Química

15 de setembro de 2011

Gases Industriais: Fornecedores buscam diferenciação e ampliam o rol das aplicações

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    Química e Derivados - Gases Industriais - Fornecedores buscam diferenciação e ampliam o rol das aplicações

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    ercados dominados por poucos e grandes fornecedores, com produtos padronizados e tecnologias já maduras, abrem poucas oportunidades para diferenciação, decorrente basicamente de quesitos relacionados a preços e logística. Em geral, essa é a realidade predominante na indústria provedora dos principais gases industriais – hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, argônio e gás carbônico –, com poucos players, a maioria com dimensões globais, capazes de fornecer gases com padrões equivalentes de qualidade, e condições similares de entrega.

    Mas se preços e logística ainda influem decisivamente na comercialização desses gases, as empresas de onde eles provêm buscam se diferenciar e ampliar seu potencial de geração de negócios, mediante também o investimento na pesquisa de novas aplicações – ou de aplicações mais eficazes nos usos tradicionais –, combinadas a serviços decorrentes da evolução tecnológica.

    Um exemplo de nova aplicação aparece no portfólio da Air Liquide, que mira agora o setor da construção civil, com um processo de injeção de nitrogênio destinado a acelerar a cura e evitar trincas no concreto. Nessa aplicação concorrente aos aditivos para concreto, a empresa não se restringe ao fornecimento do gás: vai à obra com equipe e equipamentos próprios, e se responsabiliza pela injeção do nitrogênio. “Duas grandes empreiteiras já começaram a usar no Brasil essa tecnologia, cuja demanda deverá crescer com a aproximação da Copa do Mundo e da Olimpíada”, diz Fernando Roca Perrogón, diretor de desenvolvimento e mercado da área de gases industriais da Air Liquide.

    A mesma empresa agora oferece também um processo patenteado de controle e monitoramento para otimizar a aplicação de nitrogênio na produção de eletrônicos. Simultaneamente, começa a equipar os cilindros com os quais entrega seus gases com um novo dispositivo, cuja alavanca de abertura e fechamento pode ser movida sem esforço, e ainda informa aos clientes as quantidades existentes nos cilindros, permitindo-lhes usar integralmente os gases.

    Os primeiros cilindros equipados com essa nova válvula – comercialmente denominada Smartops – começaram a ser entregues em um lote destinado à Petrobras. E, de acordo com Perrogón, até o final de 2012, esse dispositivo equipará todo o parque de cilindros mantidos pela Air Liquide no Brasil. “Não queremos ser apenas fornecedores de commodities, e crescer graças ao uso de maiores volumes de gás. Pelo contrário, queremos tornar esse uso mais eficaz, e em cima disso oferecer serviços diferenciados, baseados em tecnologia”, afirma.

    Na Linde, a oferta de novas tecnologias inclui hoje a oferta de sistemas também patenteados, destinados a aprimorar o uso de oxigênio em siderúrgicas e nas atividades de saneamento. Tais tecnologias, destaca Magnus Karlson, presidente da Linde Brasil, atuam nos fatores relacionados aos tempos, quantidades e locais da aplicação do gás. “Não só a molécula faz diferença, a maneira como ela é aplicada também influi no processo”, enfatiza.

    Química e Derivados, Fernando Roca Perrogón, Air Liquide

    Perrogón: nitrogênio acelera a cura do concreto injetado

    Como reconhece Karlson, os principais gases fornecidos pelas boas empresas desse mercado são hoje muito similares, daí a necessidade de diferenciação nas aplicações e nos serviços. Para aprimorar essa segunda vertente, a Linde hoje mantém no município de Jundiaí-SP um centro de operações de onde maneja suas 25 plantas instaladas na América do Sul, e controla sua frota de veículos, quase toda rastreada por GPS. Desse mesmo local, monitora também os estoques de gases de clientes nos quais instalou equipamentos próprios para medição.

    Assim, pode tanto avisar a algum desses clientes sobre a necessidade de renovar seu estoque de determinado gás quanto informá-lo caso o veículo responsável por sua entrega tenha algum contratempo. Pode até mesmo solicitar a esse cliente, em razão desse possível atraso na entrega, a redução temporária de consumo e, assim, evitar prejuízos aos seus processos. “No mercado de gases, existem atualmente três fatores de diferenciação: aplicações, operação profissional das plantas de gases dos clientes e serviços”, informa Karlson.

    Oferta antecipada – Líder nacional do setor, a White Martins (Praxair) não poderia deixar de se integrar à tendência de pesquisa e oferta de novos usos, serviços e tecnologias capazes de conferir maior valor à oferta de gases. E agora, conta o diretor de inovação e tecnologia William Macedo, essa empresa patenteia uma tecnologia destinada a produzir em plantas on-site (instaladas nas fábricas dos clientes) oxigênio com grau de pureza de 6.0 (em atividades industriais, usa-se normalmente algo próximo de 2.8).


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