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14 de outubro de 2002

Ensino: Duas escolas numa só – engessar ou flexibilizar o ensino da engenharia química ?

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Autores apresentam para debate uma proposta de reforma dos cursos de engenharia química

    Coexistem duas correntes de ensino para formar engenheiros químicos: a “alquimista”, oriunda da Química Industrial e que preconiza muito estudo de matemática, física e química, e a “mecanicista”, que pretende minimizar os conhecimentos das químicas e cuja introdução se deu nos anos 60 via disciplinas de fenômenos de transporte e de análise, modelagem e engenharia de processos químicos em cursos de mestrado e doutorado e depois na graduação. A substituição da experiência profissional de antigos quadros docentes por recém pós-graduados e as mudanças das políticas de ensino resultaram em alguns problemas.

    Química e Derivados: Ensino: ensino1a.Para começar, há “Provão” separado para os cursos de Química Industrial e Engenharia Química. Também passaram a ser freqüentes as tentativas de reduzir o curso de graduação da Engenharia Química de cinco para quatro anos. Há de se notar ainda o engessamento curricular em torno de disciplinas teóricas acoplado à redução das aulas laboratoriais ou experimentais. Para finalizar, verificou-se da mesma forma a rejeição de vocações que buscam conhecimentos maiores de Química na Engenharia Química, provocando evasões de alunos.

    A proposta, a seguir detalhada, baseia-se em um tronco curricular de três anos (adaptável a todas as Engenharias), mesclando disciplinas dos antigos ciclos básico e profissional, que pode motivar alunos, flexibilizar o ensino e conciliar vocações com os segmentos de mercado. São apresentadas ainda as disciplinas e objetivos para o tronco curricular e novos cursos genéricos de Engenharia de Processos Químicos e Engenharia Química Industrial.

    Tronco de três anos – A Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) iniciou um processo de reforma curricular de graduação em 1998, que incorporou em 2000 a criação de um curso de engenharia biológica. Daí surgiu nossa idéia de expandir mais ainda o leque das habilitações na área da Engenharia Química. A legislação das profissões da Química inclui uma variedade de 25 especialidades reconhecidas de técnicos químicos. Nas engenharias fundamentadas em química existem apenas cinco diplomas referentes a especialidades profissionais (se excluirmos os Químicos Industriais). O Sistema Crea-Confea reconhece 20 grupos de modalidades profissionais e 34 designações (Zakon, 2000). Nas áreas de engenharia baseadas na Física surgem novas diplomações quando ocorre a transformação da ciência em tecnologia, como, por exemplo, no campo da Eletricidade, que se expandiu nas áreas de Eletrônica, Computação e na Mecatrônica (Zakon, Szajnberg e Nascimento, 2001).

    Desde 2001 surgiu uma interação entre alunos, alguns docentes e ex-alunos da Escola de Química da UFRJ que visou buscar o consenso de idéias, perspectivas e opções exeqüíveis para modernizar o curso de graduação de engenharia química sem atrofiar malhas curriculares, suas cargas horárias e a qualidade resultante dos formandos. As idéias aqui expostas contrariam as propostas originais da redução drástica da carga horária individual e total das disciplinas e do tempo de graduação – que ainda é de cinco anos na quase totalidade dos cursos brasileiros.

    O primeiro resultado daquela interação foi a divulgação no Informativo do Conselho Regional de Química – 3ª Região da nossa proposta para inovar o ensino da engenharia química e expandir a lista das suas habilitações, que incluiu a criação de um tronco de disciplinas de três anos para uma árvore curricular referente a doze diplomas (Zakon, 2002). A proposta de tronco foi elaborada com sugestões de docentes, alunos e ex-alunos e pode ser adaptada ao contexto de todas as engenharias (Tabela 1). O segundo resultado foi a criação repentina em junho de 2002 na Escola de Química do curso de engenharia de alimentos, que já existia na legislação pertinente.

    Justificativas – Há várias justificativas para a implantação da nossa proposta flexibilizante. Para começar, a engenharia química constitui o estado mais evoluído e completo das profissões referenciadas à química e incorpora ferramentas úteis a todas as especialidades reconhecidas nas leis e pelo mercado de trabalho. é impossível incorporar em detalhes todos os segmentos químicos industriais no aprendizado das profissões da Química, mas é viável oferecer uma base comum aos que optam em adquirir conhecimentos genéricos ou escolhem os específicos.

    É interessante expandir o leque de opções das especialidades ou habilitações no âmbito da engenharia química para acompanhar os avanços científicos, tecnológicos, profissionais e sociais. Além disso, os alunos vêm para a universidade para graduar-se e optar entre atuar em indústrias químicas, empresas diversas, setores públicos ou sistemas de ensino. Poucos pretendem permanecer na universidade. o espectro atual do corpo discente envolve alunos de diversas origens sociais, com expectativas de uma convivência saudável, academicamente produtiva e empolgante – incluindo horas de estudo, lazer, estágio ou atuação profissional.


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