Gases

26 de janeiro de 2017

Energia: Indústria brasileira pede nova política para o gás natural

Mais artigos por »
Publicado por: Quimica e Derivados
+(reset)-
Compartilhe esta página
    Química e Derivados, Fiesp promoveu workshop para discutir cadeia de suprimento do gás

    Fiesp promoveu workshop para discutir cadeia de suprimento do gás

    Texto Marcia Mariano

    O atual Plano de Negócios e Gestão da Petrobras pretende arrecadar US$ 19,5 bilhões com a venda de ativos e parcerias entre 2017 e 2018. A estatal, que detém participação em todos os dutos de escoamento offshore, responsável por 95% da oferta total de gás natural do mercado brasileiro, pretende negociar subsidiárias de distribuição, transporte de gás natural além de campos de produção onshore (perfuração em terra), dentro da nova política a ser implementada pelo governo federal. A Abegas – associação que reúne as distribuidoras de gás canalizado do país – revela que o total estimado de investimentos no Brasil até 2030 para o setor de gás natural é de aproximadamente US$ 27 bilhões, sem considerar a área de E&P (exploração e produção).

    Para discutir propostas de reestruturação da cadeia de suprimento de gás natural e a regulação vigente, foi realizado no dia 31 de outubro um workshop sobre o tema na sede da Fiesp, em São Paulo, reunindo representantes do governo e da iniciativa privada. O foco do debate foi a apreciação das propostas e diretrizes do programa Gás para Crescer, principal aposta do governo Michel Temer para o setor.

    O Ministério de Minas e Energia colocou em consulta pública, no dia 3 de outubro, o documento “Diretrizes estratégicas para o desenho de novo mercado de gás natural no Brasil”, desenvolvido em parceria com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e a Agencia Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Após essa consulta (encerrada no dia 7 de novembro), será redigida uma nova resolução para ser encaminhada ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), provavelmente até dezembro, para a elaboração da nova política para o mercado de gás natural do País.

    Química e Derivados, Coelho: malha de dutos não é suficiente para suprir mercado

    Coelho: malha de dutos não é suficiente para suprir mercado

    Diversificação na oferta – O coordenador geral de Acompanhamento, Desenvolvimento de Mercado e Produção da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Matheus Batista Bodnar, abriu o seminário apresentando um resumo da participação da Petrobras na cadeia do gás natural. Segundo ele, a estatal controla todas as unidades de regaseificação e terminais de GNL (gás natural liquefeito) existentes no país, sendo sócia de 20 das 27 distribuidoras, responsáveis por 52% do consumo de gás.

    Mas, apesar dessa concentração, ou por causa dela, o mercado de gás pouco evoluiu nas duas últimas décadas. “O Ministério propõe uma estrutura que contemple a diversidade de agentes, liquidez, competitividade, acesso à informação e boas práticas de negócios. Por isso, instituiu a criação de um comitê, formado pelo governo e por agentes da indústria do gás, visando acompanhar a transição para o novo modelo, para que este seja implantado de forma gradual e segura, sem comprometer o funcionamento do setor e respeitando os contratos existentes,” disse.

    Bodnar também elencou uma série de diretrizes estratégicas para que a adoção do novo modelo seja exitosa, entre elas: a remoção de barreiras econômicas e regulatórias às atividades de exploração e produção de gás natural, instituição do Sistema de Transporte de Gás Natural (STGN), instalações de armazenamento e estocagem, harmonização da regulação estadual, revisão do relacionamento entre a indústria do gás natural e o setor elétrico e apoio às negociações para contratação de gás boliviano e/ou outras medidas. “O projeto Gás para Crescer é uma iniciativa meritória, mas tem um longo caminho a percorrer”, pondera o executivo do Ministério.

    Ele acrescenta que entre as principais ações do governo para criação do novo mercado de gás natural estão a revisão do marco legal para atrair mais investimentos na exploração e produção de petróleo e gás, e a atuação junto aos Estados para aperfeiçoar a estrutura tributária.

    José Mauro Ferreira Coelho, diretor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE – Empresa de Pesquisa Energética, apresentou um panorama do mercado. Criada em 2004, a EPE é responsável por fazer projeções de oferta e demanda por gás natural. “O consumo de 2015 atingiu média de 99 milhões de metros cúbicos de gás/dia, sendo que grande parte foi destinada à geração elétrica (46,5%) e à industria (44,2%). O consumo residencial responde apenas por 1%”, relatou Ferreira Coelho. Segundo ele, a indústria química foi responsável por 22% do consumo de gás no setor produtivo, seguida da cerâmica (13%), ferro gusa e aço (12%), alimentos e bebidas (8%), papel e celulose (8%) e mineração (7%). Os 30% restantes são consumidos por indústrias metalúrgica, têxtil, ferro-ligas entre outras. No consumo regional, 62% está no Sudeste, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *