Química

11 de dezembro de 2012

Especialidades – Lanxess quer aumentar Ebitda apenas com crescimento orgânico

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    om base em histórico recente e bem-sucedido, a empresa alemã de especialidades químicas Lanxess está com um plano de crescimento bastante audacioso para o médio prazo. Pretende chegar em 2018 aum Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 1,8 bilhão de euros. Registrando taxas de incremento médio anual no lucro de até 20% desde 2004 (foi de € 1,1 bilhão em 2011), a empresa se baseia apenas em projetos de crescimento orgânico para atingir a meta, ao contrário do que vinha fazendo nesses seus primeiros anos de atuação desde o spin-off da Bayer oito anos atrás, período durante o qual vendeu e adquiriu várias unidades produtivas.

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    Axel Heitmann: margens de lucro hoje são de 10% a 20%

    Essa reorganização, segundo revelou o CEO da Lanxess, Axel Heitmann, durante evento para a imprensa mundial em Nova Yorkem setembro, faz hoje a empresa gerar margens de ao menos 10% em todos os seus produtos, atingindo em vários casos mais de 20%, e isso mesmo durante o pior momento da crise global, em 2009. Segundo ele, além do foco em tecnologia e da otimização do portfólio, a rota para o crescimento foi combinar alto investimento, para modernizar ativos existentes, com o fortalecimento da atuação em mercados emergentes, com foco aí na aquisição ou construção de novos sítios produtivos.

    Não por menos, no caso brasileiro, duas ações foram marcantes nessa estratégia: a aquisição da Petroflex, por € 370 milhões em 2007 – maior produtora de borracha sintética na América Latina e com três fábricas (Triunfo-RS, Cabo-PE e Duque de Caxias-RJ) – e da DSM Elastômeros, também com fábrica em Triunfo-RS, por € 310 milhões. Para se ter uma ideia, a Lanxess partiu de uma fábrica em 2005 e pretende chegar a sete até 2013.

    O fato de os próximos passos no Brasil envolverem apenas investimentos orgânicos nas unidades existentes também serve como prova da explicação de Heitmann sobre a estratégia da Lanxess. Em Porto Feliz-SP, onde a empresa fabrica o pigmento inorgânico de óxido de ferro, está sendo construída, para entrar em operação no terceiro trimestre de 2013, uma unidade inédita no país para a produção de compostos de poliamida (PA 6) e de polibutileno tereftálico (PBT), plásticos de engenharia com uso crescente na indústria automobilística (ver PM- 451, pág. 24). Aliás, ainda como parte da estratégia global, em setembro foi inaugurada fábrica de compostos em Gastonia, na Carolina do Norte, nos EUA, praticamente igual à que está em construção no Brasil. A unidade norteamericana, a primeira de plásticos de engenharia da Lanxess naquele país, consumiu 20 milhões de euros e atende à demanda da América do Norte. A brasileira recebe investimento de R$ 75 milhões, valor que também incluirá uma unidade de produção de bladders para pneus (bexigas) no mesmo sítio.

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    Unidades no Brasil produzirão borrachas para os pneus verdes

    O ritmo de fortalecimento da atuação nos mercados emergentes tem mais exemplos, a se basear no previsto a ser feito no Brasil. Na planta de Cabo de Santo Agostinho, um investimento de R$ 15 milhões foi iniciado em 2011 para dobrar a capacidade da linha de produção da borracha de alta performance Nd-BR, a borracha de polibutadieno com catalisador de neodímio (Nd-PBR), utilizada para a fabricação dos chamados pneus verdes, para 40 mil t/ano. Isso porque essa borracha ajuda a reduzir a resistência ao rolamento, fonte de até 30% do consumo de combustível de um carro, e também a abrasão. O material consegue reduzir em até 25% o consumo de combustível e atende às exigências da certificação europeia de selos verdes para pneus, a Tire Labelling, iniciativa, aliás, que será replicada pela ABNT, que prepara um programa similar, e por vários outros países.

    O mercado de pneus verdes cresce 10% ao ano e já representa, junto com plásticos de engenharia, que tornam os carros mais leves, e por isso mais econômicos, 17% do total das vendas da Lanxess, ou 1,5 bilhão de euros, devendo chegar segundo suas projeções a € 2,7 bilhões em 2015. Essa tendência faz a empresa, por sinal, cogitar começar a produzir a solução de borracha de butadieno-estireno (SSBR), empregada nas bandas de rolagem dos pneus verdes, em sua fábrica de Triunfo-RS, substituindo a atual produção de emulsão de estireno-butadieno e aproveitando para tal a nova unidade de butadieno da Braskem no polo gaúcho. Mais uma prova de que o mercado brasileiro é muito importante nos planos globais da Lanxess.



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