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18 de outubro de 2010

Food Ingredients – Tendência mundial incentiva a naturalização das receitas

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Publicado por: Hilton Libos
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    a culinária da produção industrial de alimentos, a utilização de componentes naturais de origem orgânica e o mínimo de ingredientes no processamento é a receita da principal tendência atual, que deverá se refletir no desenvolvimento do setor durante as próximas décadas, como revela o estudo Brazil Food Trends, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em conjunto com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) da Secretaria de Agricultura do Estado. A tendência naturalista verificada pela pesquisa no mercado nacional foi divulgada na segunda quinzena de setembro, em São Paulo, durante a 15ª edição da Food Ingredients South America (Fisa 2010) e confirmada como diretiva também para o mercado mundial pelo diretor de vendas Scott Rencher, da Euromonitor International, empresa norte-americana especializada em serviços de inteligência comercial (indústria e consumo). Ele trouxe aos painéis de discussões técnico-científicas da Fisa 2010 uma notícia curta e direta sobre a convergência global do aumento de interesse do consumidor por alimentos funcionais: “as pessoas vão consumir cada vez mais alimentos comprovadamente compostos por princípios ativos que tragam benefícios para a saúde óssea, digestiva e coronariana”.

    Em conexão com esta nova tendência da indústria alimentícia, o reconhecimento dos produtos em exposição que agregaram mais criatividade em inovação tecnológica foi consolidado no prêmio Fisa Awards 2010, considerado o galardão de maior prestígio para a tecnologia da indústria alimentícia. Neste ano, foi concedido ao Beauty’in, bebida refrescante e vitaminada que combina o paladar dos alimentos com a funcionalidade das vitaminas. Esse prêmio integra os eventos Food Ingredients, lançados e organizados pela empresa United Business Media (UBM) nos mesmos moldes de premiações na Europa e Ásia. Na exposição de motivos, a comissão julgadora justificou que o Beauty’in é um produto precursor e vanguardista na abertura de um novo segmento de saúde e beleza do mercado nacional com os aliméticos, neologismo criado para nomear a novíssima linha de “alimentos cosméticos”.

    Inovações extraordinárias – Na Fisa 2010, aproximadamente trinta empresas dispuseram seus produtos e ingredientes à concorrência na premiação, nas categorias alimento e ingrediente, sob o crivo de um comitê técnico formado por especialistas e profissionais do setor. Segundo a jurada Fátima D’Ellia, os aliméticos têm potencial para revolucionar o mercado de bebidas porque agrupam sabor diferenciado, ingredientes únicos e refrescantes em um só produto, trazendo benefícios à saúde atestados pelos centros de pesquisa dos fornecedores nacionais e globais, obedecendo aos rigorosos padrões internacionais de avaliação alimentar. Na composição do Beauty’in não participa nenhum tipo de conservante ou aromatizante artificial. A bebida ainda é enriquecida com vitaminas de ação antioxidante (complexo A, C e E), além de betacaroteno e ácido fólico, protetores da pele contra a ação do tempo.

     

    Química e Derivados, Food Ingredientes

    Linha de bebidas com funcionalidade cosmética

    A eficácia dos ativos do Beauty’in é preservada pelo twist cap, um dispositivo que concentra o composto vitamínico em pó na tampa, que se mistura com a água apenas quando a embalagem é aberta. Ao girar a tampa, o pó concentrado se dissolve na água que se transforma no beauty drink – forma substantiva de tratamento do Beauty’in. A bebida é formulada sem qualquer conservante, açúcar e gorduras zero, teor de sódio reduzido, além das vitaminas, minerais, proteínas, aromas naturais e oito sabores de frutas orgânicas, como o que combina pepino, limão e aloe vera. Essa modalidade de bebidas oferece outras opções de composição com algas vermelhas, indicada para a preservação da barreira intestinal; acerola, com potencial de antioxidante celular; e à base de colágeno, que proporciona resistência e elasticidade à pele. Esses ativos vitamínicos foram desenvolvidos pela companhia holandesa DSM e, como derivativo sólido da nova bebida, foi colocada no mercado a linha Beauty Candy de balas de colágeno e vitaminas em quatro sabores, com oferta idêntica à da bebida em benefícios específicos para o organismo.

    Extraordinariamente, esta saudável bebida inovadora e suas balas vitamínicas foram lançadas no mercado nacional pela empreendedora Cristiana Arcangeli – que não circula profissionalmente nas lides dirigentes da indústria alimentícia ou química tecnológica e aplicada propriamente, mas é formada em odontologia, especializada em endodontia homeopática, e trabalhou no ramo da fitoterapia cosmética à frente da Phytoervas, a primeira indústria nacional a lançar produtos sem sal e compostos por ingredientes naturais na década de 80.

    A vertente ecológica na oferta de produtos não agressivos à saúde se tornou uma marca registrada das ações de Cristiana, que desde o início de sua carreira incorporou a reciclagem e a proteção ambiental em seus projetos – chegando a criar a Fundação Phytoervas de Proteção ao Índio Brasileiro, em 1994. Antes de iniciar a produção dos novos aliméticos, em 2006 Cristiana Arcangeli lançou a marca Éh Cosméticos – a primeira linha de cosméticos orgânicos do Brasil, que atualmente pertence à Hypermarcas.

     

    Química e Derivados, Food Ingredientes

    Cristiana levou o prêmio de criatividade tecnológica

    Pectina medalha de ouro – Na categoria ingrediente mais inovador do Fisa Awards 2010, a CP Kelco (grupo Huber Company) ganhou medalha de ouro pelo lançamento de uma nova gama de pectinas projetadas com a finalidade de obter melhor texturização nas geleias em geral, geleias de baixo teor de açúcares e sem açúcar adicionado nos compostos, por meio de um agente geleificante obtido da casca de frutas cítricas com a propriedade de manter a composição natural da pectina. Segundo o gerente regional de vendas da CP Kelco, João Carlos Golfi, além da simplicidade de processamento e robustez nas geleias, o novo produto, sob a marca comercial Genu Explorer, é um agente geleificante que prescinde da utilização de água quente no preparo das gelatinas, ajustando texturas suaves, mais brilho e flavor release no sabor, facilitando a distribuição da fruta na gelatina e tornando o seu visual mais agradável com a eliminação da sinérese. “Para os produtores, as pectinas Genu Explorer oferecem flexibilidade no desenvolvimento das fórmulas e maior tolerância às variações no processo de produção”, explicou Golfi.

    Em 2006, a CP Kelco já havia chegado às finais da premiação da Fisa pela exposição de uma goma que apresentava a inovação por biofermentação para ser aplicada em bebidas à base de soja, com a vantagem de aumentar a vida útil dos produtos na geladeira e na prateleira. Atualmente, a empresa é resultado da fusão corporativa da divisão food gums da Hercules com a divisão Kelco Biopolymers da Monsanto e pertence ao grupo americano JM Huber, depois de sua união com a Noviant. Baseada nos Estados Unidos e com presença no mercado com pectinas, CMC e xantanas em mais de cem países, a corporação é fornecedora nos mercados globais de hidrocolóides, gelificantes, espessantes e estabilizantes.

    Alimentos do amanhã – A tendência naturalista na indústria de alimentos vai diretamente ao encontro das necessidades do consumidor brasileiro que, segundo apuraram as pesquisas do Instituto de Tecnologia Alimentar do Estado de São Paulo (Ital), acredita que futuramente os produtos naturais poderão suprir as funções de medicamentos. O diretor e pesquisador do Ital, Airton Viana, informa que o princípio conceitual de fabricação de alimentos com ingredientes cem por cento naturais (all natural) está ganhando força no mercado norte-americano e europeu. “Esses produtos estão se tornando padrão na indústria de alimentos norte-americana, saindo do segmento de nicho de mercado e migrando para o consumo de massa”, afirma o pesquisador. Para Viana, as empresas brasileiras que apostam desde já neste segmento “sairão na frente no mercado doméstico e estarão mais preparadas para trabalhar com o mercado exportador”.

    Segurança alimentar reforçada – Na programação técnico-científica da Fisa 2010, os painéis sobre o futuro dos alimentos, legislação, organismos geneticamente modificados, produtos funcionais e saborização foram debatidos por técnicos e cientistas do Brasil, México, Estados Unidos, Suécia, Bélgica, Argentina e Holanda, executivos e pesquisadores de mais de quinze empresas e instituições. À tendência alimentar naturalista, numa discussão sobre a legislação nacional

     

    Química e Derivados, João Carlos Golfi, gerente regional de vendas da CP Kelco, Food Ingredients

    João Carlos Golfi: pectina premiada dispensa calor para melhorar as geleias

    de normas para a indústria, a gerente de alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Laila Sofia Mouawad, alertou para a necessidade de equilibrar e sintonizar o desenvolvimento de novas tecnologias em aditivos alimentares e coadjuvantes com os princípios de segurança alimentar, com transparência, e evitando mascarar os insumos utilizados em seus produtos. Em outro painel (Fórum Regulatório) a representante da Anvisa esclareceu pontos obscuros sobre a legislação brasileira de alimentos, enquanto o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) expôs a importância dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) para o desenvolvimento do setor.

    A diretora do Conselho de Infor­mações sobre Biotecnologia (CIB), Alda Ledayer, revelou que os organismos geneticamente modificados já são amplamente utilizados nos setores de alimentos, fármacos, têxtil e de celulose, entre outros. Ledayer analisou que a aceitação genuína do consumidor em relação aos transgênicos nos alimentos “passa muito mais por um esforço de comunicação do que por explicações técnicas”, antecipando que a próxima geração de produtos com OGMs que deverá ser colocada no mercado no curto prazo compreende uma lista de variedades, do tomate ao mamão, maçã, laranja, feijão até a cana-de-açúcar. A diretora do CIB criticou a rotulagem imposta aos alimentos com transgênicos no Brasil, dizendo que se trata de uma medida dispensável, devido à segurança alimentar dos OGMs. Além disso, “a rotulagem cria uma percepção negativa no consumidor”.



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