Domissanitários e Limpeza

11 de março de 2002

Domissanitários: Estudo aponta aumento de vendas clandestinas

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Publicado por: Renata Pachione
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    m estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) revelou uma tendência crescente à informalidade no mercado de produtos de limpeza. De acordo com o levantamento, encomendado pela Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla), a participação de empresas ilegais no setor é bastante significativa, pois chega a representar 42,1% do consumo nacional de água sanitária, 30,6% de desinfetante e 15,2% de amaciante de roupas. Menos preocupantes são os índices referentes ao detergente líquido e ao sabão em pó, com demanda de 7,7% e 0,2%, respectivamente.

    A informalidade se caracteriza pelo não pagamento de impostos, de direitos trabalhistas e de outras obrigações legais. Trata-se então de uma concorrência desleal com as indústrias legalizadas, pois ao não atender as exigências fiscais os clandestinos conseguem praticar preços vis. Além disso, em geral, essas empresas burlam as normas sanitárias e trabalham com material de péssima qualidade. Sem marca, os produtos são oferecidos ao consumidor por meio de vendas diretas em domicílio, ou seja, no esquema porta-a-porta e em pequenos estabelecimentos comerciais.

    Química e Derivados: Domissanitários: Amaral - dados já foram enviados para a Anvisa.

    Amaral – dados já foram enviados para a Anvisa.

    O levantamento apontou como principais fatores da expansão do mercado informal o baixo custo unitário dos produtos e a inexistência de barreiras técnicas de alguns segmentos, ou seja, a simplicidade da tecnologia empregada na fabricação dos produtos. Outro problema, indicado pelo presidente da Abipla, José Estanislau do Amaral, é a ausência de uma fiscalização efetiva no setor. Segundo ele, não se trata de falha na legislação, mas sim nos meios responsáveis pelo cumprimento da lei.

    No entanto, na opinião de Amaral, para os órgãos fiscais terem condições de coibir a atuação das empresas clandestinas, seria preciso dimensionar o grau de informalidade no setor, daí a necessidade do estudo.

    “Sabíamos da existência da clandestinidade, mas precisávamos conhecer exatamente como as empresas se organizavam para começarmos a atuar”, comentou.

    A partir dos dados sobre a estrutura do setor, a primeira providência da Abipla foi a de apresentar o estudo à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Vamos fazer um trabalho de inteligência, de garimpo”, explicou Amaral. Em parceria, as duas entidades pretendem mapear todo o mercado informal de produtos de limpeza. A idéia é, ainda neste semestre, realizar uma investigação vigorosa e revelar quais são os fornecedores das matérias-primas e das embalagens dos produtos ilegais para assim chegar aos fabricantes.

    Fraude anunciada – Campeã de participação no mercado, a água sanitária produzida por empresas clandestinas apresentaram, na análise da Fipe, a concentração de 1,4% de cloro ativo, teor muito aquém da determinação da portaria nº 14 do Ministério da Saúde, cuja especificação é de 2,5% de cloro ativo.

    Outra prova da fraude cometida pelas empresas informais é demonstrada na formulação do amaciante de roupas. De acordo com o levantamento, o produto é, na maioria das vezes, uma mistura de água cheirosa engrossada, em alguns casos, com amido de milho. A substância básica utilizada na obtenção de amaciante é o cloreto de dimetil di-alquil, um sal quaternário de amônio. As marcas líderes de mercado apresentam uma concentração do princípio ativo em torno de 5%, já os produtos de baixa qualidade chegam a ter índices de 1,5%.

    Além do aspecto técnico, o estudo também constatou que o grau de informalidade varia de acordo com a diferença de preços entre os mercados formal e informal. Ou seja, na hora da compra, o consumidor é seduzido por uma falsa economia e opta pelo produto mais barato, sem levar em conta a qualidade do material oferecido. “O poder aquisitivo do brasileiro é baixo, por isso, quando a marca não é forte, o preço é determinante”, afirmou Amaral. No caso da água sanitária, o preço médio do produto considerado legal é de R$ 0,75, e o do ilegal, R$ 0,30. O desinfetante é outro exemplo. Comercializado por empresas clandestinas ao preço médio de R$ 0,65, o produto chega a dobrar de valor no mercado formal.

    De interesse geral – De acordo com Amaral, apesar da proposta inicial do estudo ter partido da vontade da Abipla de fortalecer a formalidade do setor, ou seja, proteger as indústrias ligadas à associação, os resultados obtidos atingem toda a população brasileira, nos âmbitos econômico e social. Na opinião de Amaral, trata-se de um retrocesso para a economia. “As indústrias legais estão em desvantagem e sem condições de investir, pagam a tributação exigida pelo governo e ainda perdem fatias de mercado”, desabafou o dirigente.

    Outro aspecto importante refere-se à saúde pública. Em geral, a atividade clandestina é exercida por empresas de fundo de quintal, nas quais os produtos são de baixa qualidade. Na maioria dos casos, a porcentagem de água nas formulações é muito alta e são escassas as concentrações do princípio ativo, debilitando a ação sanitizante do produto. Além disso, em geral, a fabricação do material não atende às normas sanitárias e de segurança.


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