Economia

3 de junho de 2013

Entrevista – Demanda firme estimula setor a superar obstáculos

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Marcos De Marchi, Elekeiroz, plano de crescimento inclui inovação

    De Marchi: plano de crescimento inclui inovação

    Ganhar “musculatura” para se habilitar à disputa de espaços no mercado petroquímico internacional é a meta perseguida por Marcos De Marchi, atual presidente executivo da Elekeiroz, uma das mais antigas indústrias químicas do Brasil, com 118 anos de atividades e capital acionário nacional (grupo Itaúsa). Engenheiro mecânico, De Marchi fez longa carreira na Rhodia, na qual ingressou como estagiário, em 1979, e exerceu várias atividades, desde a produção de têxteis até a presidência da companhia na América Latina, cargo que deixou para assumir o atual, em abril de 2012.

    De Marchi também é o 3º vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), sendo o coordenador da comissão de economia da entidade setorial, função que lhe permite acompanhar de perto a evolução dos negócios químicos e petroquímicos nacionais, bem como as suas agruras, evidenciadas pelo aumento da participação de produtos químicos importados no mercado nacional.

    Química e Derivados entrevistou De Marchi quando ele retornou de San Antonio (Texas), onde participou da reunião da American Fuel & Petrochemicals Association (AFPM), nova denominação da National Petrochemical & Refiners Association (NPRA). Lá encontrou um ambiente de euforia, alimentada pelas expectativas criadas em torno do shale gas e do shale oil, formas não convencionais de obtenção de gás natural e petróleo. Contando com gás barato, abaixo de US$ 5 por milhão de BTUs, os anúncios de investimento em crackers de etano pipocam nos Estados Unidos e geram nova onda de investimentos na cadeia produtiva.

    QD – A petroquímica norte-americana, que se supunha morta ou hibernando, vai ressurgir com o shale gas?

    De Marchi – Só se falou nisso na conferência internacional de petroquímica da AFPM. Usaram e abusaram da palavra renaissance. O gás e o óleo mais baratos, e em solo americano, devem ter grande influência na petroquímica e também no preço global das matérias-primas.

    QD – Eles não estariam sendo precipitados, sem avaliar melhor os riscos ambientais, por exemplo?

    De Marchi – Eles têm essa preocupação, mas isso ainda é pouco evidente. O que realmente pode preocupar é a reação de outros mercados aos novos preços do gás. Um dos executivos mais importantes do setor disse que a única certeza que existe são as flutuações de preços de matérias-primas. Há mais países com possibilidade de explorar o shale gas, como a China e a Argentina, por exemplo, e podem surgir alternativas.

    QD – Isso torna o futuro mais nebuloso?

    De Marchi – A discussão que eles travam no momento é se é melhor exportar o gás natural barato para realizar lucros imediatamente ou se deve haver incentivos ou bloqueios oficiais para impedir essa exportação e estimular o renascimento das cadeias a jusante, agregando mais valor ao gás. Essa proposta implica exportar derivados petroquímicos, mas exige esperar para ver o resultado. Há defensores ferrenhos das duas correntes.

    QD – Para a Elekeiroz, o encontro de San Antonio trouxe negócios?

    De Marchi – Estamos sempre atentos ao que se passa nos mercados, temos algumas operações, mas ainda precisamos ganhar “musculatura”, escala de produção e estrutura operacional para entrar firme nos mercados internacionais. Nossa meta atual é crescer, mas sempre com resultados positivos no balanço.

    QD – Não é fácil conseguir isso, ainda mais com o shale gas barato nos EUA.

    De Marchi – Não é impossível, mas estamos espremidos, como toda a indústria química e petroquímica brasileira, de um lado pelo suprimento de matérias-primas, que é limitado e caro, e de outro pelo preço dos produtos importados. Precisamos encontrar caminhos entre essas duas frentes de pressão.

    QD – Qual o caminho para crescer?

    De Marchi – Estamos buscando crescer por três caminhos. O primeiro é o crescimento orgânico, investindo no próprio negócio. Por exemplo, fizemos em 2012 o desengargalamento (DBN) da nossa linha de produção de resinas de poliéster, passando de 12 mil para 18 mil t/ano. Em 2011 já havia sido ampliada a unidade de ácido fumárico, e há uma série de projetos que são desenvolvidos aos poucos. A segunda via é a inovação, montamos laboratório para criar produtos novos ou para esticar o aproveitamento dos itens existentes para outros usos, reforçando o nosso marketing de desenvolvimento. Nosso setor de pesquisa, desenvolvimento e inovação conta com 15 pessoas qualificadas e já possui um portfólio de projetos bem interessante, alguns deles na linha da inovação aberta. Nessa modalidade, temos contratos firmados com universidades e institutos de pesquisa brasileiros para fazer pesquisa científica ou aplicada. Nós não teríamos como arcar com todos esses custos sozinhos, temos nesses contratos 12 PhDs trabalhando, não em full time, mas apoiando nossos esforços. Esse tipo de parceria entre empresas e universidades é muito comum na Alemanha, por exemplo. O terceiro caminho é o das fusões e aquisições, estamos sempre estudando possibilidades.


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