Economia

21 de julho de 2015

Distribuição: Setor revê portfólio, reduz custos e aprimora serviços para manter vendas e margens

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Distribuição: Setor revê portfólio, reduz custos e aprimora serviços para manter vendas e margens
    Não será a primeira, muito menos a última crise econômica que o comércio de produtos químicos enfrentará no Brasil. Escaldado pelas experiências anteriores, o setor promoveu ajustes internos, ajustou seu foco de operações e consegue sobreviver – e até crescer – enquanto o PIB nacional anda para trás.

    Química e Derivados, Medrano: estrangeiros ainda têm apetite para aquisições

    Medrano: estrangeiros ainda têm apetite para aquisições

    A natureza da atividade comercial permite rápida adaptação aos cenários mais diversos. Essa capacidade é um dos maiores ativos do setor e também um indicador seguro da sua competência. “Diferentemente da indústria, que fabrica sempre os mesmos produtos, a distribuição recompõe rapidamente seu portfólio com ênfase nos mercados mais lucrativos, sem deixar de suprir os clientes habituais”, comentou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim/Sincoquim).

    Com essa resiliência e expertise em “domar” as flutuações macroeconômicas, o setor conseguiu ampliar seu faturamento entre 3% e 5% em 2014, em moeda forte (US$), como indicam os dados preliminares coletados pela entidade. Com isso, o total de vendas do setor se aproximou de US$ 7 bilhões. Em reais, o avanço do faturamento ficou perto de 12%. “É preciso considerar que esses números embutem uma variação cambial expressiva, além disso, em toneladas, o desempenho não foi tão expressivo”, avaliou.

    Medrano também pede atenção às oscilações dos preços internacionais dos químicos, alguns dos quais perderam a metade de seu valor. “Quem estava estocado perdeu dinheiro com isso”, comentou, salientando que o setor atua com elevada eficiência e qualidade, evitando atitudes oportunistas e práticas temerárias que, no passado, quase sempre resultaram em redução de rentabilidade.

    A visão da Associquim para 2015 é de um ano desafiador. “Acredito que manter o faturamento de 2014 já será uma vitória, pois os indicadores de atividade e de confiança industrial estão muito baixos”, avaliou Medrano. Para ele, os distribuidores devem concentrar suas atenções no dia-a-dia das empresas, buscando manter o volume de negócios com margem de lucro razoável. Ao mesmo tempo, ele não espera que o setor venha a demitir pessoal. “Pelo contrário, as empresas do ramo precisam contratar gente cada vez mais qualificada, pois as exigências logísticas e de serviços estão aumentando”, considerou.

    A prestação de serviços assume relevância crescente com o interesse cada vez maior dos distribuidores pelos mercados de insumos para cosméticos, alimentos e farmacêuticos. “Os fabricantes querem transferir mais responsabilidades para a distribuição, mas isso exige investimentos em laboratórios e pessoal técnico, além de o retorno ser mais longo, pois depende de licenças oficiais e aprovações dos clientes”, considerou.

    Influência externa – Toda a cadeia produtiva dos químicos está em profunda alteração, em escala mundial. “Os efeitos da globalização econômica são evidentes, mesmo na Europa, onde a distribuição contava com grande número de empresas familiares, a regra é a consolidação liderada por fundos de investimento, principalmente os de private equity”, comentou Medrano.

    A lógica dos negócios privilegia cada vez mais a rentabilidade a curto prazo, bem como o crescimento por fusões e aquisições. Da mesma forma que os fabricantes químicos se consolidaram em companhias gigantescas e globais, a distribuição tende a seguir o mesmo caminho. “Produtores globalizados querem distribuidores globalizados”, apontou.

    No entanto, o dirigente setorial percebe uma grande diferença em relação ao comportamento de décadas passadas. “Os grandes conglomerados perceberam que não existe uma receita padrão para todos os lugares do mundo, hoje eles compram as empresas, mas prestigiam os operadores locais”, afirmou.

    Medrano apontou vários movimentos recentes de aquisições, como a da Coremal pela Pochteca (México), da Makeni pela IMCD (Holanda), da Gafor pela Brenntag (Alemanha), e da D’Altomare pela Univar (EUA, que já comprara a Arinos). “E não vai parar por aí, pois, apesar da crise, o Brasil ainda é um mercado atraente para as distribuidoras globais, é uma democracia sólida, com grande população que carrega valores ocidentais”, salientou.

    Atualmente, os Estados Unidos são a bola da vez para fusões e aquisições na distribuição química, segundo Medrano. Com economia em recuperação, moeda estável e ambiente favorável, os investidores apontam para lá os seus radares. Em contrapartida, a Europa segue em marcha lenta, embora a região conte com estoque de capital para investimentos. “O sistema Reach é um grande problema, porque é caro e burocrático, e pode ainda piorar”, afirmou.


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