Química

14 de julho de 2011

Empresas – Solvay negocia compra da Rhodia

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    stará aberta durante os meses de julho e agosto a proposta feita em abril pela companhia belga Solvay para comprar todas as ações da francesa Rhodia em poder de investidores por € 31,60 por unidade. Isso representará um desembolso de € 3,4 bilhões, a ser custeado pelo caixa da compradora, capitalizada pela venda de seus negócios farmacêuticos há dois anos por € 4,5 bilhões em dinheiro (fora as dívidas, assumidas pela Abott), que ainda sairá da operação com um caixa robusto. O acordo tomou por base o fluxo de caixa corrente (Rebitda) em 1º de abril, chegando ao valor final que equivale a 7,3 vezes o Rebitda.

    Após completar a aquisição, a companhia deverá aguardar a autorização para a integração de operações por parte dos órgãos de defesa da concorrência na Europa e nos Estados Unidos, que devem ser concedidas até o final do ano. “Não esperamos surpresas, uma vez que os negócios são totalmente complementares, sem nenhuma superposição, ou seja, não haverá concentração em nenhum segmento atendido”, comentou Christian Jourquin, presidente do comitê executivo (CEO) da Solvay. Ele esteve no Brasil em julho para divulgar a operação e tranquilizar os funcionários das subsidiárias de ambas as empresas, que mantêm atividades há décadas no país. “No âmbito das fábricas e da comercialização dos produtos não haverá demissões”, tranquilizou. Apenas na área administrativa pode haver cortes, bastante seletivos. Concluída a aquisição, o atual presidente da Rhodia, Jean-Pierre Clamadieu, assumirá o cargo de vice-CEO da Solvay, para facilitar a integração dos negócios. Há previsão de que ele venha a suceder ao atual CEO da Solvay, Christian Jourquin, quando este se aposentar, em 2012.

    Jourquin explicou a estratégia da Solvay. Ao ver instalada a crise financeira de 2008, a companhia iniciou um profundo estudo de sua posição de mercado. Verificou-se que ela dependia demais da atividade farmacêutica, geradora de 75% de seus resultados. No entanto, essa divisão tinha um futuro preocupante. “O mercado farmacêutico está em fase de mudanças, com o crescimento dos genéricos (chineses e indianos) e as dificuldades para lançar novas moléculas”, comentou. Sem ter uma fila de moléculas promissoras para lançar (pipeline) e por não ter conseguido aprovar uma das mais interessantes, a lucratividade futura da divisão estava ameaçada. Ao mesmo tempo, as áreas de química e de plásticos acumulavam projetos de investimento, porém não tinham recursos para tocá-los.

    “Chegamos a um ponto em que ou vendíamos a parte química e de plásticos para comprar uma farmacêutica média e complementar, ou vendíamos a área farmacêutica para investir nas demais”, resumiu Jourquin. O conselho de administração resolveu vender a farmacêutica.

    Revista Química e Derivados, Christian Jourquin, atual CEO da Solvay (esq.) e Paulo Schirch, diretor regional da Solvay

    Jourquin (esq.) e Schirch: belgas desembolsarão € 4,5 bilhões

    Depois disso, foi feita uma profunda avaliação dos negócios remanescentes da Solvay. “Chegamos à conclusão de que nossa estrutura era centralizada, pesada e estávamos muito distanciados dos clientes”, explicou o CEO. O ano de 2009 foi consumido na reestruturação da companhia, seguindo os passos das empresas que conseguiram sair em melhor situação após a queda de 2008.

    Só depois dessa reestruturação a Solvay passou a procurar uma companhia ideal para comprar. A meta era encontrar um nome forte nos países emergentes (Brics), ou seja, com possibilidade de rápido crescimento, em contraste com a forte ligação da Solvay com o mercado europeu. A “noiva perfeita” deveria também ter um portfólio de alta qualidade, com grande participação dos produtos de performance, sempre ocupando posições de liderança nos seus mercados de atuação. “A Rhodia atendia a todos esses critérios”, disse Jourquin, sem revelar o nome de outras duas companhias que também foram sondadas para negócios.

    A Rhodia chamou a atenção por ter uma estrutura de administração leve e descentralizada, com faturamento de € 5,2 bilhões, 47% dos quais obtidos em países emergentes, que receberam 70% dos investimentos em ampliações. A companhia é líder mundial em poliamida 6.6 (plásticos de engenharia, fibra têxtil), em tensoativos especiais, derivados de fósforo e derivados de difenóis (como a vanilina), e também em formulações de terras raras e silício de alta dispersabilidade. “Cerca de 20% do fluxo de caixa de € 905 milhões é obtido com produtos com menos de cinco anos de vida”, salientou Jourquin.

    Embora a Solvay se destaque com uma forte posição em commodities químicas, como soda cáustica, barrilha leve e cloreto de polivinila (PVC), Jourquin se esforça para enfatizar a forte participação de produtos inovadores e especialidades em seu portfólio. “O peróxido de hidrogênio nos volumes e contrações que operamos não pode ser considerado como uma commodity”, disse. “Temos também uma grande área de plásticos de engenharia com base nos fluorados, como o PVDF e o PTFE, além dos vinílicos especiais, como o PVDC.” Tanto assim que a companhia forneceu insumos para a produção de seis mil peças e partes do Solar Impulse, avião movido pela energia solar que fez um voo de 26 horas contínuas em julho de 2010. O investimento em fluorpolímeros foi feito com os recursos da venda da área de polietileno de alta densidade para a Montedison. Na área química, a Solvay também se destaca em algumas especialidades, como os pigmentos para displays, muito consumidos na Ásia, onde está o centro de decisões químicas do grupo.

    Do ponto de vista do mercado, a Rhodia era uma sobrevivente do antigo grupo Rhône-Poulenc, do qual foram separadas as unidades ligadas às tais “ciências da vida”: farmacêuticos, agroquímicos, veterinários e outros. Depois de alguns anos no vermelho e após uma profunda revisão de negócios, ela voltou a apresentar lucros, mas ainda despertava desconfiança por parte dos analistas de mercado. Isso porque a Rhodia permaneceu na parte mais perigosa dos negócios químicos, as especialidades, sujeitas ao aperto dos custos de insumos e às pressões da concorrência e dos clientes.


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