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15 de abril de 2012

Distribuição – Setor cresce na Europa e nos EUA, mas normas elevam os custos

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    ealizado em março, no Tivoli Eco Resort, na Praia do Forte, Bahia, o Encontro Brasileiro da Distribuição Química (EBDQuim) cumpriu seu propósito de reunir grande parte das empresas do setor, intensificando relacionamentos e abrindo a possibilidade de negócios, além de contar com a presença de representantes de grandes indústrias químicas nacionais e estran-geiras, bem como de órgãos governamentais. Ao mesmo tempo, o encontro permitiu enxergar alguns aspectos relevantes do comportamento do mercado químico mundial e a movimentação das associações congêneres da distribuição na Europa e nos Estados Unidos.

    Miguel Mantas, diretor-geral e membro do comitê executivo da Oxea, empresa química com sede na Alemanha, formada pela união de negócios segregados pela Hoechst, Celanese e Degussa – detentora da segunda maior capacidade mundial de processos OXO (para produção de álcoois sintéticos de cadeia longa), atrás apenas da Basf, porém é a maior supridora do mercado –, informou que a economia mundial crescerá perto de 3% neste ano. “Onde está a crise?”, perguntou. Ele salienta que a crise financeira iniciada nos EUA em 2008 realmente se espalhou pelo mundo, mas os países ditos emergentes mantêm a média de crescimento de 6% ao ano. “Os Estados Unidos estão crescendo, até o Japão vai crescer, só a Europa está em contração”, afirmou.

    Na Europa, a ocupação das capacidades produtivas químicas caiu em 2011, deixando saudades da média histórica de 80%. “Na Alemanha, a ocupação de capacidades segue elevada, mas o país exporta mais da metade do que fabrica”, ponderou Mantas, português de nascimento.

    Para espanto geral, ele informou que a indústria química europeia registrou crescimento de 2% em 2011, exatamente igual à sua média histórica. A explicação para esse comportamento extraordinário se encontra no fato de a região responder por 44% das exportações mundiais de químicos, ficando a Ásia no segundo lugar, com 33%. “Com a receita das exportações, a indústria química europeia reagiu bem à crise de 2008/09”, comentou.

    Com o primeiro impacto desse momento crítico, o setor químico decidiu tomar logo os remédios amargos: consolidou negócios, cortou salários, queimou estoques para gerar caixa, mas deu “a volta por cima”.

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    Mantas: exportações sustentam atividade química europeia

    Mantas, no entanto, recomenda atitudes cautelosas. Ele aponta para o fato de as economias dos dez países mais desenvolvidos seguirem altamente alavancadas, com déficits crescentes, com destaque negativo para o Japão e o Reino Unido. Além disso, o mundo terá um ano cheio de eleições majoritárias, nos Estados Unidos, França, Rússia, México e também na China, ou seja, mais da metade da população mundial irá às urnas. Não é um ambiente propício para mudanças. Há outros riscos implícitos, como a escassez do suprimento de água, que pode gerar dificuldades no longo prazo.

    “Adotamos uma visão proativa para lidar com os riscos”, disse Mantas. A Oxea, com faturamento na casa dos dois bilhões de dólares, tomou medidas para assegurar uma posição competitiva: controlou os seus custos, manteve participação suficiente nos mercados para mitigar vulnerabilidades circunstanciais e garantir alta taxa de ocupação de capacidades, aumentou sua integração vertical a jusante (agregando mais passos na cadeia de produção), e ainda aplicou seu arsenal tecnológico para gerar inovações e promover o crescimento orgânico. “Mantemos o foco nos clientes, oferecendo a eles acesso global e ágil, além de acelerar investimentos em mercados emergentes”, comentou.

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    Eberhard: custos crescentes impõem aumento de escala

    Tamanho importa – Consultor e atual proprietário da suíça Districonsult, Günther Eberhard entende que as distribuidoras precisam ser grandes para suportar o custo dos serviços demandados pelo mercado e também para atender aos rigores dos sistemas regulatórios, ambos exigindo contar com pessoal especializado (e caro) em casa.
    O especialista apresentou dados que evidenciam que a distribuição química mundial teve bons resultados em 2011, em especial na Europa, e deve seguir crescendo em 2012. “O outsourcing está crescendo e usando cada vez mais o canal de distribuição”, explicou. Além disso, o sucesso do lançamento das ações da Brenntag em 2010 atraiu a atenção dos investidores para o setor.

    Ao mesmo tempo, Eberhard verifica que a distribuição oferece mais serviços para clientes e distribuídas, ou seja, assume custos adicionais. Ele verificou que 36% dos distribuidores europeus possuem laboratórios próprios para apoio aos clientes e 51% esperam tê-los até 2015, principalmente quando atendem os setores de cosméticos e de alimentos. “As especialidades químicas, em geral, pedem prestação de serviços que necessitam de estrutura cara”, advertiu.


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