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14 de novembro de 2002

Encontro: Região sul mostra esforço de pesquisa

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    esquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Sociedade de Ensino Superior de Santa Catarina (Sociesc) e da Universidade de Campinas (Unicamp) nacionalizam uma tecnologia de POA (processo oxidativo avançado) capaz de eliminar os fenóis e derivados dos efluentes em indústrias têxteis (ver QD-409, pág. 53). Trata-se do fotoFenton. O processo encontra-se em estágio avançado em laboratório e até o final de 2002 entra na etapa de produção piloto, devendo chegar ao mercado em 2005. A pesquisa tem o apoio da Fundação de Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma) e foi apresentada no encerramento do 10° Encontro de Química da Região Sul. O evento realizado em Joinville-SC, de 6 a 8 de novembro, reuniu 750 participantes, em sua grande maioria acadêmicos de química do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    Química e Derivados: Encontro: O evento em Joinville -SC reuniu cerca de 750 acadêmicos.

    O evento em Joinville -SC reuniu cerca de 750 acadêmicos.

    O fotoFenton é uma evolução da fotocatálise, processo introduzido no Brasil há mais de dez anos pela Unicamp e que passou a receber atenção em instituições do sul do país na tentativa de resolver o problema da emissão de resíduos dos corantes azóicos nos efluentes do parque têxtil do norte de Santa Catarina.

    “Alguns corantes produzem aminas que são reconhecidamente cancerígenas e as substâncias orgânicas que produzem esse tipo de compostos já estão proibidas em países como a Alemanha. Aqui no Brasil, algumas empresas montaram programas de fachada. Têm um lago com patos e peixes para causar boa impressão a visitantes. Quando os animais morrem colocam outros na água e continuam empurrando com a barriga”, adverte um dos pesquisadores envolvidos no desenvolvimento do fotoFenton, o químico Carlos Alberto Gouvêa, técnico da Fatma.

    Gouvêa trabalha junto com a equipe principal da pesquisa em Curitiba. Explica que o tratamento dos efluentes têxteis conta com duas famílias de processos. Os físico-químicos, como a floculação, a filtração, a cloração e a ozonização; e os tratamentos biológicos, que utilizam fungos de decomposição e outros microorganismos produtores das enzimas degradantes de matérias orgânicas por meio de oxidação. Numa comparação, Gouvêa lembra que os processos atuais ainda são muito caros e não resultam em 100% de eficácia, tanto é assim que na eliminação dos resíduos de corantes ainda encontram-se os fenóis e seus subprodutos. Além disso, são extremamente caros. A instalação de um processo pode custar de R$ 500 mil a R$ 2 milhões, dependendo do tamanho e do tipo de emissão. No entanto, reforça, nenhum desses é eficaz o suficiente na eliminação dos componentes químicos mais perigosos.

    Simples – A instalação do fotoFenton em chão de fábrica ficará em torno de R$ 100 mil, a preços atuais. Os equipamentos são simples, a presença de reagentes insignificante, necessitando apenas do gerador de energia ultravioleta da carga iônica inicial. Conforme Gouvêa, duas indústrias têxteis de Santa Catarina já encomendaram o sistema na planta e se constituirão nas pioneiras assim que o fotoFenton for industrializado. O processo consiste em colocar pequena carga de íons de ferro, junto com o resíduo a ser oxidado no reator. Submetida às cargas de ultravioleta esses íons se decompõem em hidroxila, em alta profusão, que ao reagir com a substância orgânica se transforma em gás carbônico. Esse, por sua vez, migra para a atmosfera. Uma caixa de esgoto em PVC, uma bomba peristáltica e um emissor de raios ultravioleta funcionam como reator do processo.

    A lavagem na indústria têxtil exige quantidades elevadas de água. Para se ter uma idéia, dependendo da máquina, cada quilo de tecido enxaguado pode consumir até 300 litros de água. Segundo Carlos Alberto Gouvêa, embora a tecnologia fotoFenton esteja direcionada, no momento, para resolver o problema da indústria têxtil, sua aplicação pode ser muito mais ampla, adequando-se às operações de degradação de resíduos nas indústrias de alimentação para descarte de resíduos de embalagens, garrafas, agindo bem em resíduos oleosos e emulsionados.

    Outra tecnologia para tratamento de corantes têxteis foi apresentada pelo doutorando em química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Policiano de Souza. Ele utilizou o barro branco, na verdade um pó negro, subproduto da extração carbonífera, para tratar água contaminada por corantes. Segundo Policiano, a presença de cor em efluentes de indústrias têxteis é um grande problema e muitas técnicas vêm sendo empregadas com a finalidade de minimizar tal efeito. Entretanto, nenhum processo pode ser empregado como método único para a completa remoção de cor.

    “A adsorção sobre sólidos, além de não exigir um aparato sofisticado, apresenta em geral baixo custo e elevada taxa de remoção. Como se trata de um método não-destrutivo, em alguns casos o corante pode ser recuperado sem perda da identidade química”, assegura o pesquisador. “Os experimentos iniciais com o corante azul de metileno têm demonstrado uma ótima capacidade adsorvente deste material”, assegurou. O barro branco foi obtido da Mina Esperança, da Carbonífera Metropolitana em Siderópolis, na região metropolitana de Florianópolis.

    A faixa de granulometria utilizada foi de 0,210 – 0,297mm, com área superficial de 9m2/g, medida no Autosorb 1. Soluções de azul de metileno na concentração 10 a 150mg.L-1 foram preparadas e 50 ml adicionados ao reator termostatizado, à temperatura constante de 25oC. Para essas soluções, um grama de barro branco foi adicionado e o sistema foi deixado sob agitação a uma rotação de 600 rpm. A massa de corante adsorvida foi quantificada através da técnica de UV/Vis, acompanhando-se a absorbância da solução em intervalos de tempos regulares.


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