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26 de fevereiro de 2005

Explosivos: Reiventando a pólvora

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    Empresa oferece patentes de explosivos com fórmulas inéditas no mercado mundial

    Química e Derivados: Explosivos: explosivos. ©QDCriavidade, tempo livre, amor pelo tiro e muito conhecimento em química. A mistura desses ingredientes fez com que o aposentado José Franklyn Copche, que durante anos foi o proprietário de uma empresa de recuperação e refino de metais preciosos, reinventasse a pólvora. A afirmação é literal. Colecionador de armas e membro da Federação Brasileira de Tiro, ele tem como hobby passar algumas horas por dia em um laboratório fazendo pesquisas sobre novas fórmulas, em especial de explosivos. Seus estudos já resultaram na descoberta de três produtos, todos eles patenteados e que prometem fazer grande estardalhaço: o propelente plástico (pólvora) Planum, o explosivo primário FX e o propulsor de aerossóis Aeroplan.

    Os bons resultados obtidos com as primeiras experiências feitas a partir das fórmulas descobertas incentivou Copche a procurar dois amigos antigos, também aposentados, com o propósito de que fosse criada uma empresa.

    Um desses amigos é Miguel Roberto Cichitosi, durante muitos anos engenheiro de produção de várias multinacionais e, desde 1989, proprietário da Planum Engenharia e Comércio. O outro é o administrador de empresas Fernando Alves Leite, com vasta experiência em departamentos de marketing e vendas de várias indústrias multinacionais de renome.

    A união resultou na criação, em 2002, da Planum Indústria e Comércio, empresa com o objetivo de transformar as invenções de Copche em produtos comerciais. “No caso do Planum e do FX, explosivos que para chegarem ao mercado precisam ser fabricados em plantas industriais que levem em conta os requisitos de segurança previstos pelo Exército, queremos vender as patentes das fórmulas. Já no caso do Aeroplan, temos a intenção de montar uma fábrica própria em breve”, explica Leite.

    Química e Derivados: Explosivos: Leite - esq., Copche e Cichitosi dir. - planos de vender patentes e montar fábrica. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Leite – esq., Copche e Cichitosi dir. – planos de vender patentes e montar fábrica.

    Na palma da mão – O propelente plástico Planum foi criado a partir de experiências que visavam substituir a nitrocelulose utilizada para detonar as armas de fogo. “Como amante do tiro, me preocupava com a presença dessa substância poluente nas armas”, revela. A intenção não deu certo, mas gerou uma fórmula bem mais valiosa. Com o desenvolvimento das pesquisas, Copche descobriu um substituto para as pólvoras utilizadas atualmente na produção dos fogos de artifício, rojões e das famosas “bombinhas”.

    “Todos os anos se repetem as ocorrências de acidentes causados pelos fogos, que causam danos sérios à integridade física dos usuários, em especial nas crianças. Esses acidentes ocorrem devido ao uso das pólvoras negra ou cloratada, fabricadas com matérias-primas perigosas e poluentes, como clorato de potássio, perclorato de potássio, alumínio em pó, antimônio, sulfeto de antimônio, enxofre micropulverizado, nitrato de potássio e carvão vegetal micropulverizado”, explica o inventor.

    O propelente Planum tem formulação baseada em um polímero nitrogenado de constituição proveniente de compostos utilizados na fabricação de termoplásticos. Por tratar-se de um produto molecular é homogêneo, com aparência de pó branco, leve, semelhante ao PVC micropulverizado, inodoro, insípido, insolúvel na água e em álcoois, ácidos, bases e nos demais solventes aromáticos ou alifáticos.

    “A nossa pólvora apresenta queima rápida, inodora e praticamente sem fumaça. Ela explode de forma muito mais segura”, informa Copche. Para provar o que diz, o inventor da fórmula não se furta da experiência de detonar um pequeno punhado do explosivo na palma de sua mão. “Além disso, ela resiste a todo tipo de choque, atrito ou percussão, podendo ser manuseada, armazenada e transportada com muita segurança. Também é resistente à umidade e não reage com superfícies metálicas ou outros propelentes”, emenda.

    Química e Derivados: Explosivos: Teste mostra que as pólvoras utilizadas em fogos de artifício causam danos ao papel durante a explosão. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Teste mostra que as pólvoras utilizadas em fogos de artifício causam danos ao papel durante a explosão.

    As vantagens, de acordo com os sócios da Planum, não param por aí. Por utilizar matérias-primas não poluentes, a nova pólvora emite CO2, N2 e vapores de água após sua detonação. As pólvoras convencionais emitem resíduos tóxicos na atmosfera, como o óxido de alumínio, trióxido de antimônio e gás sulfuroso.

    Outra vantagem, acrescenta Cichitosi, protege uma das partes mais sensíveis dos corpos dos empresários: o bolso. “As matérias-primas utilizadas na fórmula da pólvora Planum são mais baratas e encontradas em abundância no território nacional, o que não ocorre com as usadas na produção das pólvoras convencionais, muitas delas importadas”, garante Leite. “E o processo de fabricação pode utilizar máquinas e é mais seguro. Os métodos indicados para a fabricação das pólvoras usadas hoje são manuais, o que, além do custo elevado, representam risco para a segurança dos funcionários e das plantas industriais”, acrescenta Cichitosi.

    De acordo com Leite, o potencial de mercado desse produto é imenso, tanto no Brasil quanto no exterior. Por aqui, estima-se que a produção de pólvora cloratada supere a marca das 300 toneladas por mês. Cerca de 90% a 95% da produção está concentrada na cidade de Santo Antônio do Monte (MG), onde existem cerca de 20 empresas produtoras, todas com capacidade instalada próxima das 15 toneladas por mês”, informa.

    O principal fabricante de pólvora negra é a Imbel, empresa controlada pelo Exército Brasileiro com capacidade de produção avaliada em 800 toneladas por mês. Os números do mercado externo também impressionam. O país maior produtor mundial é a China, onde a pólvora surgiu há cerca de 1,2 mil anos. Lá, a fabricação mensal atinge a casa das 3 mil toneladas.


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