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20 de dezembro de 2013

Entrevista: Análises apontam mudanças nos rumos do setor químico

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Dickson: indústria química é excelente para produzir, mas ruim para vender

    Dickson: indústria química é excelente para produzir, mas ruim para vender

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    análise de centenas de balanços de empresas químicas e petroquímicas permite antever tendências e antecipar movimentos para 2020. Faltam menos de sete anos para isso, mas a grande quantidade de variáveis, algumas das quais surpreendentes, por vezes impõem a necessidade de revisões, como se deu com o advento do shale gas. Para compartilhar com os brasileiros essa visão de futuro, Duane Dickson, líder do setor de produtos químicos mundiais da Deloitte Touche Tohmatsu Ltd. (DTTL), veio ao país em outubro e conversou com empresários regionais desse segmento mundial sobre a situação atual dos movimentos de fusões e aquisições. Com experiência profissional de 34 anos em consultoria e em empresas de porte global, como Union Carbide – “o melhor emprego do mundo”, diz –, e Hercules/Betz Dearborn, ele foi responsável por desenvolver e executar estratégias regionais e globais de crescimento e melhoria de rentabilidade em vários negócios na América do Norte, Ásia, Europa, Oriente Médio/África, América do Sul e Austrália, além de ter participado de várias operações de fusões e separações de empresas. Dickson é formado em administração de negócios (Southern Methodist University), especializado pelo programa de gerenciamento avançado da London Business School e foi por 20 anos membro do conselho consultivo do Instituto de Estudos da Biosfera de Yale. Ele recebeu Química e Derivados no escritório da DTTL em São Paulo.

    Química e Derivados – O shale gas mudou os prognósticos da indústria para o futuro?
    Duane Dickson – Antes do aparecimento do shale gas, pensávamos que o balanço da cadeia de suprimentos se deslocaria para os países do Oriente Médio e para a China. O shale gas mudou essa visão. Com energia e matérias-primas mais baratas, os Estados Unidos recuperaram sua competitividade. Isso nos fez rever os estudos, embora os princípios do negócio petroquímico e químico sejam os mesmos.

    QD – Como foi feito esse estudo?
    Dickson – Analisamos a fundo 250 companhias químicas e petroquímicas ao redor do mundo com faturamento anual acima de US$ 1 bilhão. Com isso, pudemos ver pontos fortes e fracos e identificar tendências. Uma delas é que, até 2020, a consolidação empresarial vai continuar nesses segmentos. Em contrapartida, esperamos que surjam novas companhias em combustíveis automotivos e em materiais avançados, que contribuam para enfrentar os desafios do setor de transportes.

    QD – Quem tende a sofrer mais nesse caso?
    Dickson – A produção das commodities seguirá adiante com quem tenha matérias-primas baratas, mas poucas empresas permanecerão nisso. As demais comprarão olefinas e intermediários para produzir especialidades e produtos mais sofisticados, como fármacos. Hoje, alguns pequenos crackers de nafta ainda sobrevivem para suprir clientes locais na Escandinávia, na Inglaterra e no Japão. Eles apenas sobrevivem. Se o mercado de automóveis se desloca para outras regiões, porque manter esses crackers? Nenhum país quer perder empregos, mas isso vai acabar acontecendo. As companhias de porte intermediário não tiveram bons resultados nos últimos anos e poucas terão capacidade para manter crescimento orgânico ou por aquisições. Quem está nesse pelotão precisa investir em catalisadores e em outras tecnologias, além de contar com as mais eficientes operações e intervenções de manutenção, para que possam produzir polímeros para segmentos específicos, como embalagens e têxteis.

    QD – O corte desses pequenos crackers é inevitável?
    Dickson – Isso acontece em todos os setores da economia: em papel e celulose, no aço e em outros. O mercado sempre busca a racionalização. Das 250 empresas que entrevistamos e analisamos, estimamos que entre 15% e 20% não existam mais em 2020. Ou elas fecharão ou serão compradas por outras até lá.

    QD – Proteções a mercados regionais não podem evitar esse fechamento?
    Dickson – Proteções tarifárias e não-tarifárias vão e vêm o tempo todo. Há uma quantidade enorme de exemplos na China e até nos Estados Unidos. O que realmente importa é se o mercado local é forte o suficiente para manter o negócio depois da proteção. E as companhias devem ingressar em todos os mercados nos quais possam competir.

    QD – É possível atuar apenas em um mercado mais limitado?
    Dickson – Existem milhares de empresas químicas ao redor do mundo. Nós estudamos as 250 maiores. Verificamos que existem empresas com atuação meramente regional, e algumas têm alcance apenas nacional. Isso não é suficiente. É preciso ter presença global para contar com uma demanda mais firme, estável, e com ela manter a capacidade produtiva ocupada o máximo possível. Os Estados Unidos e a Europa são economias maduras, elas crescem pouco, por isso precisam de outros mercados para impulsionar seu desenvolvimento.


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