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5 de maio de 2011

Distribuição – Superada a crise, setor volta a falar em fusões e aquisições

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Revista Química e Derivados - Distribuição - Superada a crise, setor volta a falar em fusões e aquisições

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    panorama dos negócios da distribuição de produtos químicos no Brasil aponta para uma profunda reformulação setorial. Não se pode, porém, determinar a velocidade dessa mudança. Há uma tendência clara de concentração empresarial, reforçada pela recente consolidação das operações das duas distribuidoras “herdadas” pela Braskem, a quantiQ e a Unipar Comercial. Além disso, as fusões e aquisições promovidas pelos fabricantes químicos e pelas indústrias de transformação, ou seja, a montante e a jusante da distribuição, também estimulam a concentração, tanto pela redução do número de clientes quanto pela escala crescente dos pedidos, exigindo contar com estrutura de capital compatível.

     

    A recuperação financeira mundial, após o “tombo” de 2008, entra na lista dos apoiadores dessa mudança. Os fundos de investimentos voltam a procurar oportunidades de negócios, a exemplo da venda da distribuição química da norte-americana Ashland (faturamento anual de US$ 3,4 bilhões), em novembro passado, para o TPG Capital, por US$ 930 milhões. “O investidor estrangeiro comete um grande erro estratégico ao não comprar um player no Brasil em vez de colocar mais dinheiro em mercados maduros como Europa e Estados Unidos”, avaliou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim). Em 2010, a distribuição química nacional obteve aumento de faturamento próximo a 15% sobre os US$ 4,8 bilhões de 2009, voltando a ficar acima de US$ 5 bilhões, mesmo patamar de 2008. A rentabilidade média setorial se manteve entre 3% e 5%. “O primeiro trimestre de 2011 foi bom, porém a elevação dos preços químicos mundiais se manteve, especialmente nos derivados de propeno”, comentou.

    Como explicou, os mercados do antigo primeiro mundo não apresentam grandes oportunidades de crescimento, ao contrário dos chamados países emergentes, entre os quais o Brasil. “Nosso mercado é um vulcão dormente, uma hora terá uma explosão de crescimento”, afirmou. Nos últimos anos, vários contatos foram feitos com os distribuidores nacionais, porém com ofertas muito abaixo do que os empresários locais esperavam. “Quem quer entrar, precisa pagar o que vale”, salientou Medrano.

    Revista Química e Derivados, distribuição, Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim)

    Medrano: difícil crescer no Brasil sem fusões e aquisições

    Ao mesmo tempo, como as distribuidoras nacionais se esforçaram muito nos últimos dez anos para reforçar suas estruturas e otimizar operações, os espaços do mercado estão ocupados. “Atualmente, é muito difícil crescer organicamente no Brasil, isso vai impulsionar as fusões e aquisições”, afirmou Medrano. Ele recomenda olhar essas operações sob um enfoque estratégico, avaliando ativos fixos, bandeiras representadas e carteira de clientes. “O setor ainda é muito familiar e a sucessão do fundador abre caminho para reestruturações”, comentou. Daí a importância de se profissionalizar a gestão, uma questão complicada pela escassez de bons gestores disponíveis. A Makeni, empresa presidida por Medrano, contratou o experiente João Rodrigues, ex-quantiQ e ex-Weg Química, que deve assumir parte significativa do trabalho executado pelo diretor comercial Reinaldo Medrano. Este, com carga aliviada, poderá se dedicar mais ao relacionamento com as distribuídas internacionais.

    “As fusões e aquisições devem ganhar força na distribuição nacional, mesmo porque há gente lá fora querendo entrar no mercado”, afirmou Carlos Fernando de Abreu, vice-presidente da área química do grupo Formitex (Denver Resinas, Denver Impermeabilizantes, Denver Gel, Murta e as distribuidoras Bandeirante Química e Brazmo, em fase final de unificação). Ele considera que as cadeias químicas globais mudaram muito desde a crise de 2008. “Foi uma oportunidade para reorganizar os negócios”, considerou.

    No caso brasileiro, com as vendas para as classes C e D turbinadas, as pequenas e médias empresas apresentaram desenvolvimento surpreendente, contrariando o clima recessivo do exterior. Como elas são geograficamente dispersas, seriam um prato cheio para a distribuição. Entretanto, muitos fabricantes químicos se mantiveram verticalizados, com dificuldades em atingir a ponta do mercado, principalmente pelas dificuldades logísticas impostas pela notória deficiência local em infraestrutura. “Isso elevou os custos desses fabricantes, que viram alguns de seus clientes sumirem por conta da concorrência chinesa anabolizada com o real valorizado, como os têxteis e os calçadistas”, disse Abreu. Para ele, a distribuição ajudou esses fabricantes a reduzir custos e a encontrar novos clientes.

    Ao mesmo tempo, a cotação do dólar continuou em baixa, estimulando importações. “Muitos corretores se animaram a montar estruturas comerciais próprias, alimentadas com importações de produtos baratos que precisam ser desovados rapidamente, aumentando a concorrência em alguns itens específicos”, explicou. Por sua vez, os distribuidores tradicionais, com bandeiras definidas, direcionaram seu foco de operações para os segmentos do mercado interno que apresentaram crescimento. “Ficamos mais seletivos. Na Bandeirante/Brazmo, por exemplo, reforçamos a atuação no setor sucroalcooleiro e nas tintas e vernizes, setores que não sofreram ataques externos”, comentou.


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