Química

15 de dezembro de 2009

Empresas – Rhodia comemora 90 anos no Brasil

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    hodia completa no dia 19 de dezembro 90 anos de atuação efetiva no Brasil e, para comemorar, assegura que será mantido o ritmo anual de investimentos da ordem de US$ 50 milhões por ano durante o próximo quadriênio. A companhia investiu no país US$ 250 milhões durante os cinco últimos anos.

    É o que afirmou o presidente (CEO) da Rhodia no mundo, Jean-Pierre Clamadieu, em visita à filial brasileira. “O Brasil foi o primeiro país fora da França a receber operações industriais da Rhône-Poulenc, enquanto estamos na China há apenas 25 anos”, comentou. A operação brasileira representa 15% do faturamento mundial da Rhodia, de aproximadamente 4,8 bilhões de euros. Valor próximo ao do obtido pela companhia nos Estados Unidos.

    Clamadieu revelou que o faturamento das operações francesas gera apenas 7% do total mundial. Porém toda a administração do grupo e grande parte de sua pesquisa e desenvolvimento de produtos está situada no país de origem. Desde 1998, os negócios químicos e de fibras da antiga Rhône- Poulenc foram agrupados sob a denominação Rhodia, que já era adotada no Brasil. Durante os anos seguintes, a empresa, ao lado de outros nomes conhecidos do mercado, como Rohm and Haas e Degussa, enfrentou o descrédito dos investidores mundiais, mais atraídos pelos gordos lucros das empresas atuantes nas chamadas ciências da vida (farmacêutica, biotecnologia, agroquímicos e veterinários).

    Química e Derivados, Jean-Pierre Clamadieu, Presidente da Rhodia no mundo, Empresas

    Jean-Pierre Clamadieu: estratégia de operações integradas trouxe os lucros de volta

    “Algumas das empresas de especialidades químicas sucumbiram, mas a Rhodia conseguiu superar as dificuldades e oferece resultados consistentes aos seus acionistas”, avaliou Clamadieu. Ele atribuiu esse sucesso à estratégia de concentrar seus esforços nas cadeias dos produtos em que possui uma posição integrada e de liderança tecnológica. Isso exigiu abrir mão de negócios promissores, como o dos fosfatos. Porém, o domínio verticalizado das cadeias permitiu aumentar a eficiência operacional e ampliar a competitividade mundial. “O ponto-chave está na capacidade de defender as margens de lucro dos produtos”, comentou.

    O CEO da Rhodia trabalhou na filial brasileira entre 1996 e 1999, tendo dirigido a área ligada à indústria têxtil, mas também absorveu profundo conhecimento sobre todas as operações locais, espalhadas pelos sítios de Santo André (têxteis e especialidades químicas), São Bernardo do Campo (plásticos de engenharia) e Paulínia (fenol, acetona, poliamida, sílica e derivados etílicos), todos no Estado de São Paulo. “O Brasil sempre foi um laboratório das novas práticas de gestão da companhia e também uma referência em qualidade e profissionalismo para o grupo”, elogiou.

    Dentro do panorama mundial, Clamadieu situa o Brasil ao lado dos países asiáticos como os de melhor desempenho pós-crise de 2008, capacitando- os para receber novos investimentos. Europa e Estados Unidos mostram recuperação mais lenta. No caso brasileiro, a Rhodia está muito atenta às possibilidades de uso industrial do etanol, insumo no qual o país é altamente efi ciente, tendo a vantagem de ser um material de origem renovável, característica apreciada em vários mercados. A Rhodia é a maior consumidora industrial de etanol do Brasil, absorvendo entre 120 milhões e 140 milhões de litros por ano.

    Clamadieu admite que, por estar capitalizada, a companhia pode adquirir outros negócios no mercado, com preços convidativos. Fez isso recentemente nos Estados Unidos. “Procuramos negócios que sejam complementares para nossas atividades, talvez indo um passo além na cadeia de agregação de valor, como no caso dos componentes de monitores de LCD”, comentou. A aquisição de usinas de etanol não está nos planos.

    Investimentos previstos – O presidente da Rhodia América Latina, Marcos De Marchi, informou que a operação brasileira voltou a registrar lucros no terceiro trimestre deste ano, após nove meses de perdas. “No auge da crise, alguns produtos sofreram redução de vendas de 27%”, disse. A situação atual é animadora, porque a demanda global mostra recuperação, devolvendo as margens de lucro.

    A indústria automobilística mostra bons resultados nos mercados emergentes. “Essa indústria crescerá 30% neste ano na China, que se tornará o maior mercado mundial de veículos”, afi rmou De Marchi. No Brasil, o setor terá um crescimento modesto, porém animador, pois a base de comparação é 2008, o melhor ano da história dessa indústria no país. Esses dados se refl etem no balanço da Rhodia, pois representam 10% do faturamento das suas vendas diretas. As vendas indiretas, feitas para fabricantes de produtos relacionados aos veículos, somam outros 10%. Esse setor absorve grande parte dos solventes oxigenados e das poliamidas produzidas pela companhia.

    Os investimentos anunciados de US$ 50 milhões por ano devem ser repartidos por vários projetos, muitos ligados ao desengargalamento das fábricas. De Marchi salienta a necessidade de ampliar a produção de compostos de poliamida com alta carga, cujo mercado solicita um acréscimo de oferta de 20%. “Nosso desafio é ser uma plataforma de exportação de produtos, o que exige ser muito eficiente e competitivo, apesar da taxa cambial desfavorável”, afirmou.

    Química e Derivados, Fábrica de acetato, Rhodia

    Fábrica de acetato de celulose em Santo André em 1929


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