Papel e Celulose

24 de fevereiro de 2003

Entrevista

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Publicado por: Rose de Moraes
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    Química e Derivados: Papel: Osmar Elias Zogbi é presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) e do grupo Ripasa.

    Osmar Elias Zogbi é presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) e do grupo Ripasa.

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    produção brasileira de celulose alcançou 8 milhões de toneladas em 2002, crescendo 7,9% em relação a 2001, e foi seguida pela produção de papel que, ao atingir 7,7 milhões de toneladas, expandiu-se em 2,9%. Enquanto as vendas internas de celulose tiveram crescimento de 5%, as vendas de papel expandiram-se em 2%, totalizando, respectivamente, 750 mil toneladas e 4,9 milhões de toneladas.

    O consumo aparente de papel refletiu expressiva queda das importações, totalizando 6,8 milhões de toneladas, com crescimento de 1,2% em relação ao ano anterior, resultado que também trouxe à tona um consumo per capita estável, da ordem de 38 kg/ano.

    Na próxima década, porém, o Brasil deverá ter um consumo per capita de 50 kg/ano, de acordo com o engenheiro Osmar Elias Zogbi, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) e também presidente e superintendente do grupo Ripasa. Para conhecer, no entanto, quais são os alicerces que darão base a perspectivas futuras mais favoráveis, Química e Derivados foi ouvir essa liderança e publica a seguir o resultado da entrevista.

    Meta é dobrar as exportações de papel e celulose até 2012

    Q&D – Quais são as perspectivas para o setor da celulose e papel em 2003?
    Osmar Elias Zogbi – A indústria brasileira de celulose e papel desde o início de sua implantação teve de realizar um esforço gigantesco para poder operar em condições de concorrer com os grandes produtores dos países mais desenvolvidos, devido às próprias características deste mercado, sempre marcado pela competição internacional. Em 2003, daremos início a um novo programa de investimentos com sequência até 2012, período em que pretendemos ampliar a produção para dobrar as exportações, como já fizemos nas duas últimas décadas. Os investimentos realizados em 2002 e os programados para 2003 indicam um aumento da capacidade instalada de l,5 milhão de toneladas para a celulose e de 250 mil toneladas para o papel, o que nos leva a projetar crescimento de 13% na produção de celulose e de 5% na produção de papel em 2003.

    Q&D – Quais foram os índices de produtividade alcançados nos últimos anos?
    Osmar Elias Zogbi – A indústria brasileira como um todo teve de enfrentar uma situação nova e desafiadora, em função do processo de globalização, tornando-se aberta às pressões do comércio e da concorrência internacionais. Nesse período, nosso setor realizou um imenso esforço adicional de racionalização, conseguindo alcançar enormes ganhos de produtividade. Basta dizer que, nas últimas três décadas, aumentamos nossa produção a cada ano, em média, em mais de 7% para a celulose e acima de 6% para o papel.

    Q&D – Qual é o volume de investimentos previstos para os próximos anos?
    Osmar Elias Zogbi – Na última década, investimos US$ 13 bilhões. Esses investimentos, que deverão manter seu nível histórico durante a próxima década, são indispensáveis também para que a nossa indústria mantenha e melhore suas posições de 7° produtor mundial de celulose, 11° fabricante de papel e l° produtor mundial de celulose de fibra curta.

    Q&D – O senhor poderia tecer um panorama sobre o consumo interno da celulose e papel?
    Osmar Elias Zogbi – As empresas integradas produzem 4,2 milhões de toneladas/ano de celulose. Desse total, 3,7 milhões de toneladas são consumidas na produção de papéis por elas próprias, sendo o saldo remanescente de 600 mil toneladas comercializado tanto no mercado interno, como externo. Em papel, as vendas ao mercado doméstico totalizam aproximadamente 5 milhões de toneladas, destacando-se os papéis para embalagens destinados à conversão, que representam l,5 milhão de toneladas.

    Q&D – Quais foram os últimos resultados colhidos com as exportações e o que será feito a partir de 2003 para ampliar a participação do Brasil no mercado externo?
    Osmar Elias Zogbi – Nossas exportações, que eram de pouco mais de US$ 1 bilhão no início da década de 90, ampliaram-se em mais de 100%, alcançando em 2002 US$ 2,2 bilhões, o que gerou um saldo comercial positivo de US$ 1,6 bilhão para o País. Os principais mercados de exportação de celulose são a União Européia e Ásia, que representam cerca de 70% do total das vendas externas. Já quanto às exportações de papel, a América Latina seguida da União Européia, com 60% do total, representam os principais mercados de exportação. Em 2003, nossa meta é exportar US$ 3,1 bilhões e importar US$ 600 milhões, mantendo a balança comercial do setor positiva em US$ 2,5 bilhões. Em função do cumprimento de nossas metas, o setor da celulose e papel vem buscando ampliar sua atuação no comércio exterior, estabelecendo negociações de acesso a mercados da Alca, União Européia, Comunidade dos Países Andinos, México, entre outros. Adicionalmente a essas negociações, a AFCP – Associación de Fabricantes de Celulosa y Papel, de Buenos Aires, Argentina, e a Bracelpa assinaram a quarta renovação do acordo binacional para papéis para imprimir e escrever. O significado e a importância desse acordo podem ser avaliados pelo alto grau de interesse despertado entre as autoridades governamentais dos dois países.


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