Petróleo & Energia

13 de novembro de 2011

Energia Nuclear – Ampliação do parque nuclear depende de decisões políticas

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    química e derivados, Angra 3, energia nuclear

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    nquanto aguardam a definição política sobre a construção de novas usinas, esperada para 2012, Eletronuclear, INB e CNEN concluem os planos para a nova fase produtiva. A Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), órgão responsável pelos estudos técnicos para a definição das políticas públicas do Ministério das Minas e Energia, está elaborando as diretrizes do Plano Nacional de Energia para 2035, a ser publicado em meados do próximo ano. Um dos capítulos mais aguardados deste trabalho é o que trata da geração termonuclear. Especialistas, acadêmicos e mesmo os responsáveis pela implementação dos processos produtivos avaliam que ali terão a indicação de que o Brasil irá, ou não, instalar usinas e criar as condições necessárias para o desenvolvimento local de uma cadeia produtiva para a indústria nuclear.

    As respostas definitivas para essas questões, porém, não são técnicas, mas políticas. Tanto assim que, procurada, a própria EPE preferiu não se pronunciar, alegando que “a participação da tecnologia nuclear na matriz energética brasileira está em discussão no âmbito da Presidência da República”. Entende-se a cautela da EPE. Em 2007, quando foi elaborado o plano nacional de energia em vigor, previu-se que até 2030 estaria em operação a usina de Angra 3, capaz de gerar 1.405 MW, e o Brasil ainda contaria com usinas capazes de gerar mais 4 mil MW, sendo 2 mil MW instalados no Nordeste e 2 mil no Sudeste, perfazendo um investimento total estimado em aproximadamente US$ 25 bilhões.

    Com exceção de Angra 3, que está em obras e tem previsão de entrar em operação em dezembro de 2015, os demais planos foram para a gaveta presidencial após a polêmica global sobre a segurança das usinas nucleares, instalada pelo acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em março. Essa ocorrência abalou a confiança mundial na tecnologia, mas não impediu que governos de países como França, China, Holanda, Finlândia, República Tcheca, Rússia, Estados Unidos e o próprio Japão mantivessem seus projetos de expansão nuclear. Em outubro, a Argentina inaugurou a central nuclear Atucha 2, com potência de 700 MW, e a presidente Cristina Kirchner anunciou a construção de Atucha 3.

    Duas usinas novas em 2035 – Na Comissão Nacional de Energia Nu­clear (Cnen), autarquia ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, Francisco Rondinelli Junior, coordenador geral de planejamento e avaliação, diz que o futuro do programa brasileiro de energia nuclear só deve se tornar público depois de concluídos os estudos sobre os efeitos do acidente de Fukushima. “A reação imediata é de medo, normal quando falta informação. Mas a expectativa do setor é que os impactos na população sejam pequenos”, acredita o executivo.

    No cenário traçado por Rondinelli, até 2020, a única usina a ser incorporada ao parque nuclear brasileiro é mesmo Angra 3. Não há mais tempo hábil para concluir outra. Para ser erguida, uma usina nuclear toma dez anos de trabalhos entre a decisão e a entrada em operação, sendo seis anos de construção e quatro anos de preparativos e licenciamentos. Em sua avaliação, o Brasil deverá colocar mais duas usinas nucleares em operação até 2035, sendo que a primeira deverá ter sua construção iniciada em 2015, e mais outras duas até 2040.

    química e derivados, energia nuclear, Francisco Rondinelli Junior

    Rondinelli: matriz energética precisa ser diversificada

    Rondinelli acredita que dois fatores deverão favorecer a decisão pela geração nuclear no Brasil. O país necessita ampliar drasticamente sua oferta de energia e, para isso, terá que diversificar a sua matriz energética. O outro ponto é que o país reúne todas as condições favoráveis para incluir a geração nuclear em seu portfólio energético. Segundo o Plano Nacional de Energia em vigor, o consumo de eletricidade brasileiro em 2005 foi de 375 TWh (Terawatt-hora, que representa 10¹² Wh) e, nos diferentes cenários de crescimento econômico previstos pela EPE, a demanda em 2030 será de 850 TWh, em caso de baixo crescimento, podendo chegar a 1.250 TWh se a aceleração econômica for muito forte. No momento, alguns analistas trabalham com um consumo próximo de mil TWh.

    Além disso, o plano do governo é reduzir a dependência da fonte hidrelétrica de energia, hoje responsável por mais de 80% da oferta, para, no máximo, 70%. A dependência hidráulica é avaliada como arriscada, uma vez que está sujeita aos humores da natureza. Uma seca prolongada levou ao apagão de 2001. Outro problema: estima-se que até 2030 o Brasil já terá esgotado sua capacidade de agregar novas capacidades hidrelétricas significativas ao seu parque gerador. “Precisaremos de um mix de fontes de energia. Nesse contexto, a geração nuclear é muito competitiva”, diz o executivo. Segundo Rondinelli, o valor de comercialização da energia hidráulica, hoje na casa de R$ 90,00 por MWh, não pode ser acompanhado por nenhuma alternativa. Entre as energias térmicas, o preço definido para a energia que será gerada em Angra 3 (R$ 148,65 por MWh) está próximo do ofertado pelas usinas acionadas por combustíveis fósseis.


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      Um Comentário


      1. Com esse “escândalo” da Lava a Jato presume-se que, infelizmente, o país será forçado a abandonar de vez essa alternativa moderna de geração de energia. É uma pena.



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