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14 de novembro de 2002

Empresa: Ceo da Clariant apresenta planos globais no Brasil

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    a última semana de novembro, Robert Raeber visitou pela primeira vez o Brasil desde que foi indicado presidente mundial da Clariant, em maio de 2002. Ele já conhecia o País, tendo sido por anos executivo da Nestlé Europa, na divisão de negócios de consumo. Embora não seja um especialista em química e processos químicos, Raeber revela rápida adaptação às novas atribuições. “Negócios são sempre meio parecidos”, explicou. Para ele, o fundamental para qualquer empresa é estar sempre próxima dos clientes, para para entender seus processos produtivos e suas necessidades.

    Essa forma de atuar é compatível com a situação atual de mercado dos produtos químicos, principalmente as especialidades. “Os preços estão caindo em todo o mundo, não adianta se queixar”, explicou Raeber. “É preciso agregar valor aos produtos, entrando na cadeia de suprimentos dos clientes e atendê-lo melhor.”

    Química e Derivados: Empresa: Raeber - é mais seguro investir na China.

    Raeber – é mais seguro investir na China.

    Por isso, a Clariant mundial se esforça para desenvolver preparações ou formulações de aplicação mais fácil. Como exemplo, ele citou corantes que se dispersam com mais facilidade em meio líquido, reduzindo a despesa de eletricidade para acionamento de misturadores. “Os clientes estão dispostos a pagar um pouco mais caro pelo produto, desde que lhes sejam oferecidas vantagens reais”, disse.

    Além disso, Raeber defende a adoção de novo perfil dos profissionais de atendimento e vendas. “O vendedor tradicional não serve mais”, afirmou. “O mercado pede vendedores técnicos, capazes de identificar problemas e apontar soluções economicamente viáveis.”

    A adoção firme desse enfoque pode dar a entender, erradamente, que os dias da área de pesquisa e desenvolvimento estão contados. “Cerca de 20% do nosso faturamento é obtido com as vendas de produtos desenvolvidos nos últimos cinco anos”, atestou o presidente mundial. A maior parte desses desenvolvimentos consiste de melhorias nos produtos tradicionais. Mas, a inovação permanece como diretriz da companhia, que investe 4% de suas vendas mundiais em P&D.

    América Latina em crise – Na visão de Raeber, os países latino-americanos, responsáveis por 10% das vendas da empresa, vivem uma crise provocada pela desvalorização das moedas nacionais. Isso provocou acentuada queda nos indicadores das subsidiárias regionais, embora os resultados tenham sido satisfatórios, se considerados apenas os números nas moedas locais. A Clariant do Brasil foi uma exceção, tendo crescido 4% em dólares por causa do aumento entre 15% e 20% nas exportações, facilitadas, exatamente, pela desvalorização cambial.

    “Não é fácil ampliar as exportações rapidamente”, observou o presidente da Clariant local, Günter Martin. “É preciso encontrar compradores e desenvolver aplicações, processos que levam algum tempo, embora tenhamos o benefício de contar com linha de produtos mundiais.” Além disso, é difícil ampliar o leque de produtos fabricados no País, dada a falta de insumos químicos, a exemplo dos intermediários de síntese, que exigem importações. Isso explica o saldo comercial negativo da subsdiária. As exportações de 2002 superaram US$ 50 milhões, contra US$ 350 milhões das vendas locais. Na opinião de Martin, a exportação pode dobrar em três ou quatro anos.

    Para ele, a decisão de investir não depende apenas do comportamento da moeda, mas de outros elementos, como reformas fiscais, tributárias e previdenciárias. “Se a regra é a de mercado livre, então vamos ter impostos iguais aos do resto do mundo, custos semelhantes e relações capital-trabalho idem”, enfatizou, salientando que os capitais se direcionam para regiões de baixo risco. “Hoje, investir na China é mais seguro que no Brasil”, disse.

    A eleição de um presidente oriundo de partido político de oposição ao antecessor é vista como ponto positivo para a imagem do Brasil. “Isso indica solidez da democracia; no futuro pode ser um atenuador de risco”, afirmou Raeber. Ele entende ser necessário ao País reconquistar a confiança dos investidores internacionais, cujo comportamento é ditado muitas vezes por fatores psicológicos. “Por enquanto, os investidores vão esperar para ver o que vai acontecer no novo governo”, comentou.

    Esse é o caso da Clariant brasileira, que investiu parcos US$ 20 milhões durante 2002, valor a repetir durante 2003. As demais subsidiárias latino-americanas receberão US$ 5 milhões. “Investimos recentemente US$ 350 milhões no Brasil, e é preciso digerir esses projetos antes de aplicar mais”, afirmou Martin. “Até porque o mercado local não está crescendo”. Com isso, o parque fabril da Clariant no País pode ser considerado novo, ou atualizado, exigindo apenas alguns recursos para manutenção ou desgargalamento.

    Raeber reconhece que o volume de investimentos na região contempla apenas a manutenção dos negócios existentes. “Esse valor é o mínimo possível”, disse. Ele explicou que a subsidiária precisa submeter projetos de investimento novos à matriz, atenta especialmente às taxas de retorno. “Hoje é quase impossível determinar a taxa de retorno, pois não se sabe como vai se comportar a moeda local”, considerou.

    A visita de Raeber foi entendida como um desafio para Günter Martin. “Ele nos estimulou a fazer novas coisas, apresentar projetos e buscar crescimento com margens atraentes”, afirmou. A companhia já está se dedicando a desenvolver aplicações compatíveis com as dificuldades dos clientes, aproveitando os novos laboratórios instalados em São Paulo.

    Em âmbito mundial, a Clariant, nascida da Divisão de Produtos Químicos da Sandoz, que depois incorporou a divisão química da Hoechst, alcança faturamento anual da ordem de US$ 6,5 bilhões de dólares, obtendo crescimento anual de vendas da ordem de 6%, sem novas aquisições de empresas. “É mais barato crescer com as próprias pernas”, disse Raeber, sem descartar pequenas negociações a título de complemento de portfólio. “Em alguns meses poderemos anunciar novos projetos de investimentos e algumas aquisições também”, concluiu.



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