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3 de dezembro de 2013

Entrevista: Gigante químico está integrado na região

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Lima: semelhanças eram maiores que diferenças

    Lima: semelhanças eram maiores que diferenças

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    tarefa de Osni de Lima consiste em completar, em âmbito regional, a fusão de dois gigantes globais, Solvay e Rhodia. Embora o grupo empresarial belga tenha adquirido em setembro de 2011 a companhia química francesa, sucessora da Rhône-Poulenc, o nome Rhodia foi mantido para representar o conglomerado no Brasil, onde vem sendo usado há 94 anos. A presidência mundial da companhia foi exercida inicialmente por Christian Jourqin, que se aposentou e deixou o lugar para o executivo Jean-Pierre Clamadieu, oriundo da parte francesa.

    Osni de Lima ingressou na Rhodia em 2001 para dirigir a área de recursos humanos, tendo acumulado vasta experiência anterior em empresas como Alcan, DuPont, Merck (farmacêutica) e Tess (telecomunicações). Assumiu a presidência da Rhodia América Latina em abril de 2012, com a saída de Marcos De Marchi para a Elekeiroz, cargo reformulado pela nova Solvay, que colocou sob seu comando as operações na América do Sul e no México. Porém, a estrutura do grupo químico compreende 11 unidades de negócios globais (GBU), agrupadas em cinco áreas: consumer chemicals, advanced materials, performance chemicals, functional polymers, e corporate business and services. Trata-se de uma estrutura matricial complexa, na qual as GBUs respondem diretamente aos seus líderes mundiais, embora a presidência regional tenha o encargo de coordenar as suas atividades.

    O presidente do grupo Solvay na América do Sul recebeu Química e Derivados na sua sede regional, no Centro Empresarial de São Paulo, em instalações completamente reformuladas para abrigar todos os profissionais da empresa consolidada na região.

    QD – Como vão os trabalhos de integração da Solvay com a Rhodia? As diferenças culturais entre as antigas companhias atrapalham?
    Osni de Lima – Existiam diferenças culturais, mas posso garantir que as semelhanças eram ainda maiores. Solvay e Rhodia eram, e ainda são, companhias de grande porte, com atuação mundial e foco na inovação e na eficiência operacional. Isso ajuda muito. Além disso, praticamente não havia negócios idênticos nas duas companhias, portanto, houve uma complementação de portfólio, sem a necessidade de eliminar duplicidades. Isso só aconteceu na parte administrativa, mesmo assim foi relativamente fácil consolidar a equipe.

    QD – O fato curioso é que, pelo menos no Brasil, a parte comprada acabou sendo a dominante. E mesmo em termos globais, o fato de o presidente executivo (CEO) ter vindo da Rhodia também é, de certa forma, curioso.
    Lima – Dentro das expectativas dos acionistas do grupo Solvay, essa foi a melhor solução. Aqui, no Brasil, estamos em um estágio muito avançado de consolidação, somos talvez a primeira região a colocar no mesmo espaço físico os escritórios das duas companhias. Parece fácil, mas não é. A instrução global era alugar e equipar um espaço totalmente novo, para que nenhum dos profissionais se sentisse em posição de desequilíbrio em relação aos outros. Ou seja, um campo neutro, nada que pudesse ser entendido como “parte dominante”. Aqui, dado o alto custo para alugar escritórios novos de alto padrão, optamos por reformar totalmente o andar que ocupávamos e ainda conseguir mais um espaço no prédio para acomodar a todos. Mudamos todos os aspectos visuais, cores, carpetes, mobiliário. Realmente, não há nada que lembre a antiga empresa.

    QD – Falta alguma coisa para completar a fusão regional?
    Lima – Na parte administrativa, os sistemas de tecnologia da informação ainda estão rodando separados. Isso é muito complicado, vai demorar mais um pouco. É normal. A área de polímeros especiais da Solvay era a única que tinha algum confronto com os negócios da Rhodia, embora a primeira se dedicasse mais aos fluorpolímeros, enquanto a outra se especializou nas poliamidas. Decidimos, então, agrupar todo esse pessoal na unidade de São Bernardo do Campo-SP, com o objetivo de promover sinergias.

    QD – As companhias também tinham políticas diferentes em relação a planos de benefícios e de pensão para seus funcionários, em âmbito global. Isso já foi equacionado?
    Lima – Esse assunto ainda é um desafio para a nova administração. De fato, as companhias tratavam esses temas de forma diferente e não há uma decisão de como lidar com isso. Por enquanto, nada mudou nesse aspecto.

    QD – O grupo Solvay sempre foi muito conservador em relação à disciplina financeira e na política de investimentos. De alguma forma, isso afetará o Brasil, cujo ambiente de negócios não é dos mais favoráveis atualmente?
    Lima – A atual direção mundial do grupo conhece bem o Brasil e sabe que esses cenários por aqui mudam muito rapidamente. O país ainda é visto com bons olhos, com um grande futuro pela frente.

    QD – A operação brasileira ainda é relevante para o grupo?
    Lima – É muito importante. O site de Paulínia-SP, por exemplo, hoje é o maior do grupo em todo o mundo. Até o ano passado era o segundo, mas como o site de Tavaux, na França, foi incluído na joint-venture com a Ineos para a atividade de policloreto de vinila (PVC), Paulínia assumiu a liderança em volume de produção. Veja que duas das 11 GBUs estão sediadas no Brasil: a de fibras e a Coatis (solventes e intermediários da cadeia do fenol). O país tem posição de destaque na produção química obtida de fontes renováveis, uma das grandes tendências para o futuro do setor.


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