Cosméticos

4 de dezembro de 2014

Filtros Solares: Mudança normativa adicionou proteção contra UVA no Mercosul

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Com a Resolução RDC nº 30, de 1º de junho de 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Regulamento Técnico do Mercosul sobre Protetores Solares em Cosméticos e gerou um avanço significativo no mercado de proteção solar. A RDC nº 30 revogou a RDC nº 237, que estava em vigor desde 2002, e adicionou o cuidado com a faixa de radiação do UVA – determinando nova metodologia analítica – além de atualizar a atenção à faixa do UVB. Com isso, a determinação do fator de proteção solar (FPS) dos produtos finais vendidos aos consumidores se tornou mais ampla, admitindo também outras características, como a resistência à água, além de apresentar os requisitos necessários de rotulagem.

    Química e Derivados, Khury: além dos filtros, eficácia dos protetores depende da qualidade das formulações

    Khury: além dos filtros, eficácia dos protetores depende da qualidade das formulações

    A faixa de radiação eletromagnética da região do ultravioleta (UV) começa imediatamente abaixo do início da faixa de luz visível, abrangendo comprimentos de onda de 100 a 400 nanômetros (nm). Ela se divide em UVA (320 a 400 nm), UVB (280 a 320 nm) e UVC (100 a 280 nm). “Quanto menor o comprimento de onda, mais biologicamente ativa é a radiação”, comentou o farmacêutico-bioquímico Emiro Khury, consultor e sócio-diretor da EK Consulting. O UVC, no entanto, é retido pela camada de ozônio existente na estratosfera da Terra. O UVB já era alvo da regulamentação anterior, por ser mais facilmente percebido. Radiação predominante na luz solar entre 10h e 14h, ela provoca eritema (vermelhidão na pele) e pode levar a queimaduras dependendo do tempo de exposição com muito mais facilidade do que o UVA.

    “Embora pouco perceptível, a radiação UVA incide durante todo o período do dia, sendo responsável por danos mais leves, porém crônicos e gradativos à pele, induzindo o envelhecimento precoce”, salientou Khury. Tanto o UVA quanto o UVB estão relacionados ao aparecimento de câncer de pele.

    Mercado atraente – O Brasil é um dos maiores mercados consumidores de protetores solares do mundo. “A indústria cosmética nacional está na vanguarda do desenvolvimento de formulações, incluindo componentes que complementam a proteção à pele, como hidratantes e antioxidantes, entre outros”, afirmou Khury. No entanto, apenas 30% da população declara o uso regular de protetores solares. A maioria admite que só os aplica no verão e quando vai à praia.

    Estudos científicos resultaram no estabelecimento de um método analítico global, incluindo UVA e UVB, que foi adotado pela legislação de vários países. Verificou-se que o escurecimento imediato (IPD –immediate pigment darkening) ocorre segundos após à exposição ao UVA e desaparece em mais ou menos duas horas, ou seja, não chega a ativar a melanina. Mas, se a pele continuar exposta à radiação UVA, aparecerá uma pigmentação consistente, o PPD (persistent pigment darkening), que proporciona o tom bronzeado para a pele. “Antes da RDC nº 30, algumas empresas indicavam um fator de proteção para UVA com base no PPD”, disse o especialista. O marcador biológico para avaliação da proteção ao UVB já era, e continua sendo, a formação de eritema, critério que vem sendo aperfeiçoado nos últimos vinte anos. (ver tabela)

    Proteção contra câncer – O câncer de pele é o mais frequente no Brasil, representando 25% de todos os tumores diagnosticados em todas as regiões geográficas, segundo dados do Ministério da Saúde. A incidência da radiação ultravioleta natural, proveniente do sol, é apontada como a principal causa.

    O consumo de protetores solares no país, infelizmente, ainda é determinado pelo preço (de R$ 19,00 a R$ 60,00, em média) e, portanto, considerado artigo de luxo para a maioria da população, além de ser visto como um item feminino de cosmético. Trabalhadores em atividades externas durante o dia, por exemplo, deveriam usar obrigatoriamente protetor solar, mas ainda há resistência por fatores culturais. Além disso, o protetor solar  não é definido como Equipamento de Proteção Individual, porque não tem certificado de aprovação (CA) do Ministério do Trabalho e Emprego.

    Rotulagem – Na Europa, a rotulagem de produtos finais expressa apenas a proteção UVB e, para a proteção UVA, informa-se que ela equivale a 1/3 do FPS do UVB. Na RDC, a Anvisa determina que todo protetor solar proteja contra radiação UVA e UVB, porém o fabricante não é obrigado a colocar símbolos que diferenciem um do outro. Nos EUA, por exemplo, só há especificação no rótulo para proteção UVB com amplo espectro, deixando implícita a proteção ao UVA.

    A unificação dos testes de protetores solares para obtenção de códigos de nos padrões internacionais ISO foi feita em 2006 e teve o aval da Colipa (Associação de Perfumaria, Cosméticos e Produtos de Higiene Europeia). Há também o padrão FDA (agência responsável pelo controle de alimentos e medicamentos nos EUA), utilizados pelos norte-americanos nos requerimentos de testes para rotulagem de FPS. O Brasil adota os dois protocolos que, segundo os especialistas, são cientificamente semelhantes.


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