Tratamento de Água

27 de março de 2005

Efluentes: Nova resolução e promessa de obras reanimam mercado de efluentes

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Revisão torna lei federal de emissão de efluentes mais rigorosa e, junto com a possível retomada de obras, gera boa expectativa no setor

    Química e Derivados: Efluentes: Aeradodores na Canatiba Têxtil em Santa Bárbara d Oeste - SP. ©QD Foto - Divulgação

    Aeradodores na Canatiba Têxtil em Santa Bárbara d Oeste – SP.

    O ano de 2005 tem grandes chances de tirar o setor de tratamento de efluentes do estado de depressão em que ele se afundou nos últimos tempos. O otimismo tem a ver, de início, com a provável retomada de obras públicas, que segundo especialistas devem começar a “pingar” em algumas companhias estaduais capazes de contrair financiamento disponível pela Caixa Econômica Federal. Mas também se baseia, pelo lado do mais confiável setor privado, na certeza de que grandes concorrências interrompidas entre 2003 e 2004 sejam reabertas neste ano.

    E a boa expectativa, por fim, ainda tem relação com a promulgação da nova resolução Conama 357, em 17 de março de 2005, que disciplina a emissão de efluentes em corpos d´água e cuja promessa é tornar a legislação mais restritiva e portanto motivadora de novos investimentos.

    Compartilha dessa expectativa do setor o diretor comercial da Degrémont, Mauro Gebrim. Em sua opinião de executivo da principal empresa de engenharia e sistemas para água e efluentes, Gebrim acredita que em 2005 e no primeiro semestre de 2006 os recursos do FGTS, disponibilizados pela CEF e que foram descontigenciados em 2003 e 2004 (um total de R$ 3,4 bilhões), finalmente devem começar a ser usados pelas companhias estaduais. “Algumas empresas ainda estavam arrumando suas finanças para poder contrair os empréstimos e outras, mesmo já saneadas, não utilizaram os recursos simplesmente porque não apresentaram projetos”, diz o diretor. Segundo ele, as companhias estaduais que devem movimentar o mercado usando recursos públicos até o primeiro semestre de 2006 (já que pela Lei de Responsabilidade Fiscal os governos estaduais só podem contrair novas dívidas até essa data-limite, ou seja, no término dos primeiros seis meses do último ano de mandato) devem ser principalmente a Sabesp, Sanepar, Copasa (Minas Gerais), Embasa (Bahia) e Caesb (Brasília).

    Química e Derivados: Efluentes: Gebrim - projetos começam a ser desengavetados. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Gebrim – projetos começam a ser desengavetados.

    No referente ao setor privado, a expectativa de Mauro Gebrim é melhor ainda e apenas reitera o papel preponderante da indústria nos negócios da Degrémont e de outras empresas da área. Segundo ele, neste ano serão desengavetados vários projetos de setores considerados pela companhia de origem francesa como core business, basicamente petroquímica, siderurgia, papel e celulose, todos eles grandes consumidores de água e geradores de efluentes. “No ano passado, a economia se moveu mais com o agronegócio e as exportações, já os setores de infra-estrutura protelaram os investimentos e a conseqüência foi o mercado interno ficar um pouco comprometido”, afirma.

    Mas se em 2004 as vendas para sistemas de efluentes industriais deram para pelo menos minimizar a retração dos negócios provocada pela ausência de obras em saneamento, neste ano a previsão é bem melhor. Para começar, Gebrim cita a Petrobrás, que em 2004 não comprou nada, mas já no primeiro quadrimestre deste ano fará concorrências em refinarias, como Revap, de São José dos Campos-SP, e Reduc, de Duque de Caxias-RJ. Também o setor de papel e celulose deve promover licitações, como a fábrica de papel da Suzano, em Mucuri-BA, a Norske Skog Pisa, no Paraná, e a International Paper, cujos planos são o desgargalamento da unidade de Mogi Guaçu-SP e de construção de fábrica nova.

    Juntando as promessas de retorno de obras em saneamento com mais serviços na indústria, como por exemplo os prometidos em siderurgia (Açominas, Usiminas e Usipar), a Degrémont espera retomar o nível normal de negócios. Isso significa pelo menos recuperar as perdas de 20% nas vendas de 2004 e voltar à média de faturamento anual por volta de US$ 20 milhões.

    Bons projetos – Mesmo com o crescimento do PIB industrial de 2004, o número de novas estações de tratamento de efluentes no ano passado não foi significativo. Isso se explica, em primeiro lugar, em virtude de uma constatação: o crescimento foi sobre um período recessivo, demonstrando que na verdade a indústria nacional estava recuperando suas perdas e não criou nada de novo. O outro fator para as poucas obras de ETEs industriais é um pouco mais técnica. Quando a indústria sofre ampliação, o normal é que apenas depois de um tempo comecem os investimentos nos efluentes. E a primeira medida, nesses casos, é melhorar a eficiência da estação e não construir novos sistemas.

    Também não seria o caso de dizer que não houve nada de projetos entre 2003 e 2004. A Degrémont, por exemplo, conseguiu manter sua estrutura de vendas em um nível razoável ganhando algumas contas, como na Oxiteno, na Ajinomoto e na Gerdau. Houve ainda casos mais emblemáticos de conquista de obras nesse período, em outras empresas de engenharia, como na Centroprojekt, de São Paulo, que teve a “sorte” de ganhar importante contrato na produtora de celulose do grupo Stora Enso/Aracruz, a Veracel, de Eunapólis, no sul da Bahia.

    Conquista de agosto de 2003, cujas obras já estão prontas e com partida programada para setembro, a concorrência internacional para o tratamento de água e efluentes da Veracel foi vencida pelo consórcio liderado pela Centroprojekt e formado ainda pela Setal e a Paranasa. Trata-se de obra com valor total de US$ 55 milhões e que inclui desde a captação de água (6.400 m3/hora), o tratamento da utilidade para o processo industrial até o tratamento de efluentes e seu descarte.


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