Gases

24 de outubro de 2003

Gases Industriais: Especialização é a tática da moda do setor

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Publicado por: Renata Pachione
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    Economia desaquecida impele companhias aos novos negócios e intensifica investimento na área de serviços. Com isso, setor agrega valor e fideliza clientes

    Química e Derivados: Gases: gases_abertura. Apesar dos fornecedores de gás industrial serem unânimes quanto à retração do mercado, eles estão a todo vapor. A partir do princípio de que se cada um fizer a sua parte o todo se sustenta, essa indústria evolui a passos largos. Mas não em questões quantitativas e, sim, qualitativas, pois mesmo operando com margens reduzidas, as companhias investem em novos empreendimentos e aperfeiçoamentos tecnológicos, sem perder o foco nas necessidades do cliente.

    Considerado o maior da América do Sul, o mercado brasileiro de gases industriais deve fechar 2003 sem incremento nas vendas, em relação ao ano passado e com faturamento estimado de cerca de US$ 700 milhões. Mesmo assim, os fornecedores de gás apresentam bons prognósticos. Na avaliação deles, esse mercado, que nos últimos cinco anos avançou a taxas de 10% a 15% e chegou a registrar faturamento de US$ 1 bilhão, em 1996, hoje vive um momento peculiar, porém não está apático. Todas as empresas anunciam projeções de crescimento, de pelo menos dois dígitos, para seus negócios em 2004 e reservam novidades tanto em aplicações quanto em unidades de produção.

    Novos nichos – Identificar oportunidades é o que mais as companhias têm feito para compensar as mazelas da macroeconomia. Controlada pela Praxair, a maior empresa de gases industriais das Américas e uma das mais importantes em nível mundial, a White Martins tem posto em prática o conceito de agregar valor ao mercado, com a diversificação do seu negócio. Anunciada há dois anos como tendência, essa proposta hoje é pré-requisito frente ao concorrido setor. Por isso, preocupada em satisfazer o consumidor, a companhia investe na criação de novas frentes de atuação. “Fugimos de uma abordagem de commodity para investir na modernização do setor e em tecnologia”, explicou o vice-presidente de desenvolvimento de negócios da White Martins Murilo Melo. O discurso é o mesmo de dois anos atrás, no entanto, nesse momento de fraca demanda da indústria, os fornecedores de gás buscaram fôlego, avançando para segmentos não-tradicionais do setor. Na White Martins, a área de novos negócios e serviços representa 15% do faturamento. Essa atividade vem em um crescendo. No ano passado, era responsável por 12% das vendas e, em dois anos, Melo prevê elevar esse índice para 25%.

    Química e Derivados: Gases: Melo - mercado morno não impede investimentos.

    Melo – mercado morno não impede investimentos.

    A partir de uma orientação focada nas reais necessidades do mercado, a companhia investe seu know-how em novos desenvolvimentos. Um exemplo fica por conta da instalação de fábrica de cilindro para gás natural veicular. A empresa produzia cilindros para os próprios gases, porém diante da possibilidade de inovar junto ao aparecimento do mercado de gás natural, investiu em unidade, em Manaus-AM. Segundo expectativa da White Martins, em 2005, mais de um milhão de veículos no País serão movidos por esse combustível. O mesmo mote propiciou a entrada da companhia no negócio de fabricação de componentes para conversão de veículos para gás natural. A White Martins criou uma joint venture com uma empresa italiana, também em Manaus. “Estamos atentos às oportunidades, por isso investimos nesses novos negócios”, justificou Melo.

    Por conta dessa estratégia, a companhia também ampliou sua participação no segmento de lavanderia industrial. Com a aquisição da lavanderia Chanceller Serviços, passou a utilizar o ozônio, a partir de tecnologia patenteada pela própria White Martins, para atender aos mercados hospitalar e hoteleiro. De acordo com a empresa, o processo de lavagem com o gás proporciona redução de custos operacionais, aumento da produtividade e da qualidade e efluente menos agressivo ao meio ambiente. O ozônio é um agente de desinfecção capaz de substituir o cloro, em função de seu elevado poder de oxidação e mecanismo de destruição dos microorganismos. Segundo a White Martins, durante o processo, essa tecnologia reduz de 50% a 70% a quantidade de produtos químicos e cerca de 60% o consumo de água. A empresa possui seis unidades de lavanderia em operação (são duas em São Paulo e as quatro restantes se dividem igualmente entre Porto Alegre, Salvador, Goiás e Curitiba). Na avaliação de Melo, esse segmento apresenta avanço da ordem de 25% ao ano “Temos expandido nessa área ”, orgulhou-se. Apesar desses novos negócios não serem muito representativos no faturamento da empresa, estes traduzem o foco da White Martins no cliente e não na própria companhia.

    No segmento industrial, investiu em equipamentos para limpeza de tubulações e gasodutos. Parte integrante da operação offshore, a White Martins desenvolveu o deslocamento e a secagem do gasoduto RG2 do Campo de Roncador (Petrobrás), onde a linha de escoamento de gás estava interrompida. A sua liberação se deu por conta de parceria da White Martins com a Halliburton. Na ocasião, foram bombeados 280 mil m³ de nitrogênio. Outro projeto referiu-se ao deslocamento da linha de exportação de gás da Shell (plataforma de Bijupirá/Salema), com mesmo volume, de 280 mil m³ de nitrogênio. A companhia efetuou também o esvaziamento de oleoduto em um trecho de 84 quilômetros para a Transpetro. No local, foi empregado volume de 300 mil m³ de nitrogênio líquido. Essa ação, em particular, contou com a utilização, pela primeira vez, de um dos mais novos lançamentos da White Martins, a carreta SMB 15 mil.


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