Química

18 de setembro de 2010

Energia – Energia cara e sustentabilidade estimulam projetos de cogeração e de aumento de eficiência

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    setor industrial brasileiro paga muito caro pela energia que consome, seja na forma de eletricidade ou como hidrocarbonetos combustíveis para processos térmicos. Agravam a situação a elevada tributação aplicada sobre os insumos energéticos e a falta de transparência na aplicação de recursos financeiros em projetos de investimento e na administração dos sistemas. Nesse panorama, a indústria química e petroquímica perde competitividade em relação aos seus concorrentes internacionais, fato que se reflete na balança comercial do setor, acumulando déficits crescentes.

    Além de representar um papel importante na matriz de custos das indústrias, a energia possui uma interface com a questão ambiental. Corporações interessadas em aprimorar suas estratégias de sustentabilidade precisam estudar seu balanço energético e investir em práticas mais intensivas de conservação de energia ou de substituição parcial por fontes alternativas. Nesse ponto, a disponibilidade de grandes volumes de biomassa, de origem canavieira ou do setor de celulose, para citar os mais relevantes, representa uma saída viável, já adotada por várias empresas. Outras formas de geração elétrica, como a solar e a eólica, ainda estão engatinhando no país, embora possam ter um papel mais relevante no futuro.

    “O setor elétrico nacional ainda está protegido contra a concorrência global e não segue sequer os paradigmas internacionais de preços”, criticou Paulo Pedrosa, presidente-executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). “No caso do gás natural, ainda sob regime de monopólio de fato, a situação é ainda pior.”

    A Abrace mantém uma visão ampla sobre o uso de energia em aplicações industriais, avaliando disponibilidade, preços, alternativas energéticas, concorrência global, entre outros aspectos. Segundo Pedrosa, o sistema elétrico sempre foi criado e gerenciado por gente formada dentro desse setor, com elevada qualificação técnica, porém de visão limitada aos seus próprios interesses. “A indústria vive a dinâmica do processo produtivo, busca se adequar às variações de custos e aos preços dos concorrentes, mas isso não acontece no suprimento de energia”, criticou.

    Ele comentou que as tarifas determinadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concedem às geradoras e distribuidoras uma remuneração suficiente para bancar seus custos e remunerar seus investimentos. Porém, essa fixação de tarifa não considera as necessidades dos consumidores industriais. “O rateio de custos entre os consumidores parou na década de 80 e, com isso, a indústria paga mais do que deveria pela eletricidade que consome”, explicou.

    Ao mesmo tempo, falta transparência para que todos os consumidores – domésticos, comerciais e industriais – entendam a composição da conta de eletricidade, sendo difícil separar a parcela devida ao suprimento energético da parte referente a tributos e contribuições sociais. Há o caso exemplar da Reserva Global de Reversão, verba arrecadada desde 1967 para formar um fundo que suportaria eventuais despesas da União para indenizar reversões de concessões vinculadas ao serviço público de energia elétrica. Essa RGR deveria ter suas contribuições extintas ao final de 2010, mas há a previsão de mantê-la dentro do Plano Nacional de Eficiência Energética (Pnef), elaborado com a meta de reduzir em 10% o consumo de eletricidade previsto para 2030. “A RGR nunca foi usada para a finalidade original, tendo sido destinada para outros fins, como investimentos em fontes alternativas de energia”, afirmou Pedrosa. A Abrace reivindica a extinção desse encargo, que arrecadou R$ 1,6 bilhão durante 2009. O total de encargos cobrados nesse setor somou R$ 13,7 bilhões, sem mencionar os impostos.

    Química e Derivados, Energia - Energia cara e sustentabilidade estimulam projetos de cogeração e de aumento de eficiência

    Fonte: Relatório da Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural do Estado de São Paulo(Cespeg)

    A alternativa de consumir gás natural para gerar a eletricidade necessária aos processos industriais não se revela vantajosa. “No modelo atual, a Petrobras detém o monopólio do gás e também dos seus substitutos, a exemplo dos óleos combustíveis, por isso pagamos pelo gás o dobro do que se cobra no exterior”, afirmou Pedrosa. Esse custo excessivo barra investimentos em várias cadeias produtivas.

    A expectativa de contar com um suprimento robusto de gás natural obtido dos campos do pré-sal não é especialmente alentadora para a Abrace. Principalmente pelo fato de se tratar de gás associado a petróleo, sendo este o produto principal. “Será preciso iniciar a produção e depois ver se o gás estará disponível para a indústria”, comentou.

    Comparando o mercado de gás com o de eletricidade, Pedrosa aponta a maturidade deste em relação ao primeiro. “A venda de energia livre é feita em leilões, e representa um quarto da demanda nacional”, comentou. “Além disso, existe o mercado secundário, garantindo o repasse para quem comprar mais energia do que efetivamente consumir, uma garantia importante para quem precisa investir.” O setor de gás natural não conta com essas ferramentas e ainda depende das distribuidoras estaduais, monopolistas no seu âmbito de atuação. Poucos consumidores podem negociar o gás direto na fonte (a Petrobras) – isso se reserva apenas aos clientes de porte muito grande.

    “Em 2011, com novo governo e nova legislatura, esperamos que essas distorções sirvam para abrir os debates no Congresso Nacional”, afirmou Pedrosa. Nos tempos do apagão, em 2001, as discussões sobre energia cresceram, mas foram perdendo o fôlego com o tempo. Na situação atual, entretanto, verifica-se que o país precisa de novos suprimentos energéticos para manter o ritmo de crescimento. “A usina de Belo Monte [no rio Xingu] e as do rio Madeira, apesar de suas limitações, são bons projetos e seu modelo de viabilização pode ser aperfeiçoado”, considerou. Ele também comenta que as indústrias investem continuamente para aumentar a eficiência energética de seus processos, até por buscarem reduções de custos.


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