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21 de agosto de 2013

Entrevista: Novo perfil ressalta as especialidades químicas

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Pedro Fortes: patinho simboliza a nova imagem da Eastman

    Fortes: patinho simboliza a nova imagem da Eastman

    Uma empresa em fase de transição. Descreve, assim, a situação atual da Eastman Chemical o diretor-geral da subsdiária brasileira, Pedro Luiz Discacciati Fortes. Desde a venda do negócio de tereftalato de polietileno (PET), em 2010, para a Dak Americas, a companhia deixou para trás a atuação em commodities e trilhou o caminho da diversificação de produtos e das especialidades químicas, assumindo uma identidade nova, reforçada por uma sequência de aquisições, entre as quais sobressai a da Solutia, em julho de 2012, empresa global formada pelos ativos desmembrados da antiga Monsanto. Naquele momento, no Brasil, a Eastman havia acabado de dar um passo muito importante, a compra da produtora de plastificantes, ésteres lubrificantes e polióis poliésteres Scandiflex, em Mauá-SP, em setembro do ano anterior.

    Esses movimentos desenham um novo perfil de empresa química, com uma estrutura redesenhada no final de 2012, com cinco unidades de negócios globais. Além disso, a Eastman prepara a transição na alta direção mundial. O CEO Jim Rogers, ex-piloto de caça da marinha dos Estados Unidos (1973-1980), com MBA na prestigiosa Wharton School, que comanda a companhia desde 2009, deixará em janeiro o cargo para assumir uma posição no conselho de administração, tendo sido indicado o vice-presidente Mark Costa para sucedê-lo. Em meio a tantas mudanças, a imagem da companhia para muitos observadores parece um tanto quanto indefinida, encoberta por brumas que Pedro Fortes começa a afastar com esta entrevista, concedida à Química e Derivados no escritório central da Eastman Chemical do Brasil, na Chácara Santo Antônio, em São Paulo.

    Química e Derivados – Como o senhor se sente no comando de uma empresa em transformação?
    Pedro Luiz Fortes – Como se vivesse um sonho. Estou na Eastman há onze anos e há dez trabalhamos para iniciar uma produção local. Foram muitos anos esperando pela possibilidade de tocar projetos novos, com novos desafios. A equipe toda está com o ânimo revigorado com a perspectiva de participar do desenvolvimento dos negócios e também de crescimento pessoal.

    QD – Mas a imagem que existe no mercado sobre a Eastman ainda está ligada aos solventes, resinas poliéster e, apesar de ter vendido esse negócio, ao PET. As mudanças foram rápidas demais para assimilar?
    Fortes – Queremos nos distanciar dessa imagem antiga. Estamos construindo a nova Eastman, uma indústria química diversificada que está muito perto de se definir como empresa de especialidades químicas. O PET foi uma parte importante dos nossos negócios, tivemos uma fábrica em Zárate (Argentina). Chegamos a desenvolver uma tecnologia inovadora, mais eficiente, a Integrex, que foi usada em uma fábrica nossa inaugurada em 2007, nos Estados Unidos. Mesmo assim, era uma commodity, e a companhia preferiu sair desse tipo de produto e vendeu o negócio no final de 2010, com a conclusão no começo de 2011. Essa venda nos permitiu mudar a visão da companhia. Mantivemos a linha de solventes e de plásticos especiais, mas com um foco mais sofisticado. Compramos a Sterling, em 2011, uma empresa norte-americana que produz ácido acético e plastificantes especiais, produtos coerentes com o nosso portfólio. Também adquirimos a fabricante de semicondutores Dynaloy e a TetraVitae Bioscience, no mesmo ano.

    QD – O que esses movimentos representaram para a companhia?
    Fortes – As mudanças foram muito profundas. Tínhamos cerca de dez mil funcionários em todo o mundo e passamos a contar com um time de 13,5 mil colaboradores em cem países. Também ganhamos mais fábricas: eram 23, agora temos 44, com um portfólio de produtos muito maior. A distribuição geográfica do faturamento ficou mais ampla, menos concentrada na América do Norte. Em 2012, essa região representou 45% das vendas, com a região da Ásia (China, Sudeste Asiático e Oceania) com 28%, e mais 21% na área da Europa, Rússia e África. As Américas do Sul e Central só respondem com 6%, mas vão crescer. O faturamento global consolidado chegou a US$ 9,1 bilhões em 2012.

    QD – Atuar em especialidades exige algumas adaptações por parte de quem vem das commodities. A estrutura de negócios sofreu alterações?
    Fortes – Ainda estamos digerindo a aquisição da Solutia, mas já encontramos muita complementariedade e sinergia entre as operações. Para começar, foram criadas cinco divisões de negócios, uma delas só para plastificantes e adesivos, dentro da qual se situam as atividades da Scandiflex, empresa com longo histórico de atuação com produtos especiais. Aliás, a Eastman é líder mundial em plastificantes não-ftálicos, um campo com grandes possibilidades de crescimento.


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