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16 de outubro de 2013

Entrevista: Fabricante de tintas nasce para ser líder

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Antonio-Carlos-de-Oliveira_Axalta

    Oliveira: Axalta entrará na linha decorativa

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    hama-se Axalta Coating Systems e tem por objetivo de longo prazo se tornar a maior fabricante de tintas do mundo. A empresa é resultado do spin off da divisão de tintas automotivas da DuPont, a DPC (DuPont Performance Coatings), vendida por US$ 4,9 bilhões para o grupo de investimento privado Carlyle em 1º de fevereiro deste ano. A Axalta assume um negócio com faturamento de US$ 4,3 bilhões em 2012, fruto da operação de 35 fábricas e sete centros de pesquisas espalhados por alguns dos 130 países nos quais atua, entre eles o Brasil. Instalada em Guarulhos-SP, na unidade fabril iniciada em 1962 pela antiga Polidura e comprada pela DuPont em 1975, a subsidiária local é presidida pelo engenheiro químico Antonio Carlos de Oliveira, experiente e reconhecido profissional do setor, que revelou à Química e Derivados os caminhos que serão trilhados daqui para a frente pela jovem companhia. Oliveira ingressou na DuPont em 1973, como estagiário de laboratório, passou por vários cargos, no país e no exterior, acompanhando durante esse período a evolução dos negócios em escala global.

    QD – A DPC foi comprada por um grupo do setor financeiro. Na prática, o que muda no dia a dia dos negócios?
    Antonio Carlos de Oliveira – Podemos dizer que, agora, o nosso foco está concentrado em tintas e acabamentos, nos dedicamos totalmente a essa atividade e não concorremos com outros interesses.

    QD – A transição deixou algum ressentimento?
    Oliveira – Pelo contrário, a DuPont conduziu um processo de transição perfeito, que manteve o valor do negócio. Há alguns anos a companhia decidiu concentrar seus esforços nas áreas ligadas aos alimentos, energia e no agronegócio, por uma decisão estratégica. Dentro da DuPont, a DPC era um gerador de caixa muito bom, mas não alinhado com a expectativa de longo prazo. Era uma vaquinha leiteira, a milky cow, como dizem os americanos. Quando a companhia decidiu se desfazer da produção de tintas automotivas e industriais, ela preparou bem a operação e buscou alguém realmente interessado em manter o negócio, mediante um valor adequado. Saliento que a equipe mundial foi toda transferida para a Axalta, com as instalações fabris, laboratórios e marcas comerciais. Até o pessoal da área administrativa, que compartilhávamos com o resto da companhia, foi separado e transferido para Guarulhos. Não houve nenhum tipo de ruptura, foi muito tranquilo e transparente.

    QD – Os clientes sentiram alguma diferença?
    Oliveira – Nenhuma. Os 14 mil funcionários mundiais são os mesmos, a equipe no Brasil tem 1,2 mil colaboradores, todos mantidos. Os valores corporativos, como a atuação ética, o respeito ao meio ambiente e à segurança vieram da DuPont e foram reforçados. Além disso, os compromissos com os clientes globais e regionais foram preservados e serão aprofundados.

    QD – As marcas dos produtos serão as mesmas?
    Oliveira – Com certeza, tanto os produtos da DuPont quanto os da Herberts foram transferidos para a Axalta. Polidura, CorMax, Duxone e todas as outras continuarão no mercado. O que os clientes perceberão é a mudança em alguns logotipos, porque precisaremos abandonar o formato oval que é característico da DuPont. O contrato de venda nos permite usar o oval por 24 meses a partir de 1º de fevereiro deste ano. Esse período é suficiente para mudar a identidade visual e renovar os estoques de produtos, sem perder a força das marcas.

    QD – Fazer parte de uma grande corporação química oferecia sinergias?
    Oliveira – Algumas, é verdade, mas não muitas. Desde a compra da Herberts, na década de 1990, a atividade de P&D foi descentralizada, por isso temos sete centros de excelência mundiais. O setor de tintas não faz muita pesquisa pura, mas aplica os conhecimentos produzidos pela ciência tanto nas formulações quanto na etapa da aplicação do revestimento. Por sua vez, uma empresa bicentenária como a DuPont inevitavelmente possui uma estrutura interna poderosa e pesada. A Axalta nasceu lean, enxuta. Isso nos dá mais agilidade para a tomada de decisões. E custos menores, também.

    QD – Até o começo deste ano, o sr. se relacionava com um gigante químico mundial, agora o sr. se reporta a um gigante financeiro. O diálogo é diferente?
    Oliveira – O relacionamento com um grupo financeiro é uma coisa nova para nós, mas o início está sendo muito bom. O grupo Carlyle é um investidor do tipo private equity com 25 anos de experiência e mais de US$ 170 bilhões aplicados em diversos empreendimentos. A Axalta se enquadra na divisão de negócios em transportes (transportation), ao lado dos pneus da Goodyear, das transmissões da Allyson e da locadora Hertz, por exemplo. O foco do Carlyle é gerir bem cada empresa do portfólio e obter lucros crescentes, ou seja, manter a estrutura de produção e de qualidade. Com isso, oferece retornos adequados aos investidores que participam do fundo, além de valorizar cada um desses negócios para uma eventual venda futura ou abertura de capital na bolsa. Eles são excelentes em finanças, mas apoiam as decisões da área operacional, buscam manter as competências existentes. Eles querem resultados, é óbvio, mas entendem os ciclos de negócios, não impõem metas que não possam ser cumpridas.


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