Máquinas e Equipamentos

10 de julho de 2013

Energia: Empresa nacional se qualifica para certificação Asme Nuclear

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Fairbanks
+(reset)-
Compartilhe esta página

    A

    empresa de engenharia e montagens industriais Mendes e Mitugui está se qualificando para receber a certificação Asme (American Society of Mechanical Engineers) para o setor nuclear, habilitando-se a participar das esperadas obras na construção de usinas geradoras de eletricidade desse segmento, bem como de outros projetos, como o do submarino nuclear brasileiro. O governo federal já anunciou planos de construir entre quatro e oito usinas nucleares e está incentivando a produção local de equipamentos e componentes.

    Química e Derivados, Palestra debateu certificação: obediência às melhores práticas

    Palestra debateu certificação: obediência às melhores práticas

    A empresa de engenharia atua em vários mercados, do saneamento à petroquímica, sempre em conformidade com as normas ISO 9001, OHSAS 18001, ISO 14001 e SA 8000, promovendo montagens e operações de manutenção. As operações com vasos de pressão são certificadas com o selo Asme específico. Mas as exigências da área de energia nuclear pedem tratamento diferenciado, justificando a existência de uma categoria especial de certificação.

    A Mendes e Mitugui será auditada pela Lloyd’s Register, a maior agência de inspeção autorizada pela Asme fora dos Estados Unidos, para receber o certificado classe NA, para montagem de equipamentos e tubulações com aplicação de solda no setor nuclear. Aliás, o certificado Asme é padrão nos Estados Unidos, porém cada país detentor de tecnologia nesse campo possui sua sistemática de classificação, a exemplo da Alemanha e da França.

    Em abril, a empresa de engenharia promoveu uma palestra sobre o processo de obtenção da certificação Asme nuclear, ministrada por Gilberto Henrique Pasqua, inspetor autorizado pela associação americana para esse segmento.

    Pasqua informou que, nos Estados Unidos e em muitos países afins, a certificação Asme confere ao seu detentor a presunção de ter seguido as melhores práticas de fabricação e construção. “A empresa certificada assume toda a responsabilidade pelo que produz, dentro do escopo da certificação e no local de fabricação determinado”, explicou Pasqua. Ele também disse que, no caso do Brasil, essa certificação não elimina outras exigências, impostas por órgãos de controle oficiais, como a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) ou pela Nuclep. Por ser o Brasil um comprador tradicional de tecnologia de várias origens, os órgãos estatais têm se empenhado para criar uma norma nacional que harmonize as diferentes exigências internacionais.

    Pasqua explicou os diferentes enquadramentos da Asme para componentes e serviços nucleares, de um parafuso até a concretagem da bacia de contenção dos reatores. Até mesmo o proprietário de uma instalação nuclear precisa obter uma certificação Asme Corporate, garantindo que ele tem pleno conhecimento das exigências necessárias e as respectivas normas para a compra ou a contratação de produtos e serviços.

    A Mendes e Mitugui busca certificação Asme NA, para a montagem de itens com aplicação de solda. “Dessa forma, é preciso montar equipamentos e tubos que tenham o selo Asme, ou desenvolver fornecedores que possam ser qualificados e promover a auditoria de seus trabalhos”, explicou Pasqua. Muitas vezes isso exige a importação de equipamentos ou partes. Detentores de certificados N, fabricantes de vasos, tubulações, válvulas, bombas, tanques e válvulas de alívio, podem qualificar seus subcontratados, como laboratórios e fornecedores de materiais, mas assumem a responsabilidade total pela obra.

    O processo de certificação começa com a contratação de uma agência autorizada de inspeção (AIA), que trabalhará para preparar a empresa interessada em apresentar sua candidatura à certificação, seguindo as regras da associação. Essa candidatura será investigada pela Asme, que inicialmente verificará a existência de contrato entre a Asme e o interessado. Depois disso, a Asme agendará a visita do time de inspeção, indicado pela entidade.

    Essa inspeção é complexa, varre todos os aspectos envolvidos no manual, desde a documentação, orientação e procedimentos até o acompanhamento da produção. É importante que os inspetores avaliem produtos reais feitos pelo requerente, ainda que em escala reduzida em relação à comercial. Segundo Pasqua, todos os inspetores precisam ser qualificados pela Asme, dentro do National Board of Boiler and Pressure Vessels Inspectors. O certificado Asme nuclear tem prazo de três anos, exigindo recertificação, que deve ser solicitada seis meses antes da data de expiração.

    Segundo o engenheiro João Paulo Lopes, do departamento comercial da Mendes e Mitugui, o processo de certificação leva de um ano a um ano e meio para ser concluído. “Estamos no caminho, atentos às necessidades do setor nuclear no Brasil, e devemos contar com esse certificado em meados de 2015”, calculou. Esse prazo foi estimado para empresas acostumadas com normas de gestão, como a ISO 9000, e pode variar conforme a classe desejada de atuação. Em novembro de 2013, a empresa espera receber a certificação Asme para trabalhos em caldeiras de alta pressão.



    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next