Regina: até 2016, custos dessa tecnologia devem cair

    No quesito abastecimento, reconhece Batista, o custo de um quilômetro rodado com hidrogênio é ainda cerca de cinco vezes superior àquele no qual foi utilizado diesel. Mas ele também prevê redução significativa dessa diferença, seja porque os produtores de hidrogênio adotarão políticas mais agressivas de estímulo a seu uso como combustível ou por ser esse um gás gerado por meio de várias tecnologias e fontes: reforma, eletrólise, como subproduto de plantas de produção de cloro, entre outras.

    Na Alemanha, conta Batista, até as iniciativas de desenvolvimento de veículos elétricos estão sendo abandonadas em prol da opção pelo hidrogênio. “A tecnologia dos elétricos chegou a um gargalo, pois já não parece possível ampliar a autonomia dos veículos, e o hidrogênio possibilita autonomia três vezes maior”, ele justifica. “Além disso, enquanto são necessárias oito horas para recarregar um carro elétrico, o hidrogênio exige apenas dez minutos.”

    Conjugando essas vantagens práticas à necessidade de preservação do meio ambiente, em futuro não muito distante, a tecnologia do uso do hidrogênio como combustível de veículos será “vitoriosa”, prevê Ivan Regina, da EMTU. “As pesquisas feitas também em países como Alemanha e Canadá permitirão que, até 2015 ou 2016, seus custos já tenham se reduzido bastante”, espera.

    A prefeitura de São Paulo parece também acreditar nessa possibilidade, pois há menos de um mês a secretaria municipal de transportes publicou um convite para interessados em fornecer ônibus de tração elétrica alimentados por células a hidrogênio, além da infraestrutura necessária ao abastecimento e circulação desses veículos. O objetivo desse convite é identificar possíveis fornecedores dessa tecnologia, qualificada no documento da prefeitura como “o combustível mais promissor quando se estudam alternativas ao petróleo para uso em transportes”.



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