Defensivos Agrícolas e Fertilizantes

2 de março de 2004

Fertilizantes: Venda de fertilizantes bate recorde com apoio externo

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Desempenho agrícola excelente amplia a demanda por adubos só satisfeita com pesadas importações, oneradas pela infra-estrutura deficiente

    Química e Derivados: Fertilizantes: fertilizantes_abre. ©QDO consumo nacional de fertilizantes mantém forte ritmo de crescimento, desde 1991, de modo a permitir a duplicação da produção de grãos com aumento de apenas 20% da área cultivada, até a última safra. Embora a atividade agrícola seja forte exportadora, a importação de intermediários e ingredientes básicos atende à maior parte do abastecimento local, e já se configura como desafio estratégico para o futuro da agropecuária local.

    A dependência de importados é dramática no caso dos principais ingredientes potássicos, cuja produção local, mantida pela Cia. Vale do Rio Doce, com minas de silvinita em Sergipe, arrendadas por 25 anos junto à Petrobrás, mal atende a 10% da demanda brasileira, país listado entre os maiores importadores mundiais de cloreto de potássio. Do Chile vem o salitre de potássio, em baixo volume. O Brasil também importa pequena quantidade de sulfato de potássio, destinado a culturas como a do fumo e da videira, pouco afeitas ao outro sal. Em 2003, o cloreto de potássio foi o insumo químico mais importado pelo Brasil, uma conta de US$ 623 milhões (FOB).

    A relação de importados mais significativos, elaborada pela Abiquim a partir dos dados do Sistema Alice do governo federal, traz na segunda e terceira colocações outros importantes fertilizantes, respectivamente, o diidro­geno-ortofosfato de amônio (mais conhecido como monoamônio fosfato ou MAP), mesmo com mistura com diamônio fosfato (DAP) e a uréia. Somados, os dois representaram uma despesa de US$ 586 milhões. Ambos refletem a baixa produção de insumos nitrogenados no País, prejudicada pelo alto custo de gás natural e de derivados de petróleo necessários para a síntese da amônia, a pedra angular dessa família de adubos.

    Química e Derivados: Fertilizantes: fertiliza01. ©QDAs importações não ofuscaram o brilho do setor. “Em 2003, as indústrias de fertilizantes entregaram aos produtores agropecuários do Brasil 22.796 mil t de produtos acabados, um recorde fantástico”, comemorou Eduardo Daher, diretor da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). O entusiasmo se justifica pelo aumento de entregas de 19,3% ter sido obtido sobre o resultado de 2002, que já era recordista. Em termos de nutrientes (N, P2O5 e K2O), o crescimento de demanda foi de 23%, evidenciando uma evolução qualitativa, em favor de produtos mais concentrados, ou seja, de maior conteúdo tecnológico. A base desse crescimento foi obtida com insumos trazidos do exterior.

    Química e Derivados: Fertilizantes: vinheta_1. ©QDA dependência de importações tem a desvantagem óbvia de prejudicar o desempenho da balança comercial brasileira. Além disso, introduz um fator de risco na cadeia produtiva, representado pela possibilidade de variações cambiais, que podem amplificar os efeitos de súbitas elevações de cotações internacionais dos produtos. Há também a considerar o peso crescente do custo dos fretes marítimos internacionais no custo dos ingredientes importados, que acaba sendo transferido para o formulador de fertilizantes e, por conseqüência, para os agricultores. Sem falar no fato de a cadeia logística dos insumos estar operando no limite de capacidade, pressionada pela baixa qualidade da infra-estrutura de transporte e armazenamento do País.

    Já no campo dos ingredientes fosfatados, a situação é quase tranqüila, com a produção brasileira respondendo por mais da metade do consumo nacional (em termos do nutriente P2O5). A situação deve ficar ainda mais favorável com a concretização dos investimentos anunciados pela Fosfértil/Ultrafértil, maior produtor nacional, e da Copebrás para os próximos anos.

    A produção de fosfatos já conseguiu reverter seu maior problema, a baixa concentração de fósforo das jazidas locais, que exige uma flotação anterior ao processamento químico do material. Aliás, o custo de mineração é mais alto no Brasil, enquanto no Marrocos, China, Rússia e Estados Unidos (juntos esses países detém 67% das jazidas mundiais) são obtidos minérios com mais de 20% em P2O5, contra a média brasileira de 10% a 12%.

    Resta conviver com o curto suprimento de enxofre e ácido sulfúrico, sem fonte natural no Brasil. O desenvolvimento econômico da China arrasta para a Ásia a maior parte da oferta mundial desses itens. A partir do enxofre, obtém-se o ácido sulfúrico com o qual é solubilizado o fosfato presente na rocha (fluorapatita) moída. Por via úmida, a mais freqüente, conforme o processo utilizado, podem ser obtidos dois resultados: o superfosfato simples, ingrediente de fertilizantes para uso em fórmulas NPK, ou mesmo de aplicação isolada, consistindo fonte de fósforo e enxofre para plantas; e também ácido fosfórico (tendo por subproduto o gesso – sulfato de cálcio). O ácido fosfórico encontra emprego industrial amplo, além de também atuar como solubilizador de fosfato da rocha original, dessa feita conduzindo à fabricação do superfosfato triplo, mais concentrado que o anterior.

    O encarecimento do enxofre afeta a demanda do superfosfato simples, deslocando-a na direção de outros produtos mais concentrados, como o MAP, o DAP e o super-triplo, todos obtidos a partir do ácido fosfórico. “Isso nem sempre é interessante, pois os solos brasileiros, em geral, são carentes também em enxofre, um macronutriente secundário dos vegetais”, explicou o agrônomo João Bosco Olivito Nonino, gerente-geral de vendas da Copebrás, empresa do grupo Anglo American. Ele estima a necessidade brasileira em enxofre entre 2,5 milhões e 3 milhões de t/ano.


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