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15 de abril de 2012

Ebrats 2012 – Em recuperação, setor terá menos players

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    pós uma grande expansão, quando o mercado brasileiro de processos químicos para tratamento de superfície mais que dobrou de tamanho, saindo de um faturamento anual na casa de US$ 200 milhões, em 2007, para US$ 500 milhões, em 2011, a expectativa dos empresários do setor é de acomodação em 2012. No médio prazo, porém, as projeções são de uma retomada do crescimento do mercado em decorrência do próprio crescimento econômico brasileiro e das oportunidades que já surgem com os preparativos para a Copa do Mundo e a Olimpíada. Mas esse aquecimento vindouro nos negócios provavelmente se dará em um ritmo menos forte do que o visto nos últimos anos. A avaliação é de Douglas Fortunato de Souza, coordenador geral do XIV Encontro Brasileiro de Tratamento de Superfície (Ebrats 2012), que reuniu 132 empresas participantes, entre fornecedores de químicos e de equipamentos, de 11 a 13 de abril, no Expo Center Norte, em São Paulo.

    O mercado brasileiro de processos químicos para tratamento de superfície é dividido em dois segmentos distintos, cada um responsável por aproximadamente a metade do faturamento do segmento de negócios. Há o segmento de processos de pré-tratamento de superfície metálica para posterior pintura ou proteção a óleo, e o plating, que por sua vez é dividido em duas categorias: acabamentos decorativos, com 80% deste segmento; e os acabamentos técnicos, para peças que exigem tratamento anticorrosivo. O crescimento do mercado nos últimos anos se deu nos dois segmentos, puxado principalmente pelo consumo da indústria automobilística, que demanda tanto o tratamento de chapas de aço quanto o de autopeças cromadas. As indústrias de produtos da linha branca, como fogões e geladeiras, de itens de acabamento da construção civil e de embalagens de perfumes e produtos de higiene também aumentaram suas demandas significativamente.

    Como relatam Fortunato de Souza e o diretor da Anion MacDermid, Airi Zanini, ambos ex-presidentes da Associação Brasileira de Tratamento de Superfície (ABTS), desde meados de 2011, nota-se uma estagnação nas encomendas, principalmente na indústria automotiva e nos itens voltados para o lar, como chuveiros e torneiras cromadas. São dois os fatores determinantes neste processo. O primeiro é que o próprio consumo brasileiro de carros e imóveis já não se expande no mesmo ritmo. O segundo fator, e mais importante, é o crescimento da importação de autopeças, veículos e outros produtos prontos, diminuindo as atividades da indústria brasileira e, consequentemente, a demanda por tratamentos químicos de superfície.

    Os investimentos das empresas de processos químicos, porém, não estão parados. Ampliações, aquisições, parcerias e lançamentos de novos produtos estão na ordem do dia. O pano de fundo para os movimentos estratégicos, avalia Fortunato de Souza, é a percepção de que o número de players relevantes no mercado brasileiro deve se estreitar. “Hoje temos umas 70 empresas atuantes e, destas, as dez maiores dominam entre 60% e 70% dos negócios. Em cinco anos, serão umas 50 empresas, sendo entre cinco e oito realmente relevantes”, acredita o executivo. A pressão sobre o mercado brasileiro só tem aumentado com a retração de mercados importantes, como o europeu e o japonês, e a lenta recuperação americana. “Uma prova disso é que temos 27 expositores estrangeiros no Ebrats, nunca tivemos tantos”, diz.

    Química e Derivados, Douglas Fortunato de Souza, coordenador geral do XIV Encontro Brasileiro de Tratamento de Superfícies

    Souza: pressão mundial sobre o mercado local é crescente

    Parcerias e aquisições – A Itamarati, empresa de Fortunato de Souza, é um exemplo desta tendência. Uma das poucas empresas brasileiras entre as principais no mercado local, a companhia fechou duas parcerias nos últimos anos, com a americana Haviland e com a alemã HSO. Dos alemães, a Itamarati trouxe para o Brasil uma linha de galvanização para plásticos ABS que passou a representar 10% do faturamento da empresa. Com a Haviland, a Itamarati teve acesso à tecnologia de zinco trivalente, que gera menor impacto ambiental que a tecnologia hexavalente utilizada anteriormente. Os banhos com cromo trivalente, por gerarem um menor custo de tratamento dos efluentes e também um menor risco à saúde humana, há muito tempo são predominantes nos principais mercados globais. No Brasil, onde os hexavalentes ditavam o mercado há cinco anos, os trivalentes ganharam força nos últimos anos e já prevalecem nos processos. “Com estas parcerias, hoje temos uma linha de produtos de ponta, que compete em iguais condições com as multinacionais que estão aqui”, diz Souza.

    O movimento estratégico que mais surpreendeu o mercado foi realizado pela americana MacDermid, que atua no Brasil desde 2001 por meio da Anion: em 1º de fevereiro assinou contrato de aquisição da brasileira Tecnorevest, a mais antiga do ramo no país, fundada em 1968 e até então comandada por Sérgio Pereira. No ano passado, a multinacional já havia adquirido a argentina Metalchem. Airi Zanini relata que uma das principais motivações das aquisições foi a necessidade de expansão da capacidade produtiva. A fábrica da Anion MacDermid, em Jandira, na Grande São Paulo, já estava com 100% de sua capacidade de produção, de 600 toneladas por mês, tomada. E a demanda já apontava para 900 t/mês. “Vamos levar parte de nossa produção para a fábrica da Tecnorevest no Paraná”, diz o executivo. Em Cambé-PR, será erguida uma nova fábrica, a MacDermid Offshore Fluidos. A expectativa da empresa é que a demanda pela linha de produtos offshore da companhia, hoje com 300 t/mês, chegue a 500 t/mês em dois anos. Entre as inovações recentes da companhia estão o sistema de eletrodeposição em cromo trivalente em tambores rotativos para peças a granel. E a linha top coat eletrolítica, desenvolvida pela Tecnorevest.


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