Economia

22 de janeiro de 2014

Entrevista: Petroquímica precisa manter competitividade

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Mascarenhas: nas condições atuais, é melhor produzir no exterior

    Mascarenhas: nas condições atuais, é melhor produzir no exterior

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    m dos executivos mais historicamente ligados ao setor petroquímico no Brasil, o engenheiro José de Freitas Mascarenhas acredita que, se os americanos continuarem a pautar o preço das matérias-primas para a indústria química com base nos preços vigentes do shale gas, e se paralelamente não forem aprovadas contramedidas por aqui, “a melhor solução para nossas empresas será mesmo produzir lá fora e exportar para cá”.

    Mascarenhas ressalta que a política de preço das matérias-primas para a indústria química é muito mais importante estruturalmente do que o manuseio dos componentes da política macroeconômica. Diante do quadro atual, marcado pela baixa competitividade da indústria química, em razão do preço das matérias-primas, ele entende que a opção pela produção nos Estados Unidos ou em outro país tende a ser inevitável.

    Na década dos anos 70, Mascarenhas coordenou o planejamento regional para a implantação do segundo polo petroquímico brasileiro, em Camaçari-BA. Atualmente, é presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e diretor da Odebrecht S.A., com assento no conselho de administração da Braskem.

    Com a agenda tumultuada, como é de se esperar pelas suas atribuições múltiplas, Mascarenhas atendeu às solicitações do jornalista José de Castro Leal Valverde por telefone e mediante uma intensa troca de informações por e-mails enviados de vários países. O resultado está aqui, exclusivamente para os leitores de Química e Derivados, como homenagem aos 35 anos de operação do polo de Camaçari.

    Química e Derivados – Qual mudança de rumo ou de estratégia a indústria química nacional deve empreender para assegurar sobrevivência e prosperidade em um provável ambiente marcado pela abertura mais acentuada da economia?

    José de Freitas Mascarenhas – Essa possibilidade de mudança não faz muito sentido nos dias atuais, enquanto os fatores inibidores de maior competitividade da indústria brasileira não forem removidos. Diria que a direção do movimento deveria ser outra, como aliás reconhece o governo federal, com o esforço aplicado na aprovação da MP 613 [de maio de 2013, que isentou de PIS/Cofins a primeira e segunda geração petroquímica], esta sim, favorecendo a competitividade da indústria química. Mas a atenção à questão da política de preços das matérias-primas para a indústria química é muito mais importante estruturalmente que o manuseio dos componentes da política macroeconômica. Se os americanos continuarem a pautar sua política de produção dos petroquímicos com base nos preços vigentes do shale gas, e nós não tomarmos contramedidas, então nós vamos ter um grande problema a resolver. Se nada for feito, a melhor solução para as nossas empresas será mesmo produzir lá fora, e exportar para cá. De toda forma, e em qualquer
    circunstância, penso que a indústria deve continuar a perseguir a competitividade da produção nacional.

    QD – O polo petroquímico do Nordeste, que parece ser o mais vulnerável, foi formado em um ambiente macroeconômico caracterizado pela substituição de importações e não pelo interesse em produzir para também suprir o mercado global, como fazem os chineses. Essa característica requer uma correção e essa correção seria realmente possível? Ou a estratégia continuaria direcionada para o mercado interno, notadamente para o ainda travado mercado consumidor do Nordeste?

    Mascarenhas – De fato, as políticas econômicas do Brasil e da China são diferentes, e não é o caso de discuti-las aqui. Também é fato que o segundo polo petroquímico – como todos os outros – na origem foi orientado para produzir visando o suprimento do mercado interno. Mas, com a posterior globalização dos mercados, as empresas passaram a defender sua sobrevivência e perpetuidade, com base nas reais condições de retorno econômico, determinadas pelas novas políticas públicas. O fato é que, com raras exceções, as indústrias brasileiras que não contam com fatores de produção ligados a recursos naturais, como minerais e celulose, não estão fazendo parte das cadeias globais de produção. Isso acontece basicamente por uma questão: falta de competitividade. E, lá fora, ninguém perde o sono por isso. Mudar esse quadro não é fácil, vamos reconhecer. Requer um grande esforço de redirecionamento de políticas.

    QD – Que análise atual o senhor apresentaria do segundo polo petroquímico, empreendimento instalado na Bahia pelos governos militares, com o propósito específico de desenvolver o Nordeste com a oferta local de olefinas, aromáticos e consequentes produtos de segunda geração destinados à ampla indústria de transformação?

    Mascarenhas – Na Bahia, a petroquímica passou por substantiva reestruturação no início dos anos 2000, quando a Copene foi vendida e, em seguida, criada a Braskem. A profundidade dessa transformação pode ser medida pela análise das empresas de segunda geração que foram incorporadas à Braskem: OPP, Nitrocarbono, Propet, Polialden e Trikem. Posteriormente, a Politeno e a Quattor foram também incorporadas. Mais recentemente, este processo foi ampliado, com a entrada da Petrobras no grupo, mediante a aquisição de quase metade das ações da Braskem – logo a seguir essa integração foi ampliada nacionalmente para toda a petroquímica brasileira. Na Bahia, houve então um salto de qualidade nesse segmento, com consequência positiva em muitos aspectos, a exemplo da maior inserção na economia mundial e a operação em escala global. No entanto, essas ações de busca de eficiência no setor privado nunca terminam, os desafios apenas mudam.


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