Economia

2 de abril de 2004

Empresa: Custo da reestruturação trouxe prejuízo à Bayer

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    Química e Derivados: Empresa: Burmeister - Levitra levantou também o lucro no Brasil. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Burmeister – Levitra levantou também o lucro no Brasil.

    A Bayer teve prejuízo de 1,4 bilhão de euros no balanço consolidado de 2003, ante um lucro de 1,1 bi registrado no ano anterior. Mesmo assim, de acordo com o presidente da filial brasileira, Armin Burmeister, há vários resultados a comemorar: o resultado operacional antes de itens extraordinários (Ebit) cresceu 67%, para 1,4 bilhão de euros, e o faturamento global, em moeda local, aumentou 5%.

    O grupo Bayer registrou queda de 3,6% nas vendas em 2003, atingindo 28,6 bilhões de euros. Provisões e ajustes de 1,9 bilhão de euros (ligados ao processo de realinhamento estratégico do portfólio), fora outros 500 milhões de euros gastos com depreciações não planejadas e reestruturações, contribuíram decisivamente para o resultado negativo de 2003. Segundo Marcos Lacerda, presidente da Lanxess, a mais recente empresa do grupo e resultado da união de seus negócios em especialidades químicas, as provisões não têm ligação com o Lipobay, remédio para controle de colesterol acusado de causar efeitos colaterais graves. A Bayer tem ganho ações referentes ao remédio em todo o mundo, mas principalmente nos EUA, onde elas se concentram.

    “As decisões em primeira instância têm sido favoráveis à empresa, mesmo nos estados norte-americanos em que esse tipo de causa historicamente é dada como perdida”, afirmou Lacerda. As vitórias, no entanto, não convenceram a empresa a voltar a vender o Lipobay.

    No Brasil, os números da Bayer ficaram no azul. A operação brasileira registrou lucro líquido consolidado de R$ 175 milhões, após o prejuízo de 280 milhões em 2002, e pela primeira vez o faturamento líquido das empresas do grupo no País ultrapassou US$ 1 bilhão, totalizando R$ 3 bilhões, 25% a mais do que o valor obtido em 2002, de R$ 2,4 bilhões. Denotando a posição estratégica que a Bayer Cropscience tem no Brasil, a divisão foi responsável por faturar R$ 1,9 bilhão, superior a 60% do total. Em seguida ficaram a Bayer Polymers, com faturamento líquido de R$ 500 milhões; a Bayer HealthCare, com R$ 400 milhões; e a Bayer Chemicals, com R$ 200 milhões.

    Química e Derivados: Empresa: Lacerda - filial brasileira quer ser a 8ª do grupo. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Lacerda – filial brasileira quer ser a 8ª do grupo.

    O resultado positivo no Brasil, como demonstra o lucro líquido, foi fortemente influenciado pelo desempenho do agronegócio. Segundo Marc Reichardt, presidente da Bayer Cropscience brasileira, as expectativas para a agricultura continuam em alta, principalmente em relação ao desempenho dos segmentos de soja e algodão, mas também em virtude de culturas como o café. Por esses fatores, Reichardt acredita em crescimento de até 20% para as vendas em 2004. O presidente Burmeister destacou também como fatores do sucesso local o lançamento de produtos (entre eles o Levitra, para o combate da disfunção erétil), a redução de custos e a administração de caixa mais eficiente.

    Os investimentos da matriz no Brasil, em 2003, foram de R$ 44 milhões, empregados na expansão das unidades de Belford Roxo-RJ e de Porto Feliz-SP. Outros R$ 50 milhões já foram aprovados para aportes na produção em 2004. Houve também no ano passado uma injeção de capital de R$ 375 milhões, destinada a consolidar a política financeira do grupo após a aquisição da antiga Aventis Cropscience, por 7,2 bilhões de euros, e fugir dos altos índices dos juros brasileiros. “Foi uma injeção de capital no País, que é especialmente promissor para a Bayer Cropscience”, disse Lacerda.

    A meta da filial brasileira da Bayer, em 2004, é galgar o posto de 8a operação mais importante dentro do grupo. Atualmente, o País está no 10o posto, com faturamento muito próximo ao da operação inglesa. Caso se confirmem as projeções, o Brasil, passaria à frente do Canadá e Benelux.

    NewCo ganhou nome – A nova empresa do grupo Bayer, a Lanxess (que até então vinha sendo chamada de NewCo), é produto da estratégia global de foco nos segmentos de materiais inovadores. Desse modo, a Bayer Chemicals, à exceção das empresas H. C. Starck e Wolff Walsrode, e um terço dos negócios da Bayer Polymers, foram unidos para formar a nova empresa, separada da Bayer AG. Estima-se o lançamento em bolsa das ações da Lanxess em janeiro de 2005, em local ainda não definido.

    Química e Derivados: Empresa: Reichardt - linha agrícola pode crescer 20% em 2004. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Reichardt – linha agrícola pode crescer 20% em 2004.

    A nova empreitada deve render um faturamento mundial de cerca de 5,8 bilhões de euros. No Brasil, a Lanxess terá cerca de 450 funcionários, e com base nos resultados da Bayer Chemicals e da fração da Bayer Polymers que integrará a empresa, seu faturamento no País deve rondar a casa dos R$ 300 milhões.

    Entre os principais produtos da companhia estarão as borrachas e os plásticos ABS e SAN, da Bayer Polymers, além de toda a linha de produtos da Bayer Chemicals, empregados em processos de setores como o de couro, têxtil, adesivos, tratamento de água, entre outros. O início da operação da Lanxess deve ocorrer ainda em junho deste ano.

    Em 2004, a Bayer espera manter o bom momento no mercado nacional e crescer pouco mais que o PIB brasileiro. O negócio Cropscience, entretanto, deve apresentar desempenho mais forte, impulsionado pela agricultura, e há boas expectativas também para a Bayer HealthCare.

    O desempenho do negócio farmacêutico da empresa, aliás, foi exceção no Brasil. Embora o segmento tenha patinado em 2003, o ano foi excelente para a Bayer, segundo Sérgio Oliveira, vice-presidente da Bayer HealthCare. Segundo ele, o crescimento foi alavancado pelo lançamento do Levitra e do reposicionamento de outros produtos. O segmento de combate à disfunção erétil cresceu quase 50% entre 2002 e 2003.


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