Petróleo & Energia

13 de novembro de 2011

Entrevista – Angra 3 terá sistema de controle e segurança de última geração

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    Eletronuclear é a empresa responsável pela operação da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), onde estão instaladas Angra 1, em operação desde 1985, capaz de gerar 657 megawatts elétricos, e Angra 2, em operação desde 2000, gerando 1.350 MW. No momento, o grande desafio da companhia é colocar em operação Angra 3 (1.405 MW), a última prevista para o sítio da CNAAA. A usina, a exemplo de Angra 2, é resultante do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, assinado em 1975, mas a decisão sobre sua instalação foi congelada nos anos 90 e só retomada em 2007.

    Parte importante de seus equipamentos, produzidos pela alemã Siemens, que não atua mais no ramo, está estocada há mais de duas décadas. Na retomada da construção, foi decidida uma atualização do projeto, que ficou a cargo da francesa Areva. Angra 3 terá uma sala de controle digital, com um dos sistemas de segurança equivalente ao das usinas mais modernas do mundo. Leonam dos Santos Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear, diz que a previsão é colocar Angra 3 em operação em dezembro de 2015, e relata os preparativos preliminares em andamento na companhia para instalar mais quatro novas usinas nucleares, como previsto no Programa Nacional de Energia para 2030. Ainda não há, porém, uma definição política do investimento.

    QD: Quanto é possível esperar pela decisão sem comprometer a meta?
    Guimarães: O ciclo completo para uma usina nuclear, desde a decisão de investir até a entrada em operação, é da ordem de dez anos.

    química e derivados, eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, Angra 3

    Guimarães: energia nuclear apresenta custos competitivos

    Quais critérios devem nortear a escolha dos locais onde serão construídas as usinas?
    O plano para 2030 prevê 2.000 MW na Região Nordeste e 2.000 MW na Sudeste, e será atendido por meio de usinas de 1.000 MW cada. A Eletronuclear já deu início ao procedimento de seleção de locais candidatos para as futuras centrais nucleares brasileiras. Inicialmente, o foco foi na região compreendida pelo litoral entre Recife e Salvador, os dois maiores centros de carga elétrica do Nordeste. Já fizemos um levantamento de 40 áreas aptas em todo o país. O Plano Nacional de Energia de 2035 indicará as áreas prioritárias para prosseguirmos com a escolha dos sítios finalistas.

    Quais são os critérios que devem nortear a escolha dos pacotes tecnológicos que serão utilizados nessas usinas?
    Para as usinas pós-Angra 3, deverão surgir três concorrentes internacionais. O modelo AP 1000 da Areva/Mitsubishi, que recentemente estabeleceram um acordo; o ATMEA 1, da Westinghouse/Toshiba; e o VVER 1000 da russa Rosenergoatom. São usinas com potência de 1.000 MW, sistema de segurança passiva, de construção modular, que exige menor quantidade de equipamentos e de ciclos operacionais longos, com paradas para reabastecimento mais curtas.

    Qual será o investimento necessário em cada usina?
    Aproximadamente US$ 5 bilhões para uma unidade de 1.000 MW, ou seja, US$ 5.000/kW instalado. Esse valor é overnight, ou seja, seria o montante a ser pago se a usina fosse quitada de uma única vez. Entretanto, o pagamento se dará ao longo de 15 anos e será acrescido de juros. E o investimento poderá ser amortizado durante o período com a geração de caixa da própria usina. Como a vida útil do empreendimento supera os 60 anos, a nova usina nuclear produzirá eletricidade e se apropriará de significativos montantes de lucro durante quase meio século após a amortização do investimento inicial.

    Qual é o cronograma previsto para Angra 3? O que está sendo feito para atualizar uma tecnologia comprada há mais de 20 anos?
    O cronograma executivo de Angra 3 prevê 66 meses para a sua implantação, englobando as atividades de engenharia, suprimento, construção civil, montagem eletromecânica, comissionamento e testes pré-operacionais. Esse prazo se inicia com os trabalhos de concretagem da laje de fundo do Edifício do Reator e se encerra com o fim dos testes de operação e potência da planta. A previsão é que a usina entre em operação comercial no dia 1º de dezembro de 2015.

    Os equipamentos de Angra 3 estão em condições de operação confiável e segura. São mantidos sob rigoroso esquema de preservação em almoxarifados no próprio sítio da usina e nas instalações da Nuclep. Eles são embalados em folhas de alumínio, selados a vácuo e com controle de umidade. Tanques e vasos de pressão são preservados com gás inerte. E os materiais estocados ao tempo estão revestidos com película protetora.

    A valoração dos equipamentos já adquiridos para Angra 3 monta a cerca de EUR 600 milhões (equivalentes a US$ 750 milhões na base de preços de janeiro de 1999). Para a conclusão do empreendimento, são estimados investimentos adicionais da ordem de R$ 9,9 bilhões (na base de preços de junho de 2010), sendo 70% desses gastos a serem efetuados no Brasil.

    Qual é a relação custo/benefício da energia nuclear na matriz energética brasileira?
    Sob o aspecto de competitividade econômica, o preço da energia a ser comercializada por Angra 3, como energia reserva a partir de 2016, foi definido em R$ 148,65/MWh. Este valor considera a cobertura de todos os custos de geração, incluindo a amortização do capital, o custo do combustível, os custos de operação e manutenção, os custos de disposição final dos rejeitos de baixa e média atividade e as despesas de descomissionamento da usina ao cabo de sua vida útil. Custos para disposição final de rejeitos de alta atividade não são levados em conta, pois os elementos combustíveis usados não são considerados como tal, na medida em que 90% de sua massa é reciclável. Entretanto, os custos de sua armazenagem intermediária de longa duração foram também incluídos.

    Quando da definição deste custo, o preço mínimo da geração térmica de biomassa contratada no 1º Leilão de Energia de Reserva atingiu R$ 151,66/MWh e o preço mínimo da geração térmica de combustíveis fósseis contratados no 7º Leilão de Energia Nova A-5 atingiu o preço mínimo de R$ 167,67/MWh.

    A energia nuclear permite a geração confiável de uma energia ambientalmente limpa, que não contribui para o efeito estufa, e não é afetada pelas variações climáticas. Além disso, a energia nuclear faz uso de um combustível de origem nacional (o urânio), que permite minimizar vulnerabilidades no abastecimento e na proteção contra a volatilidade dos preços, não estando sujeito a flutuações no mercado internacional. Há ainda o aspecto de consolidação no país de uma tecnologia de ponta, com elevado conteúdo estratégico.



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