Máquinas e Equipamentos

17 de novembro de 2011

Filtros e Centrífugas – Biodiesel e petróleo mantêm setor otimista

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Publicado por: Gerson Trajano
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    Química e Derivados, Centrífuga, Filtros

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    o mercado brasileiro de centrífugas de uso industrial, as perspectivas comerciais são boas, mas a concretização das encomendas está deixando a desejar. Quem conversa com os principais fornecedores destes equipamentos instalados no Brasil tem a sensação de que os negócios em 2011 pouco evoluíram em relação ao ano passado. Alguns relatam até uma ligeira queda nas vendas. Apesar de o mercado estar andando de lado, companhias como a sueca Alfa Laval, a alemã GEA Westfalia Separator e as brasileiras Grisanti e Mausa consolidam investimentos produtivos, desenvolvem novos equipamentos e aperfeiçoam estratégias comerciais para ganhar competitividade diante da concorrência estrangeira e para se adequarem a um possível crescimento da demanda nos próximos anos.

    Não existem estatísticas sobre o mercado brasileiro de centrífugas, apenas estimativas. Reginaldo de Macedo, presidente da Alfa Laval, uma das líderes globais desse negócio e detentora de um amplo leque de atuação no país, é capaz de traçar uma avaliação mercadológica abrangente. Segundo o executivo, 2011 deve terminar com a venda total de aproximadamente 120 centrífugas no país, contabilizando os negócios de todos os players, e outras 70 ou 80 máquinas tipo decanter, voltadas a separar materiais com altas quantidades de partículas sólidas, como ocorre nos setores de saneamento, mineração e processamento de soja. O desempenho, pelos dados de Macedo, é superior ao de 2010, quando apenas 100 centrífugas foram comercializadas. Mas ficou bastante abaixo das vendas registradas em 2008, antes da crise financeira global, quando foram comercializadas por volta de 300 centrífugas no país e 120 decanters. Na GEA Westfalia, porém, a estimativa é que os negócios em 2011 apenas empataram com 2010, enquanto Mausa e Grisanti enxergam uma pequena queda nos negócios.

    Apesar do desempenho do ano não ser dos melhores, há otimismo no setor. O que gera este sentimento é o potencial de encomendas prenunciado por alguns segmentos industriais. Seguindo a análise de Macedo, um dos mercados que deverá demandar mais centrífugas nos próximos anos é a indústria do biodiesel, caso o governo mantenha o propósito de ampliar a participação de 5% de biodiesel no óleo diesel tradicional para 20%, a mistura B20, até o final da década. Para isso, acredita-se que dez novas usinas de biodiesel terão de entrar em operação por ano, cada uma delas usando, dependendo do processo produtivo adotado, entre três e cinco centrífugas. Os equipamentos separam o éster metílico formado de álcool e água residuais, mas também pode separar água e óleo, ou mesmo tipos diferentes de óleos.

    A indústria petrolífera, diz o executivo, também deve demandar centrífugas para plataformas marítimas de petróleo, tanto para separar óleos quanto, e principalmente, para separar água e petróleo. O objetivo é reduzir o custo logístico do óleo que será transportado para o continente. Segundo Macedo, nem todas as 45 plataformas projetadas para atender o pré-sal contarão com centrífugas. A decisão deverá ocorrer caso a caso, dependendo do custo logístico da ligação com o continente. Mas a expectativa é que a maioria dasplataformas seja dotada de uma a três centrífugas. O risco, neste caso, é os fornecedores brasileiros perderem as encomendas, caso a decisão da compra das centrífugas seja feita pelos construtores de plataformas no exterior.

    Ainda no mercado de combustíveis, os negócios com as usinas de etanol estão parados. Este é um dos segmentos de maior demanda de centrífugas na última década, porém, no momento, são poucos os projetos de novas usinas em implantação. Se houver uma retomada dos investimentos a partir de 2013, como é previsto por analistas do mercado, o ânimo será recuperado no setor, pois cada nova unidade produtora adquire, em média, seis centrífugas.

    A se confirmar a retomada da indústria naval brasileira – apenas a Transpetro tem um programa de aquisição de 49 navios em estaleiros nacionais –, ela também irá gerar um grande número de encomendas. Cada navio utiliza entre três e quatro centrífugas para limpar o óleo que abastece o motor. Outra promessa recorrente é o setor de saneamento, no qual decanters são utilizados no final do tratamento dos esgotos municipais. Se os planos de saneamento no país de fato deslancharem, como o governo federal promete há anos, o segmento tem potencial para duplicar o mercado brasileiro de decanters. A concretização de negócios, porém, está longe de acompanhar o ritmo das promessas, o que faz com que, nesta área, as perspectivas de avanço sejam restritas.

    No setor farmacêutico, informa Macedo, a demanda é estável, por volta de dez máquinas por ano, utilizadas na produção de vacinas. Mas são centrífugas pequenas, capazes de processar dois mil litros por hora, enquanto uma máquina instalada numa usina de álcool trata 150 mil litros/h. Na indústria de alimentos, as encomendas evoluem de forma estável, principalmente para a reposição de máquinas antigas, uma vez que a vida útil das centrífugas é, em média, de 20 anos. Os principais segmentos demandantes são leite, que nos bons anos chega a comprar por volta de trinta máquinas, sucos e cerveja – nestes últimos, as compras variam de cinco a vinte máquinas por ano.

    Nacionalização de equipamentos – A Alfa Laval mantém sua tradição produtiva no Brasil. Nos anos 50 montou uma fábrica de equipamentos de ordenha mecânica no bairro paulistano de Santo Amaro. A industrialização de centrífugas no país teve início nos anos 70. A região onde a empresa estava instalada, porém, tornou-se um centro de torres de escritórios. Há três anos a companhia optou por transferir sua fábrica para as proximidades da via Anhanguera, na saída de São Paulo para Campinas. Ali a empresa faz a montagem de equipamentos, testes e reparos.


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