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29 de julho de 2013

Entrevista: Walter Piccirillo Pinto, fundador da Ipel Itibanyl

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Piccirillo: aproximação com clientes gera crescimento

    Piccirillo: aproximação com clientes gera crescimento

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    antenha tudo simples. Esse moto acompanhou a trajetória empresarial de Walter Piccirillo Pinto, fundador da Ipel Itibanyl, a criativa fabricante nacional de moléculas biocidas e provedora de soluções completas para a gestão de controle microbiológico. Foi exatamente pensando com simplicidade que ele montou uma empresa de especialidades químicas capaz de enfrentar as poderosas transnacionais desse mercado e obter moléculas, família das isotiazolinonas e diversos tipos de semiacetais com um custo competitivo, mesmo se comparado ao dos produtos de origem chinesa. Mais que isso: está se preparando para iniciar sua produção na China para atender àquele gigantesco mercado.

    Pensando simples, Walter Piccirillo Pinto optou por cursar química industrial, logo depois de dar baixa no serviço militar obrigatório, em 1960. Estudante, encontrou emprego em indústrias de tintas, até se tornar sócio de uma delas na mesma época em que se formou em administração de empresas. Em tempos bicudos, vendeu a empresa e assumiu o cargo de direção em um fabricante de adesivos, do qual se desligou quase dez anos depois para montar empresa própria, com o objetivo de fornecer insumos diversos para os produtores de tintas. Enquanto estruturava seus negócios, ficou sabendo que o setor enfrentava dificuldades para substituir os conservantes mercuriais, ainda em uso nos anos 1980. Como já conhecia alguns produtos orgânicos que podiam dar conta do recado, entre eles a metil-cloro-isotiazolinona, decidiu concentrar seus esforços como formulador desses produtos, dos quais, mais tarde, tornou-se fabricante, numa decisão simples.

    Piccirillo recebeu Química e Derivados em sua fábrica, instalada na tranquila Jarinu-SP, ao lado do filho Leonardo, com a mesma simplicidade que preconiza, para mostrar como é ainda possível superar as dificuldades e manter com sucesso uma empresa química totalmente nacional.

    Química e Derivados – Como foi que o sr. teve a ideia de ingressar no ramo dos conservantes?
    Walter Piccirillo Pinto – Isso aconteceu em 1988, quando percebi que havia um mercado enorme surgindo para esse tipo de produto. Mas isso só foi possível porque eu já tinha uma experiência grande em tintas e adesivos.

    QD – Como químico?
    Piccirillo – Químico industrial. Eu acabara de sair do serviço militar e não queria seguir o científico, então preferi a alternativa que me permitiu trabalhar logo. Entrei na escola e consegui emprego na Tintas Tigre, que ficava no bairro do Ipiranga, em 1960. Minha ideia era aprender trabalhando, por isso aceitei o salário que me ofereceram. Lá não havia nenhum químico formado, então aprendi muita coisa na prática, com o pessoal da produção, mas pude aplicar os conhecimentos que aprendia na escola.

    QD – Mesmo sem uma orientação formal?
    Piccirillo – Logo depois, a Tigre comprou a Vernizol, que tinha um químico suíço muito bom que foi integrado à equipe. Logo me tornei seu braço direito. Esse químico percebeu que eu estava ganhando muito pouco pelo trabalho que fazia e se dispôs a conversar com os donos. Como eles não concordaram com o aumento, ele me indicou para trabalhar na Tintas Lamar, na qual fui trabalhar em 1961.

    QD – Foi melhor para o sr.?
    Piccirillo – Sim. A Tigre fazia tintas industriais e tintas a óleo para quadros. A Lamar atuava em outros segmentos de mercado que complementaram meu conhecimento com seladoras, tintas para madeira, vernizes e tintas para repintura automotiva, já que predominavam no mercado os carros importados.

    QD – Como foi essa experiência?
    Piccirillo – As coisas aconteceram muito rápido. No final de 1962, meu primo, químico formado, trabalhava na Olivetti, das máquinas de escritório, que tinha uma fábrica muito moderna em Guarulhos-SP. Eles estavam montando um laboratório de controle de qualidade de tintas e precisavam de alguém que entendesse disso. Meu primo me convidou. Conversei com os donos da Lamar e eles entenderam a situação, porque o salário da Olivetti era muito maior. Fui para lá e participei da implantação do laboratório de controle de qualidade de tintas e ao mesmo tempo atuei na área de aplicação industrial, contribuindo para resolver problemas de aplicação das tintas na linha de produção.

    QD – O sr. ficou muito tempo por lá?
    Piccirillo – Fiquei um ano. Aconteceu que saí de férias no final de 1963. Era um sábado. Na segunda-feira, a Tintas Tigre me chamou para voltar para lá. No dia seguinte, a Lamar também me convidou para voltar.

    QD – Mas eram anos difíceis, a renúncia do Jânio Quadros, a posse de João Goulart…
    Piccirillo – Veja bem, havia essa atmosfera de agitação, mas as indústrias estavam se modernizando. Os sistemas de produção que existiam eram muito primários e o mercado estava crescendo. Então, havia uma grande procura por gente qualificada. A proposta da Lamar não era muito boa em termos salariais, mas o que me agradou foi a possibilidade de participar nos desenvolvimentos e nos resultados por ele gerados.


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